OPINIÃO
30/07/2018 12:25 -03 | Atualizado 30/07/2018 15:45 -03

Flip 2018 : Os livros que os autores convidados levariam para uma ilha deserta

16ª edição do evento literário mais tradicional do País foi encerrada neste domingo (29).

Montagem/Divulgação
Romance 'O Menino Negro' e conto 'A Dama do Cachorrinho' estão entre as obras listadas.

Como já acontece tradicionalmente, a Flip encerrou sua 16º edição neste domingo (29) com uma mesa sobre os livros que alguns dos principais convidados levariam para uma ilha deserta.

Liz Calder, idealizadora da Festa, reuniu sete autores, incluindo dois brasileiros: Djamila Ribeiro e Geovanni Martins. Participaram também o congolês Alain Mabanckou, a franco-marroquina Leïla Slimani, a portuguesa Isabella Figueiredo, a argentina Selva Amada e o inglês Simon Sebag Montefiore.

Walter Craveiro

Confira abaixo as dicas de leitura de cada um deles:

Dama do Cachorrinho e O Medo (Anton Tchékhov)

Nascido no fim do século 19 e conhecido por suas peças de teatro e contos, o russo Anton Tchékhov está em alta.

Segundo Simon Montefiore, Paraty é ideal para amantes do escritor. Ele escolheu o conto A Dama e o Cachorrinho e Leïla Slimani, O Medo. Leïla disse que - se Tchékhov e ela não tivessem sido separados pelo tempo e pelo espaço - tem certeza de que seria o homem da sua vida.

Montefiore e Slimani protagonizaram algumas das melhores mesas desta edição da Flip, O Poder na Alcova e O Interdito.

O escritor inglês está lançando aqui, pela Companhia das Letras, Catarina A Grande e Potemkin, considerado pelo autor seu melhor livro. Ele estará nesta terça (31) na Travessa Leblon, no Rio de Janeiro, em evento a partir das 19h.

Slimani, que acabou de lançar Canção de Ninar, Prêmio Goncourt 2016, tem seu No Jardim no Ogro previsto para o ano que vem, pelo selo Tusquets, da Editora Planeta. A editora planeja um bate-papo com a autora para esta segunda, às 19h, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.

O Menino Negro (Camara Laye)

Considerado o Beckett do continente africano, Alain Mabanckou escolheu o livro O Menino Negro, de Camara Laye, tido como o texto-base da literatura africana.

Meditação Sobre Meditação (Adilia Lopes)

Bem-humorada, a escritora portuguesa Isabella Figueiredo, autora de A Gorda, fez um pedido: "Leiam Adilia Lopes". Da também portuguesa, ela selecionou e leu alguns poemas, como este aqui:

"Para foder, nestes tempos que correm, parece que é preciso um escafandro. As pessoas pensam muito em foder. E sofrem muito quando não fodem. Quem não pensa em foder está fodido. Mas as pessoas fodem e não são felizes."

Janeiro (Sara Gallardo)

Selva Amada, autora de Garotas Mortas, publicado no Brasil pela Todavia, selecionou o livro Janeiro, de Sara Gallardo. Em 2018, completou-se 30 anos desde a morte da também escritora argentina, e o livro, sobre violência de gênero e aborto, acaba de ser reeditado na Argentina.

Mundo Grande (Carlos Drummond de Andrade)

"Este é o poema que eu levaria dentro do livro, mas não o livro que eu levaria", disse Geovanni Martins antes de ler Mundo Grande de Carlos Drummond de Andrade.

No sábado (28), o escritor participou de mesa Atravessar o Sol ao lado do vencedor do Pullitzer, Colson Whitehead. Ele participa de evento hoje (30) na Travessa Leblon, no Rio, ao lado de Djamila Ribeiro.

Eu Sei Por Que o Pássaro Canta na Gaiola (Maya Angelou)

Djamila Ribeiro escolheu Eu Sei Por Que o Pássaro Canta na Gaiola, livro de memórias da poeta e ativista social americana Maya Angelou, que será relançado no Brasil e para o qual ela escreveu o prefácio.

A filósofa e ativista negra estará nesta segunda (30) em evento com Geovanni Martins na Travessa Leblon, no Rio de Janeiro, às 19h.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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