OPINIÃO
15/09/2014 07:39 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Quem tem medo da Prova Brasil?

Quem não deve não teme: a Prova Brasil não é uma avaliação do MEC ou do Governo Federal. Portanto, deveriam se limitar a divulgar os resultados da prova - e deixar os especialistas, e imprensa e a sociedade analisarem os dados e suas implicações.

A divulgação dos resultados da Prova Brasil tornou-se um assunto político. Ganhou primeira página no jornal O Globo de 3 de setembro - um evento histórico. Bom que isso aconteça.

O pomo da discórdia é a demora do MEC em divulgar os resultados da Prova. As especulações giram em torno do eventual impacto dos resultados no processo eleitoral. A resposta do MEC é que não existem prazos fixos para divulgar os resultados e a desculpa apresentada é a de que o Governo ainda está analisando as contestações de 300 municípios. A razão para tanta desconfiança é a notícia de que os resultados foram repassados há 15 dias para a Casa Civil. E parece que lá ficaram.

Quem não deve não teme: a Prova Brasil não é uma avaliação do MEC ou do Governo Federal. Portanto, deveriam se limitar a divulgar os resultados da prova - e deixar os especialistas, e imprensa e a sociedade analisarem os dados e suas implicações. O problema é que acham que tudo podem e insistem em misturar tudo: são juízes, donos da bola, donos do time e donos do campo.

Nos últimos anos os resultados da Prova Brasil têm melhorado de maneira bastante consistente no país como um todo. Os ganhos foram maiores nas séries iniciais e menores nas séries finais. Eles ocorrem sobretudo nas classes B2 e acima - nas classes C1 e abaixo os ganhos têm sido mínimos. As diferenças regionais continuam, mas há altos e baixos em diferentes anos aplicações da Prova, isso é uma flutuação normal. A porcentagem de alunos de cada classe social que fazem o teste não tem variado muito desde 99.

Supondo que os testes sejam confiáveis, a expectativa normal é que continue essa melhora gradual. É raro haver grandes saltos nesse tipo de teste, mas é normal que haja pequenos avanços ou retrocessos entre uma ou outra aplicação. Explicações terão de ser sempre baseadas no contexto de cada UF - e elas dependem muito mais de circunstâncias locais do que do governo federal. Mesmo por que não existe nenhuma política ou iniciativa do MEC - nos últimos anos - que pudesse estar relacionada com melhoras significativas da educação. Mérito ou demérito, se houver, será das respectivas redes de ensino.

O INEP, responsável pelo teste, sempre mereceu a reputação de isenção de que goza até hoje. Há muito o que o Instituto possa fazer para aprimorar o seu trabalho em relação à qualidade dos testes, às notas técnicas, à calibração dos itens, à forma de divulgação dos dados, ao estabelecimento de datas para a divulgação dos dados e dos microdados. Mas até prova em contrário o órgão merece respeito e credibilidade. A interferência de outros interesses pode minar esse sólido capital. Realmente, não existe uma data e um compromisso para divulgar os dados da Prova Brasil. Deveria existir. A educação só terá a ganhar com isso.

A demora em divulgar os dados e o desencontro de informações coloca em risco um dos poucos avanços institucionais que tivemos nas duas últimas décadas.

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