OPINIÃO
12/08/2014 18:28 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Veja o que aconteceu quando concordei em experimentar a masturbação em grupo

Eu me senti imbuída de uma energia que meu corpo reconheceu como algo pelo qual eu estava desesperadamente faminta. Uma energia sexual que poderia mudar o mundo se fosse canalizada.

Carmen Moreno Photography via Getty Images

ATENÇÃO: este post contém linguagem sexual explícita. Por favor leia sob seu próprio risco.

"Jenny! Eu deveria recebê-la na porta nua!", disse a mulher maravilhosa à minha frente antes de atirar os braços ao meu redor. Ela estava quase nua, com um vestido regata branco fino que mal cobria seu traseiro. "Sou Carlin", disse ela.

Carlin Ross é a sócia da conhecida educadora sexual Betty Dodson. Esta, é claro, é a autora do livro loucamente campeão de vendas "Sex for One" (Sexo para um), e a consumada guru do orgasmo e da masturbação desde os anos 1970. Você poderia chamá-la de mãe fundadora da liberação sexual das mulheres. Eu chamaria, sem dúvida.

"Vamos, tire sua roupa", disse Carlin, como se fosse a coisa mais normal do mundo. E é, quando você está lá para uma das famosas oficinas "BodySex" de Betty. Eu a acompanhei até o vestíbulo na entrada do apartamento de Betty na Madison Avenue, em Nova York. Retirei minhas calças de moletom e a camiseta, enquanto ela tirava a regata.

Enquanto Carlin cumprimentava outras participantes que chegavam, fui para a sala principal, onde havia assentos para meditação (back jacks) montados em círculo, cada qual com uma toalha por cima, uma almofada atrás e uma bandeja do lado, com uma caixa de Kleenex, um copo de água, um vidro de óleo de amêndoas, um "Halteres Vaginal Dodson" e um vibrador "varinha mágica".

Enquanto eu tentava decidir onde me sentaria, ouvi alguém dizer: "Jenny! Você é Jenny Block. Nós nos conhecemos". Entrei em pânico por um minuto. E se fosse a mãe de alguma colega de minha filha? E se não gostássemos uma da outra? E se...

"Eu estive no lançamento do seu livro em San Francisco. Do 'Open'. Na Good Vibrations", disse ela.

"Oh!", disse eu, incrivelmente aliviada. Ela me abraçou, e levei um minuto para me lembrar de que eu não estava vestida. Já me parecia perfeitamente razoável estar nua com estranhas.

Outras mulheres encheram a sala e todas começamos a nos sentar. É um teste interessante decidir como se sentar nua em uma sala cheia de estranhos. Com as pernas estendidas? Em forma de rosca? Com um joelho levantado? Antes que eu conseguisse decidir, Betty entrou na sala.

Fiquei espantada. Oitenta e cinco anos e ela entrou nua como todas nós e se instalou em seu back jack como se aquele cenário fosse a coisa mais comum do mundo, o que para ela era mesmo. Apesar de ter tirado uma folga recentemente, Betty começou a dar essas oficinas nos anos 1970.

Betty nos deu as boas vindas e começou a compartilhar sua filosofia sobre sexo, orgasmos, vulvas (não vaginas) e corpos. Nota: o que vemos externamente é a vulva. A vagina é o canal interno. Ponto.

Começamos percorrendo o círculo, falando sobre o que sentíamos sobre nossos corpos e nossos orgasmos, depois passamos para alguns exercícios de respiração.

Depois de algumas horas fizemos uma pequena pausa, e então chegou a hora. A hora das revelações genitais. Não precisa reler isso. Eu disse exatamente o que você pensou que eu disse.

Talvez tenha sido um dos momentos mais profundos da minha vida. Como tantos outros momentos durante a oficina, me senti tribal e antiga, como se estivéssemos reunidas na tenda vermelha para recebermos a sabedoria de nossa irmã mais velha.

Ao mesmo tempo, eu simplesmente não conseguia parar de sorrir para mim mesma e pensar em como aquilo era maluco, todas nós nuas e espiando entre as pernas daquela famosa octogenária.

Betty foi primeiro, e então uma a uma nos sentamos ao seu lado e abrimos as pernas e espiamos no espelho com Betty e admiramos nossas xoxotas. Betty apontava certas características e "estilizava" cada uma de nós para uma foto.

Eu tenho uma xota de donut, foi o que ela me disse quando eu me sentei com os joelhos bem abertos e os lábios da vulva escancarados. Um donut porque tenho lábios externos cheios, que delineiam os lábios internos.

