OPINIÃO
27/11/2014 16:36 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Cupons de desconto funcionam nos Estados Unidos. E no Brasil?

Jacques LOIC via Getty Images

Em 2013, 213 bilhões de cupons de desconto foram distribuídos nos Estados Unidos. Deste total, 2,8 bilhões de cupons foram utilizados pelos consumidores, em suas compras. Deste total, 89,7% foram distribuídos impressos em jornais ou em encartes de jornais. E só 66 milhões de cupons foram digitais. Dos consumidores de cupons na web, 55% tem 18 anos ou menos.

As pesquisas comprovam que 92% dos norte-americanos usaram cupons de desconto em 2013 - o que atesta a importância e a eficiência desta ferramenta promocional.

Nos EUA, 68% acreditam que os cupons de desconto fortalecem a marca do varejista.

Para 60% dos norte-americanos, comprar é uma ação competitiva e obter preço melhor do que os outros os faz sentir-se vencedores. Entre as mães, nos Estados Unidos, 78% buscam os seus cupons de desconto nos jornais - que geralmente os veiculam uma ou duas vezes por semana.

Se deixarem os cupons de descontos em casa, 40% dos consumidores norte-americanos saem das lojas sem comprar e 35% dos norte-americanos usam cupons de desconto 50 vezes por ano. Interessante: 83% fizeram uma compra não-planejada, só porque tinham cupons de desconto no momento.

Importante: 62% dos americanos estão preocupados em economizar em suas despesas domésticas.

De 2008 a 2011 a cuponagem teve um crescimento de 34,7%. Em 2012, cresceu 10,4%. Em 2013, cresceu 17%. Em 2012, menos de 2% dos cupons de desconto eram digitais. Em 2013, os cupons digitais representaram 2,3%. Mas a tendência é de crescimento vertiginoso no uso de cupons digitais, nos próximos anos.

E NO BRASIL

No Brasil houve um fracasso, numa tentativa realizada há cerca de 20 anos atrás, quando a inflação era galopante e os cupons da indústria levavam de 60 a 90 dias para serem compensado (em Câmaras de Compensação), reduzindo a pó o lucro dos varejistas que participaram da iniciativa.

Hoje em dia, o Brasil apresenta uma nova realidade de inflação corroendo os salários dos brasileiros, que não vêm sendo reajustados na proporção da inflação real (só na oficial, que sabemos, é bem distante da realidade que todos enfrentamos, menos os políticos de Brasília). E, lógico, há necessidade de economizar no orçamento familiar. Esta necessidade chega a ser gritante, tanto que o número de visitas aos supermercados, por exemplo, diminuiu, assim como reduziram-se as compras para uma lista do estritamente necessário, para a maioria das famílias.

Ao mesmo tempo, os jornais impressos (que são a principal e mais eficaz ferramenta para a distribuição dos cupons de desconto) enfrentam quedas em suas circulações e, por isso, de seus volumes de anúncios e de faturamento, promovendo dispensas de jornalistas e pessoal, sem saber como gerar novo incremento em suas receitas (corroídas nos últimos anos por terem colocado todo o conteúdo, ou quase todo, de graça, na internet - e alguns colocaram até seus classificados dominicais na web, o que acabou com as vendas em banca dos domingos, antes ótimas).

A solução que comprendo que é eficiente, no momento é a Cuponagem, os cupons de desconto como forma de colocar dinheiro adicional no bolso dos leitores/consumidores, assunto que venho discutindo com diversos jornais brasileiros, visando sua implantação como forma de criar novas receitas, beneficiando diretamente o público leitor - o qual, acreditem, cresce substancialmente com a cuponagem.

Morei nos Estados Unidos, numa pequena cidade de 15 mil habitantes chamada Adrian, em Michigan, onde nos dias de cuponagem a tiragem do Daily News crescia de para 30 mil exemplares (eram todos vendidos naqueles dias). Quase todos os jornais norte-americanos utilizam a ferramenta promocional dos cupons de desconto, até ícones como o The New York Times, o Washington Post e o Los Angeles Times;

Não há porque não funcionar no Brasil esta ferramenta promocional criada pela Coca-Cola em 1887, na Georgia, que trocava um cupom pelo então desconhecido refrigerante. Até 1913, um em cada nove norte-americanos havia um cupom para experimentar de graça a nova bebida, que se transformou na mais vendida no mundo todo.

No ano passado os americanos trocaram mais de 2,8 bilhões de cupons e 92% dos americanos, uma nação rica e quase sem inflação, usaram cupons de desconto.

Por que com os brasileiros seria diferente?

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