OPINIÃO
29/03/2016 15:02 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:40 -02

O fim de 'A Grande Família' fez bem a Marco Nanini

Ser o astro de uma série durante anos não deve ser nada fácil. Imaginem só ter que interpretar um único personagem durante cinco, dez anos. O ditado "a vida imita a arte" nunca parece ter feito tanto sentido. Afinal, são duas vidas com seus altos e baixos, tristezas e alegrias. Muito se fala que o ator cai no comodismo quando fica muito tempo a frente de um mesmo personagem. Nos questionamos se a pessoa é boa mesmo, afinal, nunca a vimos fazendo um vilão - se ele faz um mocinho - e vice-versa. Há, ainda, o risco do ator ficar "preso" ao personagem e ser eternamente lembrado por ele.

TV Globo/João Cotta

Ser o astro de uma série durante anos não deve ser nada fácil. Imaginem só ter que interpretar um único personagem durante cinco, dez anos. O ditado "a vida imita a arte" nunca parece ter feito tanto sentido. Afinal, são duas vidas com seus altos e baixos, tristezas e alegrias.

Muito se fala que o ator cai no comodismo quando fica muito tempo a frente de um mesmo personagem. Nos questionamos se a pessoa é boa mesmo, afinal, nunca a vimos fazendo um vilão - se ele faz um mocinho - e vice-versa. Há, ainda, o risco do ator ficar "preso" ao personagem e ser eternamente lembrado por ele.

Quem é Rachel Green ou Sheldon Cooper? Jennifer Aniston, por mais filmes que tenha feito, sempre será lembrada como Rachel (personagem de Friends - série americana que ficou dez anos no ar). E quem se lembra de Jim Parsons antes da estreia da série The Big Bang Theory (outra famosa série cômica americana)?

Claro que os exemplos não ficam só no exterior. Citamos dois casos de fora porque séries são comuns nos Estados Unidos. No Brasil, os casos são mais frequentes em novelas, já que séries produzidas pela TV aberta ainda não é a prioridade. Mas podemos mencionar A Grande Família, série de comédia que ficou no ar, na Rede Globo, durante 14 anos.

Atualmente Marco Nanini está no ar como o professor Pancrácio, na novela das 6 Eta Mundo Bom!. No entanto, não há nenhum resquício de Lineu, aquele pai de família e fiscal sanitário que batia ponto toda quinta-feira.

A volta de Nanini às novelas fez bem ao ator e, claro, para o telespectador que todo dia é presenteado com a sabedoria do professor. Parece que os conselhos do professor nunca são só para os personagens com quem contracena, mas também para o público.

A sacada do autor Walcyr Carrasco de escrever para o ator um personagem que representa outros personagens dentro da trama - Pancrácio se disfarça para pedir esmola - é ótima e cada personagem representa um ano que o ator ficou de fora das novelas, disse Nanini.

Também há de se ressaltar que a sabedoria do personagem carrega também a bagagem intelectual e experiência de vida do ator de 67 anos.

"Tudo que acontece de ruim na vida da gente é para melhorar"

Quando o ciclo de A Grande Famíla se encerrou, em 2014, não se esperava que os atores do elenco voltassem tão logo a outros trabalhos na Globo, mesmo os experientes Nanini e Marieta Severo, dois grandes nomes da teledramaturgia.

Mas como tudo que acontece de ruim na nossa vida é para melhorar, Walcyr Carrasco, que havia acertado em cheio ao dar Fanny à Marieta Severo (Verdades Secretas), também não podia ter feito escolha melhor ao dar Pancrácio a Nanini.

A frase que o professor Pancrácio tanto enaltece em suas cenas, como um mantra mesmo, nunca parece ter feito tanto sentido na vida real.

O outro lado

O fato de um ator/atriz ficar marcado por um personagem não quer dizer que ele é um ator/atriz ruim. Muitas vezes o personagem é bom e, os seguintes, não têm tanto destaque. E se ator não tem uma sequência com outras boas atuações, acaba caindo no esquecimento e sendo lembrado pelo papel marcante.

Relembre cinco atores que ficaram marcados por seus personagens:

Marisa Orth - Magda, em Sai de Baixo (Globo, 1996-2002)

Mel Lisboa - Anita, em Presença de Anita (Globo, 2001)

Dan Stualbach - Marcos, em Mulheres Apaixonadas (Globo, 2003)

Sérgio Hondjakoff - Cabeção, em Malhação (Globo, 2000-05)

Larissa Maciel - Maysa, em Maysa: Quando Fala o Coração (Globo, 2009)

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