OPINIÃO
22/06/2015 15:47 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

Quatro zagueiros e uma cautela desnecessária: o Brasil de Dunga sobrevive na Copa América

FRANCISCO LONGA/AGIF/ESTADÃO CONTEÚDO

Quem ligou a televisão atrasado, e assistiu, a partir dos seis minutos do segundo tempo, o restante de Brasil e Venezuela pela última rodada da fase de grupos da Copa América, saiu decepcionado, frustrado e, até mesmo, indignado.

O técnico Dunga, priorizando uma cautela desnecessária, tirou dois meias e colocou dois zagueiros, ambos improvisados. O desenho da equipe ficou assim:

Jefferson, Marquinhos (zagueiro), Thiago Silva (zagueiro), Miranda (zagueiro), Filipe Luís; David Luís (zagueiro) e Fernandinho; Daniel Alves, Willian, Elias; Diego Tardelli.

Ou seja, bagunçou todo o time, colocando remendos e mais remendos para segurar o dois a zero, placar do jogo até então. O que aconteceu? O time acuou e não havia mais meio-campo, ataque, e mal conseguiam segurar a posse de bola. Quando estavam com a redonda nos pés, havia um vazio gigantesco entre a zaga e ataque. O meio de campo foi, digamos, esfacelado pelas mudanças. O dois a zero virou dois a um, e quase tornou-se dois a dois. A chance de emplacarmos um terceiro, quarto gol inexistiu.

Colocar um zagueiro à esta altura da partida para "fechar a casinha" é quase palavra de ordem em muitos dos dicionários dos técnicos brasileiros. Aos 40' do segundo tempo, sofrendo uma pressão angustiante, para segurar o sofrido um a zero, tudo bem. Aos 22' e aos 30', com duas bolas na rede de vantagem, com o jogo nas mãos, classificado, não há necessidade - nem mesmo para "aumentar" a estatura dos jogadores, conforme explicou Dunga, posteriormente.

Dunga, de certa forma, encheu o copo de uma Venezuela sedenta por um mísero gol. O copo só não transbordou devido a incompetência dos adversários, e de Jefferson, também.

O segundo interminável tempo não pode apagar os bons 45 minutos iniciais. Bons, não brilhantes e muito menos incríveis. Willian assumiu um protagonismo inesperado e foi o destaque da companhia. Robinho, ao seu lado, deu conta do recado e formou com o meia do Chelsea uma boa dupla. Dupla que movimentou, tabelou e criou certo perigo à meta venezuelana. Fora isso, o sistema defensivo não foi exigido pela nulidade dos Vinotintos.

Mas ninguém vai lembrar do primeiro tempo. Lembraremos da ausência de Neymar e da preocupação extrema de Dunga ao jogar com quatro zagueiros trancafiando o time, e, claro, segurar um placar contra a modesta Venezuela. Para o Brasil, de Dunga, o placar está bem satisfatório. Para o Brasil, aquele que foi um dia o país do futebol, o placar é tão inexpressivo quanto o futebol apresentado.

VEJA TAMBÉM:

A trajetória de Dunga na Seleção Brasileira