OPINIÃO
06/08/2018 18:01 -03 | Atualizado Há 11 horas

15 perguntas para Simon Sebag Montefiore, biógrafo de Stálin

Escritor esteve no Brasil na semana passada para lançar na Flip 2018 o livro 'Catarina A Grande e Potemkin'.

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Simon Sebag Montefiore é aquele escritor que você leva para tomar uma cachaça.

Biógrafo dos Románov e de Stalin, ele esteve no Brasil na semana passada para lançar Catarina A Grande e Potemkin na 16ª Festa Literária Internacional de Paraty. Em sua mesa, O Poder na Alcova, comemorou o fato de estar no Brasil abrindo uma garrafa da cachaça de Maria Izabel e servindo um shot para ele e para os colegas presentes.

Montefiore é um escritor prolífico. Além de historiador e autor dos livros Os Romanóv, Jerusalém: A Biografia, O Jovem Stálin, Stálin e o recém-lançado Catarina A Grande e Potemkin, todos publicados no Brasil pela Companhia das Letras, escreve livros infantis ao lado da esposa, Santa Montefiore, e tem uma trilogia moscovita, Sashenka, Red Sky at Noon e One Night in Winter, que deve ser lançada no Brasil em breve.

Ele inclusive disse preferir ficção a não-ficção. "Me considero um contador de histórias. É mais difícil escrever livros que qualquer pessoa pode ler. Pessoalmente, gosto ainda mais de escrever romances, porque são sobre amor, adultério, família e todos esses grandes temas".

O escritor respondeu a 15 perguntas pontuais via e-mail, já da Inglaterra.

1. Um livro

Em Busca do Tempo Perdido*, de Marcel Proust. Na Universidade, achava que Proust seria extremamente complexo, inacessível. Comecei a ler e vi que na verdade era emocionante, inteligente, cheio de vida, humano. Adorei cada página, cada personagem. Sem falar na elegância da escrita, com frases longas e ainda assim impecáveis. O único romance moderno a se aproximar desse feito, na minha opinião, é O Pintassilgo, de Donna Tart (Prêmio Pulitzer de Ficção 2014). Ambos são obras-primas sobre tempo, amor e sombras, e a ascensão e queda de personagens.

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Obra-prima do escritor francês Marcel Proust, os setes volumes que compõem Em Busca do Tempo Perdido foram publicados entre 1913 e 1927 e trazem algumas imagens icônicas da literatura, como as madeleines com chá no café-da-manhã do narrador.

2. Uma biografia

Talleyrand, de Duff Cooper. Duff Cooper era um político inglês que fazia parte do gabinete de Winston Churchill. Mulherengo notório, era também um excelente romancista e historiador. Sua biografia do estadista francês Talleyrand é tão elegante e precisa, que foi um dos livros que me fizeram amar história e querer me tornar escritor. Talleyrand era corrupto, muitas vezes amoral. Mas também um homem de princípios em relações internacionais, brilhantemente sagaz.

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Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord nasceu em 1754 em Paris e morreu em 1838 na mesma cidade.

3. Um livro autoral

One Night in Winter (Uma Noite no Inverno), que deve sair pela Companhia das Letras em breve.

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Meu favorito entre os romances que escrevi, começa com a morte de duas crianças na Moscou de 1945. Para encontrar o assassino, Stalin prende 60 crianças numa caça às bruxas escalonável, e a investigação revela o caso de amor entre os pais das crianças. Estou muito feliz que a minha Trilogia de Moscou vai ser publicada no Brasil, primeiro com Sashenka e Uma Noite no Inverno. Deve virar série de TV em breve.

4. Um escritor

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Retrato do escritor francês Guy de Maupassant (1850-1893).

