OPINIÃO
09/07/2014 10:13 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

Sobre a música que não vai parar de tocar

Dói? Dói. Como um fora mal explicado, como um amor mal resolvido. Perto da racionalidade e precisão alemã, há de se reconhecer que a emoção, muitas vezes, toma escolhas erradas.

FABRICE COFFRINI via Getty Images
Germany's midfielder Bastian Schweinsteiger (R) hugs Brazil's defender and captain David Luiz after Germany won their semi-final football match at The Mineirao Stadium in Belo Horizonte during the 2014 FIFA World Cup on July 8, 2014. AFP PHOTO / FABRICE COFFRINI (Photo credit should read FABRICE COFFRINI/AFP/Getty Images)

Aconteceu. Não deu. Não era David Luiz, não era Julio César, não era a ausência do Neymar - não havia ídolo, por melhor que fosse, capaz de nos impedir de sermos devastados. Dilacerados. Afinal, já estávamos sentindo, por mais que não quiséssemos acreditar, que isso iria acontecer. Não que quiséssemos que fosse assim. Não era para ser assim, era? Talvez, se estivéssemos completos, seria um pouco menos difícil. Mas foi assim: perdemos. Perdemos e era para ser.

O problema não somos nós, são eles - eles, que estão mais preparados, que merecem mais o lugar que tanto sonhávamos. Dói? Dói. Como um fora mal explicado, como um amor mal resolvido, como um coração apertado que não sabe mais por onde caminhar. Um sentimento incrédulo que desestabiliza um time que joga mais com a emoção do que a razão. Perto da racionalidade e precisão alemã, há de se reconhecer que a emoção, muitas vezes, toma escolhas erradas.

A vida nos oferece biscoitos e depois chuta nossas canelas. Mas acontece. Não somos nós. Não somos unilaterais. Um gol eterno do Brasil é uma arma quente. No entanto, jogamos nossas armas no chão e fomos alvejados. E ficamos apenas com a certeza de que nada acabou.

Mais do que sentir a derrota, dói perceber que existem aqueles que estão conosco só quando estamos ganhando. Não há coisa pior para quem está no fundo do poço do que receber uma chuva de vaias ao invés de receber um incentivo, a melhor corda. O sentimento de culpa do desestabilizado só aumenta. "Desculpa", pediu David. Desculpa por aqueles que lhe fizeram pedir desculpa, David.

Estava errado. Daqui a quatro anos iremos lutar novamente com as mesmas unhas e dentes, com nós e outros nós, para ser melhor, para, finalmente, estar lá com méritos. Por enquanto, nos restam as lágrimas que, logo, irão passar. A felicidade, ela há de vir.

É quando a televisão ligada se pinta das cores da bandeira que, por 90 minutos, nada mais é tão interessante, tão estimulante quanto 22 pernas lutando contra 22 outras por uma mísera bola, que deve encontrar, assim, o lugar certo para arrancar os mais primitivos berros de quem se dispôs a ficar ali, no estádio ou na frente daquela tal televisão (+).

Texto publicado originalmente no BACKBEAT.

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