OPINIÃO
30/10/2014 17:03 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

MØ: a anti-heroína do electro-pop

"Era esse rap meio diferente, essa coisa cheia de atitude. Eu vim com o nome MØ porque em dinamarquês significa virgem. É uma ironia". É visível a força e personalidade da dinamarquesa Karen Marie Ørsted, 26.

Divulgação

"Era esse rap meio diferente, essa coisa cheia de atitude. Eu vim com o nome porque em dinamarquês significa virgem. É uma ironia". É visível a força e personalidade da dinamarquesa Karen Marie Ørsted, 26.

Dona de um dos álbuns mais marcantes do ano, o criticamente aclamado No Mythologies to Follow, o projeto é parte dos grandes destaques de artistas dos mais variados estilos musicais (Iggy, Charli XCX, Tove Lo, BANKS) que vieram ganhando força este ano graças à ausência de hits esmagadores de cantoras mainstream. A mistura de estilos como o pop, o R&B e a música eletrônica é um combo eficaz que faz com que o som de MØ dificilmente seja confundido com o trabalho de qualquer outra.

Desde seu primeiro single, intitulado Maiden, já é possível notar a intensidade sonora que marca presença em todo o álbum. O trabalho de estúdio transita de músicas mais lentas como Dust is Gone até a dançante Dance With Nobody, a entorpecente Fire Rides e a genial XXX88, produzida por Diplo, e possivelmente seu single com maior reconhecimento. "I feel the water flow as I watch him go/Boy, life is cynical despite my heart of gold".

Mas e quais são as influências dos trabalhos da dinamarquesa? Comparada a cantoras como M.I.A. e Lana Del Rey, ela diz ter sido inspirada, surpreendentemente, pela banda Sonic Youth: "Sempre foram umas das minhas maiores inspirações, incluindo as letras. Eu adoro o universo que eles criaram ao redor deles mesmos como musicistas e artistas. Quando eu era adolescente eu imprimia todas as letras de todas as músicas que eles já fizeram e lia em uma pilha de papel antes de dormir".

Recentemente ela juntou forças com a australiana Iggy Azalea, que vem dominando as paradas de todo o mundo. O novo single da rapper, intitulado Beg for It conta com os vocais de MØ em seu refrão. Na primeira apresentação ao vivo do single (e a primeira apresentação televisiva da dinamarquesa), um problema técnico impediu que seu trecho fosse cantado no timing correto, o que imediatamente gerou críticas na internet. Logo após o ocorrido, ela utilizou de suas redes para desculpar-se. "Isso doeu em mim e eu estou MUITO triste. Mas a vida segue em frente. Eu não sou perfeita, nunca clamei ser, não quero ser mas, é. Às vezes é um saco ser um anti-herói", afirmou na carta escrita à mão. Iggy a defendeu das críticas através de replies no Twitter: "Eu sei que você é incrível, e é por isso que a escolhi".

Ainda sobre a adolescência, seu relato é de um período de tédio e obsessão com divertir-se. "Eu era uma adolescente entediada, assim como meus colegas da província. Meu maior sonho era me tornar uma artista punk/rock e tocar pessoas com a minha música. Meu maior medo era perder uma festa, perder a diversão".

"Eu considero muito importante ser capaz de deixar pra lá e parar de se preocupar com tudo. Você não precisa ser lindo e almejar a perfeição, dane-se isso, ninguém pode alcançar isso. Apenas tente deixar pra lá e relaxar. Se expresse quando você precisar e seja o mais feliz possível, então as coisas vão parecer melhores".

Com uma mistura de doçura e um estilo fuck off, é inegável que Karen Marie é mais do que uma artista a se notar daqui pra frente; sua qualidade musical, aliada ao reconhecimento de grandes nomes da música definitivamente farão com que a donzela seja cada vez mais vista por meio de seus trabalhos e sua autenticidade.

"Quando eu iniciei em 2009 eu tive a ideia do nome, e acabei ficando com ele porque agora é tudo sobre ser uma virgem para a vida. Jovem e inocente, incansável e entediada com a juventude."

No Mythologies to Follow

Chess Club / RCA Victor

12 músicas

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As citações são trechos de entrevistas para "london in stereo " e "CRUMB!".

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