OPINIÃO
15/05/2014 16:47 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

"I Never Learn": O agridoce sofrimento de Lykke Li

Divulgação

Como se lida com a dor de um coração partido? E com os sentimentos de culpa, impotência, tristeza e vulnerabilidade? A resposta, para a cantora sueca Lykke Li, foi compor. O resultado é seu terceiro disco, I Never Learn, lançado no último dia 5 que se trata, sem dúvida, de um dos melhores trabalhos musicais do ano até o momento.

Conhecida principalmente pelo hit I Follow Rivers, Li Lykke Timotej Svensson Zachrisson, de 28 anos abriu sua mente e seu coração para o mais recente trabalho. O disco, que fecha uma trilogia composta por Youth Novels (2008) e Wounded Rhymes (2011) traz um lado da artista muito mais sincero e ferido. Em entrevista à Billboard, ela explicou a história por trás de seus trabalhos:

O primeiro álbum é sobre querer o amor, enquanto o segundo é sobre não conseguir o amor que você procura. Eu acho que o terceiro é sobre ir embora e ferrar com tudo. Isso é uma coisa que teria que acontecer comigo enquanto artista. Eu acredito que era algo que eu precisava sentir, porque eu só descobri o que era ter o coração partido com este álbum. Eu acho que algumas coisas você simplesmente precisa viver.

Após o lançamento de Wounded Rhymes, Lykke passou pelo que ela considera o "pior término de sua vida", o que acabou resultando na depressão. Consequentemente, na tentativa de amenizar esta dor, começaram a surgir novas músicas.

Eu me mudei para Los Angeles e decidi, "ok, eu preciso sobreviver". Eu não havia feito planos de fazer um álbum. Meu primeiro instinto foi somente me curar e voltar a viver de alguma forma. Eu estava tão destruída emocionalmente que eu comecei a escrever... Eu amo escrever, e foi tão incrível se perder no meio deste processo. Não achei que alguém ouviria [as músicas] um dia.

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As canções de I Never Learn não carregam menos que todo o sentimento descrito por Lykke. A faixa-título, assim como todas as outras que compõem o trabalho de somente nove músicas é simples, direta e impactante. 'I lie here like a starless lover/I'll die here as your phantom lover/I never learn/I never learn'. De músicas com mais potencial comercial como Gunshot, até a incrível acústica Love Me Like I'm Not Made of Stone, o disco facilmente supera os outros trabalhos de sua carreira, apresentando melhores letras e melodias, e uma Lykke Li mais madura.

Eu poderia me chatear com o primeiro disco, Youth Novels porque, pra mim, eu cantava como um lixo e estava muito contida, era muito inocente, e isso e aquilo, mas eu preciso olhar para isso tudo com compaixão. Fiz o melhor que podia na época.

Youth Novels, mesmo sonoramente agradável e tendo músicas notáveis como Dance, Dance, Dance não se iguala à qualidade de seu segundo trabalho, Wounded Rhymes, que possui canções mais memoráveis como Youth Knows No Pain, Get Some e a já mencionada I Follow Rivers.

Mesmo mostrando toda a vulnerabilidade da cantora, I Never Learn consegue ser intenso. Sua atual faixa de trabalho, "No Rest For the Wicked" que já conta com um videoclipe mostra que os talentos de Li não devem ser somente ouvidos, como também vistos, além de contar com um remix do rapper A$AP Rocky que certamente faz justiça à faixa original.

Seja como for, o disco deve agradar aos adoradores da artista e a novos ouvintes também. A passagem melancólica pelas faixas é de fácil identificação a qualquer um que já sofreu por conta de decepções amorosas. Nas entrevistas, Lykke vem relutando em contar mais detalhes sobre sua decepção amorosa, mas nem precisa, talvez pelo próprio trabalho falar por si só. Orgânico e fenomenalmente convincente, "I Never Learn" é a representação genuína do potencial da jovem. Parafraseando Jason Lipshutz, enquanto Beyonce está "bêbada de amor", Li sofre da ressaca.

Gunshot: