OPINIÃO
07/04/2014 11:15 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:23 -02

8 coisas que você faz aos 20 anos que (surpreendentemente) o tornarão um bom pai ou mãe

Felizmente, aquelas noites mal dormidas que você passou -- quer fosse sendo estudante sério ou jovem doidão -- que sua mãe lhe disse que eram ruins para a saúde na realidade o treinaram para ser pai ou mãe capaz de passar a noite em claro e ainda estar quase humano no dia seguinte.

1.Passar a noite em claro.

Há 1 bilhão de razões por que pessoas de 20 e poucos anos muitas vezes passam a noite acordados. Uma lista incompleta:

- Estudando.

- Se beijando e agarrando há horas, porque vocês ainda não transaram e não têm certeza se já é hora de atravessar essa fronteira, então vocês ficam se agarrando até às 5 da manhã e então dizem "sabe de uma coisa, a gente devia ter transado e dormido".

- Transando de fato.

- Esperando sua colega de quarto voltar para casa, porque a bateria do seu celular acabou e você esqueceu a chave em algum lugar.

- Você não sabia que aquele Ecstasy que tomou o deixaria acordado por tanto tempo.

- Bebendo. Usando drogas. Sei lá.

Independentemente de você ser rato de livros, alguém que bebe até cair, pegador inveterado ou tudo isso junto, a fase dos 20 e tantos anos é uma época em que você tem energia de sobra e uma lista imensa de metas não cumpridas, durante uma janela de tempo em que é considerado perfeitamente aceitável ser obcecado por você mesmo da maneira saudável e boa que as pessoas são quando estão tentando construir uma vida para elas. Isso com frequência o leva a ficar acordado até altas horas ou varar a noite. Os bebês, nas primeiras semanas e nos primeiros meses de vida, seguem horários absurdos, como se fossem devoradores de ecstasy. Quer dizer que você provavelmente vai ter que dormir tarde. Felizmente, aquelas noites mal dormidas que você passou -- quer fosse sendo estudante sério ou jovem doidão -- que sua mãe lhe disse que eram ruins para a saúde na realidade o treinaram para ser pai ou mãe capaz de passar a noite em claro e ainda estar quase humano no dia seguinte.

2. Cuidar dos amigos.

Todo o mundo sabe que as pessoas geralmente têm três tipos de família na vida: a família com que nascem, aquela que criam com seus amigos e a família que criam com o parceiro romântico e possivelmente com filhos. Você cria a segunda família para reproduzir a segurança e o conforto da primeira, e a segunda família o ensina a ser generoso e amoroso em seus relacionamentos -- exatamente as qualidades necessárias com a terceira família. Naquelas noites que você ficou ouvindo sua melhor amiga chorar, porque terminou com o namorado, você aprende a ficar ao lado de alguém, dando apoio. Quando você faz isso sem dizer coisas tipo "não tem tanta importância assim" ou "bem que eu te falei que ele [ela] não valia nada", está aprendendo a ter empatia e deixar que pessoas que talvez tenham uma visão menos clara que a sua sintam o que estão sentindo, sem você as policiar ou passar sermões. E é isso o que tem que ser feito com filhos.

Seguramos o cabelo de nossas amigas quando estão vomitando, para que não suje. Quando nossos amigos estão doentes, levamos comida para eles e ficamos assistindo Netflix com eles. Os consolamos quando estão decepcionados. Damos apoio. Às vezes fazemos um carinho e às vezes damos bronca. Os empurramos para frente, mas não demais. Você vai se espantar quando perceber como seu relacionamento com seus filhos será semelhante. E, aliás, quando se der conta disso você também vai se dar conta de outra coisa crucial da arte de ser pai ou mãe: mesmo nos momentos de fraqueza deles, quando precisam de você, seus filhos têm muito a lhe ensinar. E eles cuidam de você tanto quanto você cuida deles.

3. Limpar vômito.

Cuidar do vômito do seu bebê vai exigir habilidades que datam do tempo em que o namorado de sua vizinha, que nem tinha sido convidado para sua festa, mas apareceu assim mesmo, comeu 12 gelatinas feitas com vodca em vez de água e pôs tudo para fora em cima do seu tapete.

