OPINIÃO
02/04/2014 09:53 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:51 -02

O título da série é a essência da série?

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Duas décadas em menos de uma hora. Para um final de série tão aguardado quanto o de How I Met Your Mother, os pormenores deveriam ser explicados, um por um. E, assim, lentamente, vamos conhecendo e entendendo os caminhos seguidos pelos cinco amigos que gostavam de se reunir no McLaren's Pub. Coisa séria. Antes do episódio, o Buzzfeed chegou até a listar todas as respostas que gostaríamos de ter. Mas teve uma coisa que a gente esqueceu de comentar: o título da série realmente iria entregar o final?

Teve gente que não gostou. Teve gente que aplaudiu de pé. Mas uma coisa é clara: o título do seriado nunca foi Como Conheci a Sua Mãe e Passei Toda a Eternidade Com Ela. E, como a própria filha de Ted Mosby (Josh Radnor) questiona: como a história pode ser sobre uma mãe que quase nunca apareceu na história?

ALERTA DE SPOILER!

Nos minutos finais, tudo fica claro: era tudo sobre Robin Scherbatsky (Colbie Smulders), a garota que ele conhece no primeiro episódio e se junta à sua turma de amigos, composta por Marshall (Jason Segel), Lily (Alyson Hannigan) e Barney (Neil Patrick Harris). E a história você já conhece: após várias indas e vindas, Ted e Robin não conseguem ficar juntos e Robin se casa com Barney, que "combina mais com ela por viver de forma mais relaxada", uma antítese ao estilo de vida matemático de Ted.

Vamos lá: Ted e a mãe, que se chama Tracy, aliás, tiveram dois filhos e se casaram sete anos após já terem uma vida juntos. Viveram bons momentos e tudo o mais. Mas, no entanto, a materialização dos sonhos arquitetados por Mosby da mesma maneira com a qual ele desenhava prédios não poderia imaginar que, mesmo com todos os sinais do destino provando que eles seriam felizes para sempre, ela iria vir a falecer após uma doença (não informada na série).

Deixa-se subentendido, mas Ted e Robin aparentemente voltaram a se aproximar em um momento no qual Robin não é a mesma jovem preocupada em ser uma jornalista de sucesso, abrindo espaço para acolher as maluquices do amigo sonhador. E, assim, Ted conta toda a história que conhecemos aos filhos para convencê-los de que, na verdade, ele deveria convidar Robin para sair. Se precisar, reveja todos os episódios: a mãe nunca foi o foco de nada. A mãe, apesar de aguardada, nunca foi importante para a história que nos faria refletir ao final.

Com uma nona temporada arrastada e desnecessária em vários pontos, o episódio final compensa, ao mesmo tempo em que praticamente estapeia os telespectadores, que são levados a refletir sobre destinos, desejos e sobre o tempo certo das coisas - no qual ambos os lados de uma história estão alinhados e podem, finalmente, construí-la. Por mais que tenhamos de viver muitas outras histórias antes daquela.

Quando Ted reaparece com um trompete azul na casa de Robin, não é como se ele voltasse ao passado. É como se ele tivesse consciência de que, após uma longa jornada, este finalmente era o novo capítulo da sua vida. Por mais que não se saiba, como ele se preocupou por tanto tempo, se há um ponto final. É por isso que, a certo momento da vida, ele deixou Robin voar. E é por isso que eles terminam juntos, como sempre teve de ser.

Ou não.

Quem sabe do destino, afinal?