OPINIÃO
17/07/2014 12:15 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

A Copa das Copas por 13 jornalistas

RIO DE JANEIRO, BRAZIL - JULY 13: Germany celebrate with the World Cup trophy after defeating Argentina 1-0 in extra time during the 2014 FIFA World Cup Brazil Final match between Germany and Argentina at Maracana on July 13, 2014 in Rio de Janeiro, Brazil.  (Photo by Matthias Hangst/Getty Images)
Matthias Hangst via Getty Images
RIO DE JANEIRO, BRAZIL - JULY 13: Germany celebrate with the World Cup trophy after defeating Argentina 1-0 in extra time during the 2014 FIFA World Cup Brazil Final match between Germany and Argentina at Maracana on July 13, 2014 in Rio de Janeiro, Brazil. (Photo by Matthias Hangst/Getty Images)

Enquanto o Campeonato Brasileiro já começa a dar as caras nos estádios e nas televisões, a ressaca da Copa ainda toma conta de boa parte do mundo. Bebendo deste copo até o último gole, me deparei com um balanço do The Guardian sobre o Mundial, que me animou a fazer o meu próprio.

Como não queria entrar sozinha nessa, convidei alguns amigos jornalistas e afins, esportivos e não-esportivos, para realizarmos um balanço aos mesmos moldes. Mas como nesta Copa não estivemos em campo para o trabalho (mesmo que alguns tenham tido a oportunidade de estar nas arquibancadas), nossas histórias, vistas do outro lado da tela, envolvem sonhos, televisões de tubo e agitos da Vila Madalena. No entanto, a cada bola que o Robben ameaçou mandar para o gol e a cada partida que respiramos aliviados antes do fatídico jogo contra a Alemanha, estivemos acompanhando tudo de tão perto que estar presente na arquibancada era só um detalhe.

Confira abaixo ;)

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Izadora Pimenta, jornalista, escreve sobre cultura e entretenimento

Melhor partida: Holanda x Costa Rica. A disputa por pênaltis provou que a seleção da América Central era, realmente, a zebra mais interessante desta Copa - com todo o destaque para o goleiro Navas, um dos melhores do torneio. Uma pena que a loucura do técnico Louis van Gaal fez com que Tim Krul entrasse no último minuto da prorrogação para defender as penalidades. Krul é do tamanho das traves do gol. Ficou pequeno para nossa campeã moral.

Melhor jogador: Sou fã assumida do Messi (se ainda estivessem em voga os fã clubes com carteirinha, eu teria uma) e fico impressionada em todas as vezes que ele decide levar a bola até o gol e ultrapassa os adversários até tentar alcançar seu objetivo final. Mas acho que o Manuel Neuer - sim, um goleiro (por vezes, quarto zagueiro)! - é um destaque importante no time invejável da Alemanha, com um estilo de jogo que deveria servir de exemplo para todos que procuram por uma renovação (alô, Brasil).

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(AP Photo/Martin Meissner)

Melhor gol: Eu votaria no gol de peixinho do Van Persie ou no gol do alemão Götze na final da Copa, mas acho que um gol bonito e significativo foi o do David Luiz, de falta, contra a Colômbia. Além de nos dar a vitória, ninguém acreditava muito que iria sair um gol dali. E a comemoração do zagueiro, em seu maior momento de glória e destaque pela Seleção, foi inesquecível.

Destaque pessoal: Na madrugada de quinta para sexta-feira, sonhei que Neymar tinha ficado doente e não poderia mais disputar a Copa. No sonho, para completar, o Brasil jogava sem ele e perdia de 1 x 0 para a Holanda. Contei esse sonho para alguns amigos e na redação onde trabalho, mas sem muitos alardes. Na sexta, após o jogo contra a Colômbia, fiquei desesperada ao ver quão real ele poderia ser. Passado o susto, no sábado desta mesma semana, eu e minha amiga resolvemos passar um dia inteiro em função do clima de Copa em São Paulo. Torcemos pela Argentina no Fifa Fan Fest e assistimos ao começo do jogo da Holanda contra a Costa Rica na Vila Madalena. Deu para compensar um pouco a minha frustração de entrar no site da FIFA para comprar ingressos e só encontrar bilhetes disponíveis para Bósnia-Herzegovina x Irã.

