OPINIÃO
13/05/2015 19:04 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Matando dragões

Saímos todos fortalecidos e dispostos a matar quantos mais dragões se puserem no caminho da luta democrática. Eles todos têm nomes: preconceito, intolerância, machismo e fascismo. Se alimentam do sentimento de que os homens podem tudo, enquanto as mulheres devem se contentar com a submissão.

Senado Federal/Flickr
Plenário do Congresso Nacional durante sessão solene para comemorar o Dia Internacional da Mulher, ocasião em que é entregue o Diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz 2015 para mulheres que tenham oferecido relevante contribuição na defesa dos direitos da mulher e questões do gênero no Brasil.O Conselho do Diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz, composto por 15 membros, escolheu, de forma inédita, seis mulheres para serem agraciadas com o prêmio neste ano. Diante do empate na votação para a escolha das cinco homenageadas, o conselho decidiu abrir uma exceção e contemplar uma candidatura a mais.Em discurso, deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ).Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Ao ritmo em que cresce a intolerância de todo tipo em nossa sociedade, em fato recente, na Câmara dos Deputados, constatamos que, apesar de ruidosa e ofensiva, ela não é maior que a solidariedade.

À ofensa física que sofri se somou a verbal, com palavras que, apesar de a mim dirigidas, se transformaram em agressão a todas as mulheres que, fora e dentro do Congresso Nacional, matam vários dragões por dia para mostrar seu valor e disputar seu merecido lugar em suas casas, no trabalho, nos espaços de poder.

Desde então, tenho recebido de todos os cantos manifestações de apoio, palavras de afeto e de reconhecimento da minha luta. Uma luta que não é individual, não tem dono, mas destinatários.

Uma avalanche de revolta e indignação me envolveu. Mensagens de apoio, moções de repúdio, comentários nas redes sociais não paravam de chegar. Segundos de um episódio lamentável se converteram numa teia interminável e resistente pela qual sou imensamente grata.

Saímos todos fortalecidos e dispostos a matar quantos mais dragões se puserem no caminho da luta democrática. Eles todos têm nomes: preconceito, intolerância, machismo e fascismo. Se alimentam do sentimento de que os homens podem tudo, enquanto as mulheres devem se contentar com a submissão.

Soltam fogo pelas ventas quando imaginam uma sociedade igualitária, com espaço e oportunidades para todos. Não se conformam com nossa ousadia, com nossa perseverança e obstinação. Pois são essas nossas armas. As características que nos forjaram e nos permitem concretizar nossos sonhos e, dia a dia, abrir caminhos para que, enfim, nos libertemos das amarras que ainda nos são impostas pelo simples fato de sermos mulheres.