OPINIÃO
19/12/2014 19:28 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:03 -02

Algumas verdades sobre a propaganda de governo

É lamentável que o mercado brasileiro ainda tenha o governo federal (e dos estaduais mais os municipais) como seu maior anunciante, porque isso demonstra a fraqueza do nosso negócio, assim como demonstra a fraqueza da imensa maioria dos veículos e dos próprios anunciantes.

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A comunicação de governo é uma necessidade e um dever dos governantes, para bem informar a população sobre como se beneficiar das obras, como se prevenir de doenças, como se vacinar, como fazer documentos, como respeitar as leis do trânsito e tantas outras necessidades e tantos interesses que os cidadãos têm.

A comunicação de governo não deve, por outro lado, valorizar os governantes que, se foram bons, terão reconhecidos seus desempenhos como administradores públicos pela população beneficiada.

O que a comunicação de governo não pode é torrar quase 7 bilhões de reais num ano, como fez o governo de Dilma Rousseff, em 2013 (imaginem em 2014!) porque isso é moralmente injustificável num país com tantas necessidades e com tamanhas limitações de investimentos em infra-estrutura como o Brasil tem.

O que a comunicação de governo não pode é fazer a chamada mídia política, distribuindo dinheiro público - dos pagadores de impostos - a rádios e jornais do país todo, por exemplo, sem comprovação de eficiências da mídia comprada. Só em 2013, a Secretaria de Comunicação da Presidência da República gastou centenas de milhões de reais com 3.063 rádios e 2.779 jornais - quando sabemos que a mídia técnica de TV, revista, jornal e rádio compreenderia muito menos veículos. Jornais? No máximo uns 50, no país todo! Rádios? Umas 500 com muita boa vontade. Revistas? Umas 30 a 40. E TV? Bastas as 4 maiores redes, com investimentos proporcionais às suas audiências (o que é regra geral, para todas as mídias). Quem tem mais audiência recebe mais verba, simplesmente porque gera mais resultados.

O que não pode é o governante querer comprar a opinião e o noticiário com propaganda, em veículos menores e famintos por verbas, porque ou não tem mercado anunciante forte ou não tem competência para viver com seus anunciantes da iniciativa privada - como conseguem uma Rede Globo, uma Editora Abril, uma Folha de S.Paulo, um Estadão, só como exemplos.

A mídia não pode depender do governo, porque os políticos e governantes são perversos, interesseiros e corrompedores dos fracos e desesperados. Veículos honestos e competentes vivem da iniciativa privada e tem as contas de governo como um lucro adicional. Assim deveria ser, creio. Mas a voracidade de alguns donos de veículos não os deixa pensar assim e buscam mostrar poder aos governantes, para ganhar dinheiro - até com extorsões. Foi assim que surgiu o termo "imprensa marrom".

É lamentável que o mercado brasileiro ainda tenha o governo federal (e dos estaduais mais os municipais) como seu maior anunciante, porque isso demonstra a fraqueza do nosso negócio, como agências, assim como demonstra a fraqueza da imensa maioria dos veículos e dos próprios anunciantes - muito deles ainda tímidos e amadores em seu marketing.

Não é admissível que governos comprem opinião da mídia. Aliás, é isso que quer o Controle Social da Mídia, pelo qual o PT tanto insiste. Quer enfraquecer e desmembrar os grandes grupos de comunicação do Brasil, para reinar com todos os veículos enfraquecidos e dependendo das verbas e da boa-vontade dos governantes.

Quem criticar o governo ficará sem verba e fadado a perecer. É uma vergonha de estratégia bolivariana que dizimou grandes grupos de comunicação independentes na Venezuela e na Argentina.

Sem críticas ao que está errado, através da imprensa, teremos a mais nociva das ditaduras. O fim da democracia, com o fim da liberdade de expressão.

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