Maior decepção: Os sete gols da Alemanha em cima do Brasil. Nós já sabíamos que nossa equipe talvez não fosse preparada o suficiente para pegar os disciplinados alemães. Mas o Sobrenatural de Almeida resolveu ser bem cruel desta vez. Por muito tempo não quis acreditar e resolvi fingir até que não aconteceu - não tenho coragem de ver aquela partida novamente nunca mais.

Escalação ideal: Neuer; Hummels; David Luiz; Garay; Blind; Mascherano; Muller; Kroos; James Rodriguez; Robben; Neymar; Messi

Expectativas para a copa de 2018: Não é só o clima da Rússia que é frio. A Rússia não deve ter a mesma recepção calorosa do que o Brasil, podendo deixar os fatores externos do Mundial apagados. No entanto, a Copa de 2014 nos mostrou que tem muita seleção que ainda promete dar bastante trabalho. Os times consagrados serão renovados. A configuração será outra.

Seleção Brasileira: Tem que aprender com os erros e encontrar seu momento. A repetição das mesmas fórmulas não leva a nada. É preciso muito estudo e preparo, para quem quer que seja no comando e dentro das linhas.

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Daniel Corrêa, escritor, roteirista, colaborador do Tenho Mais Discos Que Amigos

Melhor partida: Alemanha e Argélia. Foi inacreditável. Não vi Bélgica e EUA, que muita gente disse que foi o melhor. Então voto no que mais me fez pular na cadeira de casa.

Melhor jogador: Robben. Espero que o Comitê Olímpico tenha registrado os números dele, pois ele deve ter índice para correr em pelo menos umas duas modalidades de atletismo em 2016.

Melhor gol: Van Persie de peixinho voador contra a Espanha. Eu poderia falar do James Rodriguez, das faltas lindas que o Messi bateu ou do Cahill, da Austrália. Mas desde o começo da Copa torci pra Holanda (do bravo guerreiro Nederland) e eu berrei tanto nesse gol que minha noiva veio até ver se tava tudo bem.

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(AP PHOTO/CHRISTOPHE ENA/ASSOCIATED PRESS)

Destaque pessoal: Moro em um bairro de colonização alemã em Petrópolis, na região serrana do Rio. Foi no mínimo curioso ouvir mais fogos em Gol da Alemanha que do Brasil durante toda a Copa.

Maior decepção: Felipão. Antes mesmo da Copa, com a convocação de um time com bons jogadores mas sem opções de substituições e, principalmente, com a teimosia durante a competição. Todos os erros estavam lá no primeiro jogo, dava pra corrigir.

Escalação ideal: 3-4-3. Neuer; Hummels, David Luiz e Mascherano; Pogba, Kross, Messi e James Rodriguez; Robben, Muller e Neymar.

Expectativas para a copa de 2018: Uma renovação tática e técnica no futebol sul-americano com velhas potências ficando pra trás e seleções como Chile e Colômbia chegando longe. Além disso, como bom vascaíno, vou continuar torcendo para a Holanda deixar de ser o vice do mundo.

Seleção Brasileira: Falta tática e humildade. É bonito berrar o hino, é arrepiante, mas não adianta nada se a tática for "toca para tal jogador", "zagueiro partindo correndo pro ataque" ou "corre e cruza pra ver se rola".

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Danielly Friedrich, jornalista, coordenadora do FC Bayern München Brasil

Melhor partida: Alemanha e Argélia. Não estava dando nada para esse jogo, achei que seria vitória fácil da Alemanha, mas a Argélia se mostrou um grande time, com suas limitações, mas bem armado taticamente para travar a seleção que se tornaria campeã mundial.

Melhor jogador: Arjen Robben. Mesmo nos jogos em que a Holanda não mostrou o seu melhor futebol, Robben brilhou com seu talento individual. Por mais que o "cortar pra esquerda e chutar" já esteja manjado, o problema é saber quando ele vai fazer isso. E conseguir pará-lo.

Melhor gol: James Rodriguez, da Colômbia, marcando contra o Uruguai. Matou no peito e chutou direto pro gol. A bola fez uma trajetória linda, bateu na trave de cima e entrou.

Destaque pessoal: Apesar de nunca ter vencido nenhuma, os holandeses são LOUCOS por Copa [Danielly mora em Amsterdã]. A cidade inteira fica laranja nos dias de jogos e, após um gol, você consegue ouvir a cidade inteira gritando. Para assistir aos jogos da seleção holandesa, a Museumpleim foi fechada, ganhou vários telões, barracas com comida e bebida, e o nome de Oranjepleim (praça laranja). Fui assistir a estreia da Holanda na copa, a reedição da final de 2010, onde eles saíram perdedores para a Espanha. O adversário abriu o placar, mas a Oranje jogou por sua honra e transformou uma nova derrota por 1 a 0 em uma incrível goleada de 5 a 1. O primeiro gol foi lindo: Van Persie voou no finalzinho do primeiro tempo e deixou Casillas sem ter o que fazer. Pro segundo tempo, a Holanda voltou arrasadora e marcou os outros quatro. E, em nenhum momento, a multidão que enchia a praça parou de gritar. Estava longe do Brasil na Copa, mas esse dia fez com que eu me sentisse na maior das Fan Fests, ou até mesmo em um estádio.

Maior decepção: Bélgica ter eliminado os Estados Unidos. O time americano estava muito bem treinado e com jogadas ensaiadas maravilhosas, uma pena que não conseguiram convertê-las em gol. O nervosismo em marcar e definir o placar pesou, pois deixou a defesa completamente desprotegida e o destino da equipe nas mãos do ótimo Howard. Uma hora ele não conseguiu mais segurar e acabou levando dois gols, o que cravou a eliminação mesmo com Green diminuindo para os EUA pouco depois.

Escalação ideal: Neuer - Lahm, Boateng, Gonzales, Blind - Schweinsteiger - Rodriguez, Kroos, Müller - Robben, Benzema.

Expectativas para a copa de 2018: A tendência é se tornar ainda mais equilibrada, principalmente agora que times "sem tradição" viram que conseguem se impor, não importa quantas estrelas o adversário tenha na camisa. E a expectativa pessoal é que EU VOU.

Seleção Brasileira: Falta humildade, principalmente da parte dos dirigentes. Cinco títulos não trarão mais taças: é preciso evoluir e observar tendências que vem dando certo para outras seleções. Ser Penta não significa que o Brasil sabe tudo de futebol. A seleção brasileira está estagnada e precisa de uma reformulação profunda. Precisam "organizar a casa", fazendo os clubes brasileiros negociarem o pagamento de suas dívidas e só contratarem jogadores que possuem condições de pagar; investir na base; e, principalmente, ter paciência. Uma seleção campeã não se monta de um dia pro outro, derrotas podem estar no caminho até tudo se ajeitar. Os torcedores precisam entender isso e não pedir a cabeça de técnicos e jogadores que muitas vezes só não possuem a experiência necessária para atingir o topo, mas podem chegar lá.

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Luiza Aloi, jornalista, colaboradora do Lizt Blog

Melhor partida: Holanda x Austrália. Essa realmente foi a Copa das Copas™ e vários jogos e times surpreenderam desde o começo do Mundial, que contou com muitos gols e equipes grandes e consagradas caindo no início. Quando a Holanda caiu com a Austrália, todo mundo pensou que seria um jogo fácil e até esmagador, quase sem chances pro time da Oceania. Então, foi realmente incrível assistir ao 3x2 do time europeu, com um gol atrás do outro (sendo um maravilhoso do Tim Cahill), o que realmente deixou em dúvida de qual time iria conquistar a vitória. Foi eletrizante demais.