4. Fazer consertos pequenos no seu apartamento.

Houve um período longo quando eu tinha 20 e poucos anos em que, se alguma coisa não estava perfeita no apartamento onde eu morava, eu não me demorava ali, tentando dar um jeito: simplesmente cancelava meu contrato de aluguel antes da hora e me mudava para outro lugar. Seria possível substituir a palavra "apartamento" nesse cenário por "relacionamento", e a mesma coisa se aplicaria. Mas então alguma coisa mudou, e eu parei de desistir das coisas. Se eu tinha tido um dia ruim no trabalho, não começava imediatamente a procurar outro emprego. Se um cano no meu apartamento estava vazando, eu não mandava um e-mail à imobiliária à procura de outro lugar para morar. Quando uma pessoa mostrava que tinha defeitos, como acontece com todo o mundo cedo ou tarde, eu não descartava a pessoa. Aprendi a me adaptar sem me sacrificar demais. Aprendi a cuidar de ferimentos, sem tentar forçar mudanças. Passei a aceitar e até a gostar das imperfeições e arestas. Com isso, comecei a enxergar todas as coisas infinitamente melhores que decorrem de se construir uma história em um lugar, ou com uma pessoa.

Quando você tem um filho, não pode desistir. Você não vai querer desistir, mas não pode, de qualquer jeito. E, quando você se dá conta disso -- quando percebe que você precisa ficar ali e amar essa pessoa nova, seja como for --, de repente aquelas escolhas pequenas de não desistir das coisas, de não ser tão rígida em relação à vida, às suas expectativas de como as coisas devem ser e como as pessoas devem agir, vão assumir um significado novo e imenso.

Essas são as pequenas escolhas que, no final, fazem com que você fique à vontade com a ideia de ter uma obrigação da qual não pode fugir. Deixam você com a capacidade de amar algo imperfeito -- porque os bebês são altamente imperfeitos, como seres humanos. Os ossos do crânio deles ainda não estão totalmente fechados. É um desastre. Mas a partir do momento que você está nessa, está nessa. Será melhor para vocês dois se esse relacionamento não for sua primeira tentativa de encarar uma relação compromissada. Geralmente pensamos em "aprender a ter uma relação compromissada" principalmente em termos de relacionamento romântico, mas isso é apenas Hollywood desviando nossa atenção do fato de que a vida é muito mais complexa que isso. Quando você pensar nisso, perceberá que passou anos aprendendo a ser compromissado.

5. Aprender a priorizar quando você tem coisas demais a fazer.

As pessoas de 20 e pouco e os pais já têm um estereótipo em comum: vivem superocupados. Nunca há tempo suficiente para fazer tudo que você quer fazer em um dia, Quando você está na casa dos 20 anos, tem aulas, amigos, trabalho, namoro, viagens, dormir quando dá tempo -- e nunca há tempo suficiente. Então você aprende a priorizar. Você decide o que é mais importante e investe sua energia nisso. Aprende a não se abalar tanto quando algumas coisas ficam sem ser feitas, porque, se o fizer, você vai acabar sem curtir a vida, e nesse caso qual teria sido o sentido, de qualquer jeito? Na casa dos 20 anos você sente pressão incrível para conquistar muito e em pouco tempo em termos profissionais, de vida social, de educação e de seu desenvolvimento pessoal como indivíduo incrível. Cuidar de filhos é algo que vem acompanhado de igual número de pressões falsas (aliás, isso não é novidade para ninguém) -- logo, é ótimo que você já esteja acostumado a dizer "que se dane tudo isso" e a decidir por conta própria o que é que tem importância de verdade.

6. Transar sem compromisso, em relações de curta duração.

Calma, não estranhe: o importante aqui é estar presente no momento e não se preocupar com o passado ou o futuro. É entregar-se à alegria incrível de algo que está acontecendo, sem precisar entender como isso faz parte de algum plano ou quadro maior. É valorizar experiências belas e únicas como sendo exatamente isso. É saber aceitar a natureza impalpável, impermanente de muitas coisas e ser capaz de abrir mão delas, mesmo que tenham sido maravilhosas. Os bebês crescem, e numa velocidade irrigante. Para ser pai ou mãe é fundamental aprender a curtir o momento, sem ficar excessivamente apegado a ele. Sabe como fica estressante e desagradável quando você tenta forçar alguém com quem teve uma aventura de uma noite só a converter aquilo em algo que obviamente não deve ser? Sabe como alguns pais não sabem lidar com o fato de seus filhos estarem crescendo, então tentam forçá-los a continuar crianças e dependentes? Eu já senti as duas coisas e posso garantir: elas nascem basicamente da mesma incapacidade de aceitar a natureza mutável das coisas. Se você aprende a ter aventuras sexuais de uma noite só com uma atitude positiva, é bem provável que use essa mesma atitude quando tiver filhos. E seus filhos o agradecerão por isso. Mas talvez não o agradeçam por ter transado com várias mulheres aleatórias. Talvez seja melhor não contar a eles como foi que você aprendeu a pegar leve.

