OPINIÃO
15/09/2014 07:19 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Encontrando inspiração na experimentação

reprodução

Na última semana, escrevi no Brainstorm9 sobre o Lifetramp, um site que propõe conectar pessoas com as mais diferentes carreiras profissionais com outras pessoas que se interessem pelo que elas fazem. A sugestão é que após uma combinação entre as partes, um profissional possa virar a 'sombra' do outro durante um dia inteiro, sendo que o único custo da experiência toda é o gesto delicado de pagar o almoço do seu mentor.

Ou seja, um custo bem baixo, ainda mais se considerarmos que você tem a oportunidade de ter experiências tão variadas quanto entender a rotina de uma designer de sapatos, de uma fabricante de bonecas ou de um desenvolvedor de software.

Esse é o tipo de situação que por muito tempo só foi possível quando se tinha um bom QI, o famoso 'quem indica'. Papai conhece alguém que poderia passar o dia comigo me mostrando a rotina de uma agência, ou uma amiga da tia ou do tio conseguiu providenciar aquela vaguinha de aprendiz para a garota de 16 anos que não sabe o quer fazer na faculdade. O engraçado é que essa pode ser uma forma tanto de tomar uma decisão mais acertada na vida como de simplesmente sair da rotina e encontrar inspiração - exatamente o que falta para pessoas criativas em todas as partes do mundo.

Se considerarmos que cada vez mais temos profissionais trabalhando de forma independente, a partir de home offices ou de cafeterias, essa se torna uma atividade primordial: se esforçar em sair da sua 'bolha', buscar novos conhecimentos, novos relacionamentos, se expor a novas situações.

No dia 12/09, quando escrevi o material para o B9, fiquei assustada com a falta de profissionais no estado de São Paulo que se propusessem a ter pessoas acompanhando o seu dia. Encontrei perfis como o do Mauro Amaral, que há mais de 10 anos é profissional freelancer trabalhando em modelo home office, e que já conhece um tanto da 'solidão' do empreendedor individual, mas me ficou a dúvida sobre o por quê paulistas em geral não estavam por lá.

Eu gosto de pensar que era desconhecimento. Em apenas dois dias, retornei ao site para procurar outros profissionais que tivessem topado se oferecer como mentores de alguém interessado no seu dia a dia. Sabe o que foi mais gratificante? Mesmo sabendo que o processo de seleção para aparecer no site envolve uma entrevista com a equipe do Lifetramp para construir um mini-perfil sobre o cotidiano profissional do mentor em questão, já conseguia encontrar brasileiros novos por lá, como a Ana, jornalista e ciclista em SP, o Giovane, desenvolvedor de software em São José dos Campos, minha cidade natal, ou o Marcello, analista de negócios internacionais, em Brasília.

Nessas horas que consigo compreender a importância de divulgar iniciativas inovadoras. Às vezes, não é que as pessoas não se interessaram, elas simplesmente não foram impactadas (ainda) por aquele conhecimento, por aquela sugestão de como fazer diferente do que elas já fazem hoje.

Um dos meus principais motes pessoais (e, de certa forma, também profissionais) é a minha crença de que conhecimento não pode ser confinado. Quanto mais eu for capaz de falar sobre ele em diversos formatos, para diferentes públicos, e de diferentes jeitos, mais esse conhecimento se espalha, se transforma e ganha valor.

De certa forma, o Lifetramp aposta exatamente nesse compartilhamento de conhecimento que tanto valorizo: mais do que amar a sua profissão, é preciso saber contar sobre ela, permitir que as pessoas possam experienciar seus lados bons e ruins, mesmo que apenas por um só dia. Mesmo que você não vá ganhar nada, financeiramente, com isso. A revolução da economia do compartilhamento não é apenas dividirmos carros, casas, mas também compartilhar experiências, trocar conhecimento e nos fortalecermos como comunidade.

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Se tudo isso não fosse legal o suficiente, você também pode dar um toque de excentricidade em uma viagem internacional ao agendar um dia diferente em Madri, por exemplo, acompanhando Sebastian e entendendo como funciona ser gerente de eventos, ou compreender o que faz um coach de carreira em Dublin com a Kasia, ir atrás de novos artistas para um selo indie acompanhando Shaun ou saber mais sobre a rotina de uma designer de vestuário masculino ao passar o dia com Prangchat, caso esteja em Nova Iorque.

Assim como conclui no B9, acredito que essa pode ser uma alternativa interessante para pessoas criativas buscarem experiências diferentes. Afinal, a gente sabe que sair da caixinha e mudar a própria rotina nem que seja por um dia pode ser o sacode que faltava para a sua criatividade voltar a fluir.

Sabe o que é o melhor? Não custa quase nada. Apenas um almoço grátis para um dia completamente surpreendente.

Se você gostou da ideia, pode buscar alguma rotina que queira experimentar lá no site do Lifetramp. E se você ficou inspirado, pode também compartilhar o seu cotidiano profissional se cadastrando como um mentor.

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