Guy de Maupassant ou Isaac Mabel. Maupassant era o mestre do conto. Seu romance Bel-Ami o transformou numa celebridade internacional mas, aos 40 anos, ele descobriu que tinha sífilis e, aos 43, morreu louco. Adorava suas histórias na adolescência. Eram cruéis e divertidas, selvagens e sensuais. Babel escreveu na Rússia soviética dos anos 20 e 30, também escreveu contos brilhantes e indisciplinados sobre a cavalaria vermelha. Ele inspirou o herói da minha trilogia moscovita.

5. Um drinque

Cachaça, claro. Foi minha primeira viagem ao Brasil e eu simplesmente amei a caipirinha. De vez em quando, gosto de um shot de cachaça e comprei duas garrafas de versão local, que estou bebendo nesse momento, na Inglaterra.

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6. Um momento histórico

wastesoul

A vitória sobre Hitler. Foi o momento decisivo que criou o mundo que conhecemos hoje. Foi também o mais claro triunfo do bem sobre o mal.

7. Uma figura histórica

Simão Barcoquebas (ou Simon Bar Kokhba). Foi o líder judeu que comandou a revolta contra o império romano de Adriano entre os anos 132 e 135. Escrevi sobre ele em meu livro: Jerusalém: A Biografia.

8. Uma figura política

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Winston Churchill. O maior britânico da história. Mas um britânico judeu, já que salvou nossas vidas ao impedir a rendição britânica em 1940, quando muitos outros teriam negociado com Hitler.

9. Alguém que gostaria de ter conhecido

Catarina (A Grande) e Potemkin. Talvez os mais extraordinários líderes em toda a história da Rússia e a mais bem-sucedida parceria entre estadistas homem e mulher. Suas cartas de amor são ao mesmo tempo românticas e extremamente políticas. Um dupla e tanto. Escrevi a biografia dos dois, recém-lançada no Brasil.

10. Uma biblioteca

A Biblioteca do Estado Russo, em Moscou. Trabalhei lá muitas vezes e a heroína do meu romance Sashenka também trabalha lá. Gosto de todos as bibliotecas e livrarias - são lugares de mistério e romance.

11. Um país

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Geórgia. A pequena nação na Cordilheira do Cáucaso é muito bonita e antiga. Adoro visitar, e sempre passo muito tempo lá. Especialmente nos anos 90, quando estava escrevendo sobre a queda da União Soviética e as guerras e golpes da época. Me considero um georgiano honorário e quero voltar em breve. Stalin era georgiano.

12. Ficção ou não ficção?

Ficção. Escrevo os dois e gosto de ler ambos. Escrevo para qualquer pessoa, não para acadêmicos. [Montefiore disse durante a mesa em Paraty que sempre entrega seus manuscritos para a mãe de 92 anos ler. Às vezes ela devolve dizendo que ninguém vai entender nada]. Mas acho que prefiro grandes romances mais do que qualquer outra coisa.

13. Algo de Paraty

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Comer moqueca de peixe e tomar alguns shots de cachaça com meus editores no restaurante Banana da Terra. A comida brasileira é deliciosa!

14. Uma mulher

Frida Kahlo. Acabo de voltar do México, onde visitei a sua casa. Ela sofreu tanto, quase morreu de pólio, depois sofreu o acidente. Era uma mulher muito original. Gosto de suas pinturas, tão ricas e vívidas, cheias da cultura, comida e história mexicanas. Mas era uma pensadora, com amantes homens e mulheres, indo de Trotsky a Josephine Baker. Estou terminando de escrever um livro com as minhas cartas favoritas, e incluí muitas trocadas entre ela e o marido Diego Riviera. São apaixonadas.

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15.Uma grande descoberta

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Penicilina. Uma das descobertas médicas que mudaram o curso da vida humana porque as pessoas já não morriam com tanta frequência de infecções que tinham matado milhares no passado. Meu tio Gabriel, médico na Segunda Guerra Mundial, viu quando a penicilina foi usada pela primeira vez em soldados feridos com infecções e como salvou suas vidas. "Como um milagre", ele me disse.

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