7. Pedir dinheiro a seus pais.

Eu me nego a aceitar o estereótipo em grande medida falso segundo o qual os jovens de 20 e poucos anos dependem constantemente de seus pais para ter dinheiro. A maioria enorme das pessoas que conheço não faz isso, e, francamente, quem foi que imaginou um mundo maravilhoso em que nossos pais realmente têm dinheiro para nos dar? Agora, sejamos realistas --muitos de nós temos momentos ocasionais em que a vida nos obriga a pedir ajuda à Mamãe. Parece ilógico pensar que pedir ajuda a seus pais lhe ensina algo de crucial sobre ser pai ou mãe, você mesmo, mas é verdade.

Vejam a justificativa, crianças: é que você aprende a pedir ajuda quando precisa dela. Em algum momento, não obstante todos seus esforços, você não vai conseguir se virar totalmente sozinho: terá um pneu furado e precisará de uma carona, ficará doente e precisará que alguém lhe traga comida porque você fica literalmente incapaz de fazer comida você mesmo, será demitido repentinamente e precisará de uma forcinha para pagar o aluguel. Seja de que modo for, todo o mundo (mesmo que não tenha 20 e poucos anos) precisa pedir ajuda a outros de vez em quando. Isso não enfraquece você -- o amadurece e lhe dá segurança suficiente para saber que reunir à sua volta pessoas bacanas e em quem você confia é uma conquista até maior do que fazer tudo sozinho. Quando você tem filhos, saber quando pedir ajuda ou aceitar a oferta de ajuda de outra pessoa pode significar a diferença entre sua vida e a de seus filhos transcorrer tranquilamente ou tudo virar um caos. Ser pai ou mãe bom implica em superar suas dificuldades -- sua teimosia, seu ego, etc. -- suficientemente para fazer o que precisar ser feito para que as pessoas importantes em sua vida (incluindo você mesmo e seus filhos) sejam bem cuidados, fisicamente, emocionalmente e de todas as maneiras. Isso muitas vezes quer dizer saber pedir ajuda sem achar que isso indica que você é um fracassado. E essa é uma habilidade de vida importantíssima para quem tem 20 e poucos anos.

8. Fazer comida saudável com pouco dinheiro, esforço e habilidade em cozinhar.

Podemos todos concordar que o primeiro momento na vida de todo o mundo em que a pessoa sente que está ficando adulta acontece no início da casa dos 20 anos, quando você vem tendo uma alimentação totalmente não saudável há muito tempo e você finalmente percebe que está se sentindo péssimo por causa disso? Por exemplo, você sente os efeitos físicos de não estar nutrindo seu corpo com verduras. As noções infantis sobre poder sobreviver à base de tortinhas e pipoca evaporam a luz do declínio iminente de seu corpo, em acelerado processo de envelhecimento. Então você resolve começar a comer comida de verdade, mas da maneira mais preguiçosa possível, e gastando o mínimo imaginável de dinheiro. Quem tem 20 e poucos anos é hábil em conseguir uma alimentação razoavelmente sadia a partir de pouco dinheiro e habilidade culinária mínima. Passamos nossa vida anterior mimados e alimentados com refeições que nós mesmos não precisávamos pagar ou preparar, e agora que estamos lá fora no mundo cruel, achamos que estamos ficando com úlceras e é um horror, porque temos apenas 21 anos, mas não faz mal, vamos descobrir um jeito de não morrer de desnutrição.

O ideal é que quando você introduzir filhos em sua vida sua situação já não esteja tão precária assim. Mas quando você estiver cansado de ser ótimo ao longo do seu dia longo sendo ótimo o tempo todo, ou seus filhos estiverem devorando uma quantidade inusitada de comidinhas orgânicas caras, ou você estiver se sentindo doente e começar a pensar que, se não alimentar as crianças logo, elas vão começar a devorá-lo -- então você verá que aqueles truques que aprendeu quando era jovem e tinha pouco dinheiro ainda funcionam perfeitamente.

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