OPINIÃO
18/03/2016 17:57 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Não fugiremos à luta

Dia 18, é a vez de trabalhadores, movimentos sociais, estudantes, setores organizados ou não da sociedade reivindicar o respeito a esta pátria que não são de poucos, mas de muitos. Aqueles muitos que Lula mudou suas vidas um dia. A maioria deles deu seu voto a um projeto que, desde então, está sob ataque. Vamos às ruas, pois não fugiremos à luta!

NELSON ALMEIDA via Getty Images
Unionists and members of the Workers Party (PT) demonstrate in support of former Brazilian president Luiz Inacio Lula da Silva in downtown Sao Paulo, Brazil on March 18, 2016. A Brazilian court cleared ex-president Luiz Inacio Lula da Silva Friday to start work as chief of staff to his embattled successor Dilma Rousseff, overturning an injunction blocking his appointment. AFP PHOTO / NELSON ALMEIDA / AFP / NELSON ALMEIDA (Photo credit should read NELSON ALMEIDA/AFP/Getty Images)

Em fevereiro do ano passado, Lula emudeceu uma gigantesca plateia formada majoritariamente pelo primeiro escalão da política italiana. Seu relato sobre o combate inédito à fome que promoveu a partir de 2002, então presidente do Brasil, gerou respeito e admiração. Conseguiu, com maestria, que entendessem o que era a dor daqueles que não tinha o que ingerir de manhã, de tarde e à noite. Realidade antes comum do agreste aos rincões de nosso país, Lula descreveu para os italianos o Brasil de muitos: os miseráveis e excluídos - invisíveis para os governantes anteriores à ele.

Lula, o sétimo dos oito filhos de Aristides e Eurídice, um casal de lavradores analfabetos que vivenciaram a fome a miséria na zona mais pobre de Pernambuco, nasceu em outubro de 1945 na pobre Caetés. Foi esse ex-metalúrgico que desfez a lógica do Estado que permitia a carestia e deixava diariamente órfãos milhares de brasileiros. Em todos os sentidos, ele é o cara.

A indicação do ex-presidente como ministro-chefe da Casa Civil é uma ótima notícia neste ambiente de instabilidade econômica, política e social. Seu conhecimento único, advindo de sua experiência de vida, será aliado poderoso do governo Dilma Rousseff, como já o foi no combate à pobreza extrema, na geração de oportunidades, emprego, renda e posição firme e soberana frente ao setor financeiro internacional.

Isso incomoda imensamente uma minoria derrotada nas urnas por quatro vezes consecutivas. Não respeitam o processo democrático e demonstram desconhecer princípios caros ao Estado Democrático de Direito. A motivação de suas histerias tem comando.

Ao divulgar áudios de Lula, numa conversa com a presidente Dilma, o juiz Sérgio Moro escancarou sua parcialidade e soterrou o andamento ético e amparado em nosso arcabouço legal da Operação Lava-Jato. Ultrapassou, ali, a fronteira do que rege a Constituição por motivações políticas. Uma combinação clara de arbitrariedades e ilegalidades por parte dos que ostentam, perigosamente, posicionamentos ideológicos que não combinam com a imparcialidade da Justiça, num verdadeiros Estado de Exceção. Que sejam apuradas essas ilegalidades e seus autores punidos.

Essa massa nas ruas não representa a imensidão plural e diversa de nosso povo, que trabalha, batalha e luta por dias melhores.

Suas palavras de ordem raivosas e atitudes violentas só revela o ódio, o preconceito e a desinformação. Ocupam as ruas com gritos fascistas, expulsando até a própria oposição, aliada natural de sua pauta. Foram alimentados por um espetáculo torto de apolítica, de ética quebrada, produzido diariamente nas televisões abertas e na internet.

A convulsão que vem sendo fomentada criminaliza a política e abre espaço para o fascismo, e nossa resposta só pode ser uma: o fortalecimento da democracia e do Estado democrático de Direito.

É o que nos cabe neste momento da história, denunciar o golpe e suas consequências. Dia 18, é a vez de trabalhadores, movimentos sociais, estudantes, setores organizados ou não da sociedade reivindicar o respeito a esta pátria que não são de poucos, mas de muitos.

Aqueles muitos que Lula mudou suas vidas um dia. A maioria deles deu seu voto a um projeto que, desde então, está sob ataque. Vamos às ruas, pois não fugiremos à luta!

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