OPINIÃO
25/03/2014 11:07 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:16 -02

O Brasil não quer saber do Haiti (FOTOS) (VÍDEO)

O Brasil queria saber de um assento no Conselho de Segurança da ONU. Por isso enviou tropas para o Haiti em 2004. Se o País quisesse saber dos haitianos, cuidaria melhor dos mais de 2 mil deles, que se espremem hoje dentro de um galpão projetado originalmente para abrigar 300 pessoas na cidadezinha acreana de Brasileia, na fronteira com a Bolívia. Com apenas 20 mil habitantes, Brasileia é a capital do Haiti no exterior. Quase 20 mil haitianos já passaram pela cidade. E entre 80 e 90 deles chegam por lá todos os dias. O Governo do Estado do Acre e o município querem se livrar do abrigo. O Governo Federal enrola há meses sem dar uma solução definitiva para a melhoria das condições. Estive no local e posso dizer o que ouvi dos próprios imigrantes: o lugar não difere em nada dos abrigos de Porto Príncipe. No dia em que cheguei, fui informado pelos médicos que 90% dos pacientes tinham diarreia.

Nesta terça, 25, a Conectas - organização na qual sou coordenador de Comunicação - fará uma denúncia sobre o caso no Conselho de Direitos Humanos da ONU. "A Conectas escuta há 8 meses do governo federal que medidas estão sendo elaboradas para ampliar o abrigo e melhorar as condições ali. É preciso menos promessas e mais vontade política", disse Camila Asano, coordenadora de Política Externa da Conectas. O pronunciamento será transmitido ao vivo pela própria ONU, nesse link, às 11 horas (hora de Brasília).

Se você não sabia do que se passava em Brasileia, não é culpa sua. O drama dos haitianos no abrigo esteve na moda por curto período, no ano passado. Depois, sumiu do noticiário. Brasileia é longe demais para que a imprensa de São Paulo considere como parte do Brasil. Em vídeo da Conectas, contamos o que se passava no local quando fizemos a primeira visita:

Mas a própria Secretaria de Comunicação do Governo do Estado do Acre tem imagens atualizadas da situação no local:

Haitianos em Brasileia (AC)

No domingo, haitianos e senegaleses entram em confronto novamente na cidade. Da primeira vez, a briga foi por causa de um colchão velho. Agora, foi na rodoviária. Em vez de prover condições humanas no abrigo, o Governo do Acre reagiu falando em fechar as fronteiras definitivamente. "Todos os dias tem confusão na rua, no abrigo, em bancos, em todo lugar", disse o administrador do campo, Damião Borges.

(Texto publicado originalmente no blog Je pense que...)