OPINIÃO
17/04/2015 18:54 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Como é a ansiedade no dia a dia

Sofrer de ansiedade é uma das coisas mais irritantes com as quais se pode conviver no dia a dia. Digo irritante porque a ansiedade é muitas coisas - terrível é uma delas -, mas é simplesmente irritante ter alguma coisa lhe incomodando quase cada segundo do dia, às vezes sem a menor razão aparente.

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Sofrer de ansiedade é uma das coisas mais irritantes com as quais se pode conviver no dia a dia. Digo irritante porque a ansiedade é muitas coisas - terrível é uma delas -, mas é simplesmente irritante ter alguma coisa lhe incomodando quase cada segundo do dia, às vezes sem a menor razão aparente.

A ansiedade é uma coisa tanto mental quanto física, e nunca sei definir qual parte é pior. O aspecto físico é muito mais fácil de explicar, então começarei por ele. A ansiedade é uma reação física real que, depois que começa, às vezes é difícil de controlar ou frear. Quando estou ansiosa, sinto falta de ar e meu coração se acelera muito. Minhas mãos tremem; às vezes, dependendo da situação, sinto tontura ou falta de equilíbrio.

A ansiedade é pior em alguns momentos que em outros. A principal reação que sinto quando fico ansiosa é uma sensação de tremores na minha barriga - tremores pesados e grandes, não pequenos e leves. Às vezes isso acontece quando alguma coisa que alguém me diz me deixa ansiosa; às vezes é com alguma coisa que faço, e há momentos em que um mero pensamento que passa por minha cabeça me deixa ansiosa.

A pior reação física à ansiedade é o ataque de pânico. Às vezes tenho ataques de pânico em reação ao medo, mas muitas vezes não há motivo aparente. É a reação que me corpo apresenta quando passo por um perigo real, e todos meus sintomas de ansiedade são multiplicados por mil. Muitas pessoas descrevem um ataque de pânico como a sensação de que estão tendo um infarto ou vão morrer.

No dia a dia, a ansiedade geralmente não é tanto debilitadora quanto restritiva. Minha ansiedade cotidiana se manifesta mais como tremedeira e taquicardia, mas há também o medo de que leve a um ataque de pânico.

Em várias ocasiões o medo de sofrer um ataque de pânico me impediu de sair de casa. Há momentos em que sinto ansiedade física e mental extrema e tenho a impressão de que isso vai se converter em um ataque de pânico. Na maioria das vezes em que ignorei a impressão e saí para fazer o que tinha que fazer, acabei de fato tendo um ataque de pânico e me arrependi de ter saído. Por isso, tendo a ficar em casa quando tenho essa sensação, e isso pode me impedir de ir trabalhar, ver meus amigos ou ir a um show que eu queria realmente ver. Faço isso em parte porque me sinto mal pelas pessoas que vão ter que ficar comigo durante o ataque de pânico, porque sei que elas não vão saber bem como me ajudar, e tenho medo de estragar a diversão delas.

Mentalmente falando, a ansiedade é exaustiva. É como se preocupar ou ficar nervosa, mas de maneiras mais específicas e críticas. Muitas vezes eu me lembro de alguma coisa que falei ou fiz durante uma conversa que aconteceu semanas atrás. Penso que eu disse a coisa errada naquela ocasião ou que a piada foi ruim e temo que as pessoas que me ouviram ainda estejam pensando nisso. Então eu evito falar com essas pessoas ou me encontrar com elas, pensando que elas ainda vão estar repassando na cabeça aquela coisa estúpida que eu fiz, sendo que na realidade é provável que nem se lembrem mais. A ansiedade mental me faz repensar as coisas demais, sem querer. Tendo a converter cada problema minúsculo no fim do universo, porque o probleminha ocupa minha cabeça por muito mais tempo do que deveria. Isso pode realmente distrair minha atenção, me deixar confusa e sem conseguir me concentrar.

Tenho tantos pensamentos embaralhados que minha cabeça parece um prato de espaguete embaralhado e eu mal consigo formular uma sentença. Um dia normal pode me deixar mentalmente exausta e precisando de uma noite longa e bem dormida, apenas porque passo uma parte tão grande do dia me sentindo ansiosa e totalmente embananada.

Tudo isso não é alguma coisa que eu consiga controlar ou mudar quando bem entendo. Se eu pudesse simplesmente optar por não ser ansiosa, optaria. Como não posso, tive que encontrar maneiras de lidar com a ansiedade. Descobri que a meditação é o que mais ajuda a me acalmar. Ela me ajuda a respirar fundo e me concentrar sobre meu corpo e a consciência do aqui e agora, em vez de deixar que pensamentos passem por minha cabeça constantemente. Também descobri que, quando você tem um pensamento ansioso ou começa a ficar ansiosa, mexer os dedos dos pés pode ajudar a desviar sua atenção dos pensamentos negativos, voltando-a para seus dedos do pé, nos quais você geralmente não pensa. Isso vem funcionando para mim. Minha maneira favorita de me acalmar é ouvir uma música com fones de ouvido, visualizando de onde vem cada som distinto, e me concentrar sobre os diferentes sons que chegam por cada ouvido. Além dessas coisas, procuro fugir da ansiedade fazendo alguma coisa que exige minha atenção focada, como escrever, desenhar ou ler. A ansiedade é distinta para cada pessoa, e técnicas diferentes funcionam para pessoas diferentes. Para falar francamente, a ansiedade é uma chatice tremenda. Mas em muitos casos ela pode ir sendo controlada, como o passar do tempo, e sempre pode melhorar.

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Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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