OPINIÃO
07/07/2014 09:56 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

O que Neymar pode ensinar a Tim Cook sobre branding

Derrubar o Status Quo. Exatamente esse é o propósito da Apple. E é o que ela não tem feito.

Quando eu fazia faculdade, alguns bons anos atrás (rs), costumava fazer uma série de analogias da complicada e repleta de alternativas vida de um pós-adolescente e recém-universitário e o universo de marotas mocinhas na mesma condição com os tenros conhecimentos de marketing que acabara de obter. E sempre justificava dizendo que "o marketing ensinava a vida".

Bom, os tempos mudaram, estou beirando os 30 anos, as mocinhas deixaram de ser marotas (ou não)... Mas as analogias continuam.

Perdemos o Neymar para o final da Copa do Mundo, vítima de um acidente de trabalho ao vivo para centenas de pessoas no mundo todo. Não vou entrar no mérito do "serviço" que o colombiano fez, mas logo que foi constatada a fratura na vértebra uma aura de pessimismo pairou sobre a mídia que cobre o escrete canarinho e o próprio elenco.

E é aí que entra o marketing. Para ser mais exato a questão de construção da marca, que chamamos de branding.

Mais do que o jogador mais habilidoso da sua geração, Neymar é a re-significação do DNA brasileiro no futebol. Ele traz à tona com sua jovialidade e criatividade a cada finta desconcertante e/ou gol sobre concorrentes o que víamos na nata histórica do esporte em tempos em que não havia tanta falta, anti-jogo, táticas e força físcia - ou seja, a habilidade individual tinha um peso ainda maior, mesmo num esporte de grupo. Não à toa o cara recebe seus R$ 3 milhões por mês em ações publicitárias + salários: veja a quantidades de empresas que o apoiam em relação a outros jogadores do elenco e o "professor" Scolari:

Destrinchando Neymar e a seleção brasileira como marcas, poderíamos identificar os seguintes pilares:

Propósito: O futebol faz parte da nossa cultura e convivemos com ele da maternidade até o enterro. Literalmente. Somos o país onde seus cidadãos nasceram para jogar futebol.

Missão: Apresentar ao mundo o espetáculo do futebol como líder deste "mercado". Parafraseando outro personagem nacional de magnitude ainda maior, Ayrton Senna: "O segundo lugar é sempre o primeiro perdedor."

Visão: Ser o país do futebol, o mais premiado, o mais venerado. Aquele que sempre proporciona os melhores jogadores e o melhor que o esporte pode oferecer.

Valores: Alegria tática, ousadia nos dribles e fintas, superação contra adversários difíceis, esperteza e jogo limpo.

Ok, já fizemos o exercício de identificação do DNA da marca Neymar e a seleção brasileira, que em termos de habilidade de representatividade é a referência. Mas o que o garoto mais famoso do país (e da Bruna Marquezine) pode ensinar sobre branding para Tim Cook - o CEO da Apple, uma das empresa de maior valor de mercado do planeta?

Simples: na manutenção da estrutura de marca e seu modus operandi frente a ausência de sua referência.

A Apple vive uma velada crise de confiança e portfólio de produtos depois do shut down da vida de Steve Jobs em 2011. Se a empresa de Cupetino nunca foi first mover de nenhum mercado, ela tem a habilidade de reinventá-lo e tomar a frente derrubando o status quo.

Derrubar o Status Quo. Exatamente esse é o propósito da Apple. E é o que ela não tem feito e deixado seus milhões de fãs em suspense a cada lançamento que tem atributos inspirado em concorrentes, como tablets e smartphones da Samsung, marketplaces da Amazon e sistemas operacionais do Google.

Jobs com sua verborragia e visão de design dava o tom na Apple e forçava a empresa a ir para a frente. Com Cook a Apple pelo menos nestes primeiros anos é uma empresa sólida, com marca forte e soluções que não tiram o fôlego - diferente do que vimos entre 1999 e 2010, do primeiro iMac ao iPad. Neymar não é o dono do futebol tupiniquim, mas é seu principal representante numa Copa do Mundo em casa. Mas sua passagem e final apoteótico, apesar de trágico, encravou nos demais colegas de time o sentimento de representatividade - De Júlio Cesar ao cone mais famoso das Laranjeiras (de alcunha Fred), todos irão com Neymar, sua ousadia e alegria, enfrentar a Alemanha com 4 anos a mais de habilidade tática e entrosamento.

Tim Cook não conseguiu até o momento imprimir na Apple o sentimento de fazer diferente e surpreender o mercado como Jobs o fazia - falta a ele justamente compreender melhor e dar à empresa que defende há quase 3 anos justamente o que o nosso futebol e seu principal representante, momentaneamente no estaleiro imprime a cada apito do juiz: ousadia e alegria de levar ao seu elenco o que deve ser o legado e razão de existir da Apple, seu modus operandi.

Em tempo: duvido que o Brasil não fará sua melhor atuação na Copa contra a Alemanha justamente por esta re-validação do que precisam representar e fazer com a ausência de Neymar. Duvido, entretanto, que só isso seja suficiente para ganhar da seleção mais entrosada do planeta. Porém tanto a Alemanha é freguês histórica do país como o cenário está perfeito para que novos personagens surjam como referências/lideranças da seleção - pode ser desde um cone a personagem de história em quadrinhos ou um par de pernas alegres. Se o Brasil vencer, será 3x, com gols de Fred (2) e Hulk.

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