OPINIÃO
11/03/2014 10:54 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:12 -02

O rugby brasileiro vem aí, olê olê olá

Considerado violento e complicado demais no país em que o futebol é o maior modelo desportivo, o rugby vem crescendo no Brasil e chamando muita atenção.

Divulgação

Nunca antes na história deste país o rugby foi tão grandioso. A frase começa prometendo fazer graça, é ousada, mas procede. A prova: o Brasil sediou, nos dias 21 e 22 de fevereiro, uma etapa do Women's Sevens World Series, o circuito mundial feminino de Sevens (categoria com sete jogares). As 12 melhores equipes do mundo se chocaram na Arena Barueri, no Estado de São Paulo, uma arena multiuso moderna que virou o grande palco do rugby brasileiro. Na semana retrasada, o jornalista esportivo Breno Barros escreveu sobre esse crescimento, mais um atestado de que o esporte está chamando a atenção de muita gente no Brasil.

As nossas Tupis (alcunha escolhida para as seleções nacionais) jogaram bem, mas pegaram um grupo muito difícil e terminaram a etapa no décimo lugar. Mas isso está longe de ser um resultado ruim, já que elas competem com as maiores seleções do mundo, como Austrália e Nova Zelândia. Você sabia que as brasileiras fazem parte da elite mundial? E que elas são nove vezes campeãs sulamericanas, tendo ganhado todas as edições disputadas até hoje? E que a seleção masculina realiza um trabalho sério, está entre as quatro potências sulamericanas e, em 2012, pulou 18 posições e ocupou a 27ª posição no ranking da International Rugby Board (hoje ocupa o 38º lugar)?

O futebol ainda domina o noticiário, mas é cada vez maior o número de reportagens (como esta que apresenta a seleção feminina) e transmissões de TV sobre o rugby. A SporTV transmite jogos do campeonato brasileiro masculino de XV (com 15 jogadores) desde 2011 - com audiência estimada de 1 milhão de espectadores. A ESPN Brasil é pioneira e passa jogos internacionais há anos.

Apesar de ter chegado por aqui ainda no século 19, apenas nos anos 2000 o rugby começou realmente a crescer em popularidade e número de jogadores. Mas ainda era um desconhecido, considerado violento e complicado demais no país em que o futebol é o maior modelo desportivo. E foi em 2009, com o anúncio do Comitê Olímpico Internacional de que esporte voltaria a figurar como modalidade olímpica na Rio 2016, depois de mais 90 anos fora da competição, que essa locomotiva acelerou.

Com a mesma força, intensidade e dinamismo do jogo, uma nova equipe aproveitou o momento para jogar o esporte em um estado de inércia empolgante. Em 2010, uma equipe de ex-jogadores profissionalizou a administração, formalizou o rugby junto ao Ministério do Esporte passou a receber incentivos federais. Eles saíram à caça de patrocínios e logo Heineken e Alpargatas (dona da marca Topper), que já bancam o esporte em outros países, toparam a aposta. E acertaram.

Alguns números e fatos do rugby brasileiro desde 2010:

  • Subiu de três para 17 os patrocinadores das seleções nacionais. O orçamento anual da CBRu pulou de 30 mil para (estimados) 17 milhões de Reais - o mesmo do handebol, que levou 30 anos para chegar a esse patamar
  • Uma equipe técnica neozelandesa (os melhores rugbiers do mundo) do Crusaders, clube mais vitorioso do hemisfério sul, foi contratada para treinar as seleções até 2017
  • A CBRu hoje investe R 6 mil mensais em cada jogador da seleção
  • Aumento de 70 para 115 clubes federados, em 23 estados do Brasil, com estimados 30 mil praticantes (federados ou não)
  • A International Rugby Board (IRB), entidade que controla o esporte no mundo, considera o Brasil país-chave para o desenvolvimento do esporte

Em entrevista à revista Exame, o diretor executivo de esportes do Comitê Olímpico Brasileiro, Marcus Vinicius Freire, cravou: "Nenhuma outra confederação teve ascensão tão fulminante no Brasil". Não é à toa que andam dizendo que o rugby é o esporte que mais cresce no país. Quem quiser ler mais sobre os planos da confederação pode ir ao site: brasilrugby.com.br

A visão estratégica da CBRu é ousada: em poucos anos, transformar nossas seleções na segunda potência do continente americano e fazer parte das melhores seleções do mundo. A realização da etapa do mundial em Barueri é, mais do que um incentivo, a chancela de que sim, nós temos rugby.