OPINIÃO
16/07/2015 17:57 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Esta é cara real da amizade depois de você ter um bebê

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Todas nós temos aquela amiga. Você sabe quem é - aquela amiga que passou por tudo com você. A amiga que viu você em seus piores momentos e continuou a gostar de você, mesmo assim. Ela ajudou você a superar separações sofridas, segurou seu cabelo quando você vomitava depois de tomar cinco coquetéis a mais e riu com você sobre isso no dia seguinte. Ela sempre a incentivou a ser a melhor pessoa possível.

Ela lhe deu parabéns por seu primeiro emprego "de verdade", depois de vocês duas terem ganho dinheiro como garçonetes enquanto faziam faculdade, e esteve do outro lado do telefone, dando um sorriso rasgado, quando você lhe contou que tinha quase certeza de ter encontrado o homem de sua vida. Ela é aquela amiga para todas as horas.

As amigas da vida toda sabem mais sobre você do que você sequer quer admitir. São pessoas com quem você brigou, riu e chorou. Elas estiveram ao seu lado em todos os grandes momentos da sua vida, e, embora a vida mude constantemente, não deve haver transformação maior que o nascimento de seu primeiro filho. Se você tiver uma amiga que lhe diz que ter um filho não vai mudar as coisas, talvez seja boa ideia procurar outra amiga. Ter um filho muda tudo. T-U-D-O.

Sei disso porque eu era aquela pessoa que pensava que ter um bebê não ia mudar minhas amizades de nenhuma maneira. Mas saiba de uma coisa, ter um bebê muda suas amizades, sim. Algumas se fortalecem e outras se enfraquecem. Algumas amizades ficam tão fracas que você acaba perdendo-as para sempre.

Outras ficam tão fortes que você percebe que vão durar por toda a vida.

Minhas fantasias sobre como seria trazer meu primeiro bebê para casa eram apenas isso - fantasias! Eu não fazia ideia de como seriam difíceis aquelas primeiras semanas. Havia as noites sem dormir, os mamilos rachados e doloridos, a incapacidade de fazer xixi sem sentir vontade de chorar, as noites sem dormir - eu já falei das noites sem dormir?

Garanto a você que se alguém algum dia fizer mal à minha família, vou rogar uma praga nessa pessoa para que tenha noites insones e mamilos rachados por toda a eternidade. Que esse seja seu aviso. Quando voltei para casa, eu estava para lá de assoberbada. Eu tinha sido uma daquelas grávidas que não parava de falar do parto que eu planejava e do fato de que eu só iria amamentar meu filho. Ah, lá vai outro conselho: procure não gritar essas coisas muito alto demais, porque o universo está ouvindo e vai acabar rindo de você. Sabe o que dizem sobre os planos mais bem traçados que nem sempre dão certo? É isso mesmo.

Amamentar meu filho foi tudo menos fácil para mim. Eu tinha dificuldade em produzir leite. Tentei de tudo. Meus mamilos ficavam tão rachados e doloridos que eu achava que iam secar e cair. Meus seios doloridos e duros ficariam sem bicos pelo resto de minha vida passada sem dormir. Para piorar as coisas, meu filho tinha refluxo, então era dificílimo conseguir que ele pegasse o seio bem para mamar.

Meu marido era tenente dos bombeiros e fazia plantões de 24 horas, então, apesar de ter tido uma licença boa assim que o bebê nasceu, depois de voltar ao trabalho ele passava MUITO tempo fora. Eu me sentia só. Não do tipo "ei, isto daqui está um tédio, cadê a turma toda?". Não, eu sentia solidão do tipo que me fazia chorar sozinha e pensar "como vou conseguir suportar?".

Uma noite, sentada na sala com meu recém-nascido aos berros e meu cachorro olhando para mim com uma expressão que só posso descrever como "garota, você não tem a menor ideia do que está fazendo", eu entendi o que precisava fazer. Peguei o telefone. Quando minha amiga atendeu, só consegui chorar. No meio das lágrimas, só consegui dizer "isto daqui é tão mais difícil do que pensei que seria. Estou tão sozinha, e ele não quer mamar, não quer dormir e não para de chorar".

Dez minutos depois alguém bateu na porta. Lá estava ela, trazendo uma garrafa de vinho, creme para os mamilos, um sorrisão e braços abertos. Ninguém no mundo poderia ter me deixado mais feliz naquele momento.

Se eu tivesse aberto a porta e alguém me tivesse anunciado que eu era a ganhadora da loteria, é bem provável que tivesse batido a porta na cara da pessoa e me deitado no chão para chorar. Em vez disso, era ela, minha amiga de toda a vida, chegada para me mostrar que ter um bebê muda muitas coisas, mas que isso nem sempre é ruim.

Ela entrou, pegou meu filho no colo, o embrulhou com calma numa mantinha e, não sei como, o convenceu a dormir no berço. Ela abriu o vinho e me passou o creme. Ficou sentada ali enquanto eu chorava e chorava, até o choro virar gargalhada. Rimos porque, de todas as coisas pelas quais já passamos juntas na vida, esta era de longe a mais louca de todas.

Aprendi duas coisas naquela noite. Aprendi que vinho e creme para os mamilos valem ouro e que os bebês realmente mudam tudo. Mas as mudanças nem sempre são negativas. Naquela noite aprendi que minha amizade com minha amiga de toda a vida nunca mais seria a mesma. E sou eternamente grata por isso.

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Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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