OPINIÃO
17/10/2014 17:45 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

A futebolização política brasileira

O processo eleitoral e seus desdobramentos é um curso intensivo de construção de marca e estratégia de venda para conquistar o market share dos eleitores.

ASSOCIATED PRESS
Brazil's President Dilma Rousseff, presidential candidate for re-election of the Workers Party, PT, left, shakes hands with Aecio Neves, presidential candidate of the Brazilian Social Democracy Party, PSDB, at the end of a presidential debate in Sao Paulo, Brazil, Tuesday, Oct. 14, 2014. Rousseff and Neves will face each other in a presidential runoff on Oct. 26. (AP Photo/Andre Penner)

Vou começar o post de hoje dando um aviso aos meus correlatos, profissionais de comunicação e marketing: se não gostam de política, ou tem "nojinho" de eleições (tenho mais é planilha pra fazer, diriam meus colegas da Faria Lima), não sabem o que estão perdendo. O processo eleitoral e seus desdobramentos é um curso intensivo de construção de marca e estratégia de venda para conquistar o market share dos eleitores.

Então pare de responder "de acordo" ou "PSC" para o inbox do chefe e preste atenção aqui! ;-)

Eu sou um cara que pego bastante taxi pelo país, pela força da profissão. Como acredito que todo profissional de marketing deve ser um cara que tem de "sentir o pulso" do mercado e do público, sempre faço perguntas - e estes caras sempre estão rodeados de gente, então é um bom termômetro.

Ao sair da última reunião do dia a caminho de um jantar familiar, pergunto ao taxista se ele vai ver o Bate-Boca (convenhamos: a última coisa que vimos foi um debate) na Band entre Aécio e Dilma. Ele diz que vai, apesar de achar que estava chato acompanhar porque tudo virou como futebol.

Sabedoria de taxista: você pode não gostar, mas nunca subestimar.

Fui ao jantar e ao checar o Facebook vejo um pugilato virtual tão violento quanto o do time de vermelho enfrentando o time de azul no campo da telinta da Band. O que me faz pensar que o taxista tinha plena razão.

A real é, galera: não sabemos dialogar politicamente. Todos, sem exceção - desde você azul que rege pela meritocracia e contra a corrupção na Petrobras até você vermelho que vota pelo benefício que o país teve com Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e Mais Médicos. A partir do momento que não conseguimos lidar com as diferenças, não sabemos evoluir como nação, muito menos como indivíduos.

Mas ainda acho que este diálogo selvagem, que vem ceifando amizades e plantando muita notícia e dado fictício na rede tem um benefício: nunca discutimos tanto política no Brasil. E talvez se tudo que conseguimos em junho de 2013 foram R$ 0,20 (vide os resultados para Congresso e Senado), este é um legado interessante, ainda que torto, a comemorar.

(Em tempo: fico chocado, de verdade, com o quanto o pessoal se leva por blogs e portais de segundo e terceiro escalão notoriamente "comprados" por vermelhos e azuis. Tem até jornalista renomado, apresentador de televisão, se deixando levar sem o mínimo de apuração - coisa que obriga de forma exemplar à sua equipe. Uma lástima completa).

No mais, somente alguns pontos pessoais:

- Me assustou a postura da Dilma: linguagem corporal terrível, torta, fazendo caras e bocas, mordendo a boca... João Santana, cadê o media training da presidente, rapaz?

- Aécio no entanto parece um robô: claramente segue o que lhe é reportado. É bom isso? Depende, pois transmite menos emoção e intensidade - e brasileiro, além de votar com um bucho como disse um ex-presidente por aí, se preocupa com isso (senão Alckmin não teria o carinho apelido de "picolé de chuchu).

- Resultado do debate: empate - acreditem, vermelhos e azuis. Ninguém ganhou. Mas tem quem perdeu: nós, eleitores, que precisamos mais elementos de escolha e menos fábulas + leviandades. O ponto é que o debate pode favorecer alguém; vai depender dos resultados das próximas pesquisas: as denúncias da Petrobras justificam o resultado do Sensus (ampla vantagem do Aécio) ou a volta do horário político converge para o Vox Populi (empate com viés à Dilma)?

E antes que alguém pergunte meu voto: Vou de Aécio dia 26/10.

O motivo? Sou um profissional da gestão. E não me sinto confortável em "endossar" alguém que vai entregar o país em pior estado econômico que a gestão anterior - e não existe crise internacional que justifique este tema. Que foi ou incompetente ou negligente de deixar o dinheiro correr embaixo do petróleo da nossa maior empresa e comprometer a sua saúde financeira. Além do mais, acredito que fazer pelo social é botar a população para estudar, ralar, trabalhar e gerar sua própria riqueza, e não ficar a base somente de (bons) programas de transferência de renda. O Brasil precisa de um pai que ensine a pescar, e não de uma mãe que somente dê o peixe sacaram?

Agora se estou convicto que o time de azul transformará o Brasil num país campeão? Não. Quem vai fazer isso sou eu, que levantarei no meio da madrugada para pegar um vôo e atender um cliente a 1,5mil km antes do café da manhã. Sugiro que vocês me ajudem e façam o mesmo por vocês ;-)

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