OPINIÃO
02/07/2014 14:07 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:51 -02

Até mais, Orkut! E obrigada pelos scraps!

Para tristeza de uma geração nostálgica, nesta semana o Google confirmou que irá mesmo descontinuar o Orkut. O serviço já está fechado para novos cadastros, e as contas atuais deverão deixar de existir a partir de 30 de setembro. Depois de 10 anos de existência, e de um incrível sucesso no Brasil, a (provável) primeira rede social com que os brasileiros tiveram contato dá adeus.

2014-07-01-orkutrip.PNG

Os motivos para isso são conhecidos de quem acompanha a evolução das redes sociais. O Orkut foi precursor de muita coisa -- como a paquera digital com o crush (TOMA, TINDER!) ou a avaliação dos seus amigos por características como beleza, ser descolado ou sexy (tipo o app Lulu, né?) -- mas não conseguiu ser atualizado a tempo de conter o êxodo de gente cansada de lidar com spams e correntes dos parentes.

Além disso, a característica mais internacional do Facebook acabou fazendo com que muita gente migrasse do Orkut, cheio de brasileiros, para a rede de Mark Zuckerberg, que concentrava os amigos feitos no intercâmbio, o pessoal que você conheceu numa viagem ao exterior ou os colegas de trabalho (já que o Facebook tinha uma cara mais séria, e o Orkut era o lugar da zoeira sem limites).

Portanto, eu não acho que o Orkut não devesse acabar. Ele deve, como toda época, chegar ao seu fim. O que eu não consigo evitar é um pouco do saudosismo.

Depois de muito tempo sem abrir o site, voltei lá para encontrar um avatar meu com um visual muito diferente, de uma foto bem velhinha. Outro corte de cabelo, outro rosto, aquela era uma 'eu' juvenil. Lá também ficaram alguns scraps cheios de GIFs animados e coisinhas piscantes, enviadas por tias e amigos que acreditavam nas tais correntes, mas lá também estão diversos 'depoimentos', o bom e velho 'testimonial' que os amigos do colégio e da faculdade me deixavam, sempre 'depondo' ao meu favor, com elogios, piadas internas e às vezes algumas críticas por eu ter sumido.

O Orkut também foi palco de um stalking do bem, quando eu marotamente busquei pelos veteranos do curso de jornalismo que eu tinha passado, para saber mais sobre como ele era e o que as pessoas estavam fazendo de bom por lá. Acabei desistindo, mas não por falta de informação dos solícitos veteranos de Bauru. Foi com a mesma tática que eu busquei todos os aprovados do curso de Estudos Literários na Unicamp e entrei em contato com eles para dar um olá e tentar começar a fazer amizades. Com um simples scrap que dizia 'oi, coleguinha de curso' eu pude iniciar uma amizade de longos anos, com direito a festas, morar junto e lidar com todas as experiências de uma república.

Ou seja, no fundo, faz parte mesmo que o Orkut finalmente vá embora. O problema é que nele estão as minhas lembranças de já sentir, desde aquela época, que de virtuais aqueles meus amigos não tinham nada. 

Era real o entusiasmo ao receber parabéns dos meus veteranos em um tópico da comunidade do curso. Era carinho o que a gente transmitia através dos depoimentos, mesmo que fosse 'alguém que mal conheço, mas que já considero pakas'. Era verdadeira a grande irritação que sentíamos ao fuçar o perfil daquela menina que estava dando em cima de um cara que estávamos afim, bem como a decepção de não ser aceito como amigo por alguém.

Nada daquilo era virtual, era tudo real. Eram pessoas por trás daqueles perfis, todas elas a um scrap de distância. E que podiam se sentir mais queridas com um testimonial, e que discutiam desde besteiras até trabalhos da faculdade em comunidades das mais diversas.

Assim como havia sido com o ICQ, um dos primeiros messengers que usei, o Orkut também foi muito marcante na minha vida, a ponto de eu ter recebido um abadá em uma festa da faculdade que dizia 'Jacque do Orkut'.

2014-07-01-jacquedoorkut.jpg


Ou seja, no fundo, o Orkut se tornou um grande baú de memórias, felizmente mais de coisas boas do que de coisas ruins.

Por isso que eu me esmerei em usar a ferramentinha oferecida pelo Google para salvar as fotos que ainda estavam por lá. E fiz alguns prints de testimonials que me foram muito queridos. E salvei páginas de comentários e conversas, pra poder ler mais tarde e sentir aquela empolgação de novo.

E tomara, tomara mesmo, que todos os meus amigos do Orkut já estejam no Facebook, e que migrem comigo para as próximas redes sociais que surgirem.

Porque nunca foi virtual, gente. A rede sempre foi de pessoas atrás de computadores. E essa é a grande mágica.

Acompanhe mais artigos do Brasil Post na nossa página no Facebook.


Para ver as atualizações mais rápido ainda, clique aqui.


MAIS ORKUT NO BRASIL POST:

Photo gallery 69 comunidades do Orkut que deixaram saudade See Gallery