"Seu desenho é perfeito", disse ela. Tenho certeza de que enrubesci. Uma xota perfeita, segundo Betty Dodson ("A Dodson", como Carlin a chama afetuosamente, e como também passamos a chamá-la). "Uma xota pós-moderna", continuou ela. Eu não pude deixar de sorrir. "E que tal um nome?", ela perguntou. "Você tem um nome para a sua xota?"

"Não", respondi.

"Bolinho de creme", disse ela.

E, de algum modo, uma coisa que parecia totalmente impossível apenas um momento atrás terminou e a Dodson seguiu para sua próxima revisão de xoxota. Eu me senti feliz, segura e, sim, validada e mais poderosa. Ter outras mulheres olhando para você, realmente olhando para você, é uma experiência poderosa.

No dia seguinte nós nos despimos e fizemos o círculo sem pausa.

"Brincar é a coisa mais importante quando você é criança", explicou Betty. "Você não brinca o suficiente depois de adulta."

Então, sem mais delongas, Carlin, que Betty chama afetuosamente de sua "boceta substituta", demonstra o método "rock and roll" de masturbação, enquanto Betty dirige e comenta. O método inclui massagem vulvar, balanço pélvico, respiração enfocada, um vibrador para o clitóris e - o mais importante, para mim - lenta penetração com o Halteres Vaginal (barbell) de Betty.

"O corpo sabe muito mais que sua cabeça", explicou Betty. "Confie em seu corpo. Nossas cabeças são monstros."

Depois da demonstração e de outro exercício curto, estava na hora do evento principal.

Até aquele momento nós ficamos em um círculo no centro da sala, segurando as "varinhas mágicas" em nossas xotas enquanto Betty nos dirigia: "Mais pélvis; foda para a frente". Eu não tinha certeza se poderia fazer isso.

Mas de repente parecia, em partes iguais, impossível e ridículo me negar. Como eu poderia, quando estaria literalmente sentada aos pés da mestra?

Então peguei minha toalha. E segui os passos. E com o passar do tempo comecei a ouvir algumas outras mulheres na sala gozando.

Uma delas era Betty. Mais tarde vim a descobrir que é bastante raro Betty gozar em uma oficina, e que fazia duas semanas que ela não se masturbava. Fiquei emocionada por fazer parte do grupo que a inspirou.

Eu adiei cada orgasmo que eu sentia se aproximar até que meu cérebro começou a interromper. Estaria tendo ansiedade de apresentação? A garota que escrevia um livro sobre orgasmo feminino seria incapaz de ter um nesse ambiente supercarregado? Eu teria passado do ponto sem retorno?

Levantei a mão quando vi Betty se levantar, como me haviam ensinado caso precisasse de ajuda. Imaginei que ela me passaria a varinha mágica de alta potência e que esta resolveria. Mas não: Betty Dodson, A Dodson, me fodeu até o orgasmo.

Ela se sentou ao meu lado, colocou a mão sobre meu peito e começou a mover o halteres vaginal para dentro e para fora de minha xota. Imediatamente as sensações surgiram. Ela me disse para balançar a pélvis, continuar respirando, seguir o embalo.

Ela colocou o punho contra meu períneo. Olhou firmemente para mim. Sorriu e me incentivou, e as lágrimas começaram a brotar como acontece às vezes pouco antes, durante e/ou depois de um orgasmo incrível. Ela me impediu de arquear demais as costas e bloquear o poder do orgasmo, como tendo a fazer.

Então aconteceu.

Betty ficou comigo o tempo todo, e eu despenquei depois de não sei quantos pequenos orgasmos e então um gran finale para terminar.

"Obrigada", consegui dizer.

"Boa garota", disse ela, afagando meu peito.

Eu me senti poderosa e ótima, como se me tivessem dado o maior presente, sem um pingo de culpa ou vergonha.

A oficina terminou com as mulheres divididas em dois grupos e realizando uma massagem coletiva em cada participante.

Eu me senti imbuída de uma energia que meu corpo reconheceu como algo pelo qual eu estava desesperadamente faminta. Uma energia sexual que poderia mudar o mundo se fosse canalizada. Me senti tão feliz por ter tido aquela experiência incrível com aquelas mulheres realmente incríveis.

Fui à oficina porque estou pesquisando o orgasmo feminino para meu novo livro. Saí dela sentindo que havia aprendido o verdadeiro segredo do empoderamento feminino: sermos donas de nossos orgasmos.

E sim, eu tive orgasmos em série, maravilhosos. Betty Dodson pode ter 85 anos, mas ela tem razão. Ela tem técnicas. "Dê-me qualquer mulher, de qualquer idade, que a farei gozar", disse-nos Betty no início da oficina. Realmente!

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