Melhor jogador: Com certeza, não foi o Messi. E vou colocar um goleiro nessa categoria: Tim Howard. Ele defendeu os Estados Unidos até o último segundo, fazendo até além do que ele podia. Quando a defesa fazia jogadas sem noção, ele estava lá para impedir que a bola entrasse, fazendo defesas espetaculares.

Melhor gol: Gol de falta do David Luiz, no jogo contra a Colômbia. O chute foi certeiro no canto esquerdo do gol e nem deu chance pro goleiro. Foi lindo demais de assistir.

Destaque pessoal: No jogo do Brasil contra Camarões, fui a um bar com o pessoal do trabalho. Além de nachos com muita guacamole, eles estavam dando um chopp grátis a cada gol do Brasil. O jogo foi 4x1. Não precisa falar mais nada, né?

Maior decepção:Claro, realmente ver o Brasil tomar de sete da Alemanha não foi nada legal e marcou a vida de todo mundo pro resto da vida. Assisti ao jogo com um amigo, em casa, e a cada gol eu queria chorar, beber mais álcool e tirar a tinta verde e amarela do rosto. Eu não estava acreditando no que tava vendo e passei a torcer mais pro tempo passar rápido, porque, do jeito que a coisa estava indo, ia sair mais uns 12 gols, fácil.

Escalação ideal: Guillermo Ochoa; Ron Vlarr; M. Hummels; P. Lahm; P. Pogba; Schweinsteiger; P. Armero; James Rodriguez; W. Sneijder; A. Robben

Expectativas para a copa de 2018: Depois de uma Copa dessas no Brasil, dá até vontade de saber como é viajar pra acompanhar tudo de perto. De repente até lá certas pendências na CBF mudem e o Brasil crie, desde já, um time que se entenda, saiba lidar com a pressão e não precise de desculpas dadas por psicólogas pra mostrar que tem o futebol no pé (e não só amor na chuteira). Outra vontade é que as "seleções menores" continuem mostrando que futebol realmente é uma caixinha de surpresas, deixando até Irã e Bósnia algo divertido de assistir.

Seleção Brasileira: A Alemanha conquistou o mundial pelo fato de ser um time há muito tempo, com jogador ali que está junto há 200 jogos. O Brasil, acredito, pode até ter jogadores bons, que se destacam, mas sinto que falta um entrosamento melhor. No fim parecia mais que dependíamos do Neymar do que dos outros 10 jogadores em campo. Por isso o ideal é criar O time e não montar jogadas que dependam de apenas uma pessoa no ataque.

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Nacim Elias, jornalista, assessor de imprensa do Rio Branco F.C.

Melhor partida: Bélgica 2 x 1 EUA. A partida mais parelha das oitavas foi a que mais destoou. A Bélgica massacrou os EUA com 38 finalizações em 120 minutos. O goleiro Howard foi o responsável por levar a partida para a prorrogação ao parar o ataque belga com grandes defesas. A entrada do atacante Lukaku mudou a partida. Com uma assistência e um gol, ele ajudou a seleção Belga a conquistar a classificação para as quartas de final.

Melhor jogador: Robben. Aos 30 anos o holandês vive o auge de sua carreira. Foi campeão de tudo pelo Bayern de Munique na temporada passada e mostrou na Copa que continua voando. Foi decisivo em boa parte dos jogos da Holanda, principalmente na estreia diante da antiga campeã Espanha.

Melhor gol: David Luiz (de falta, diante da Colômbia). Na melhor partida da seleção na Copa, o zagueiro que se tornou xodó durante a competição e vilão ao final dela após atuações desastrosas diante de Alemanha e Holanda acertou uma cobrança de falta espetacular a 33m do gol colombiano e decidiu a partida para os brasileiros.

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(Reuters)

Destaque pessoal: A Copa de 2014, assim como a de 2010, foi a do desespero. Desespero do gol chegar no quarto do meu avô ou na casa vizinha antes do que na minha TV. Assistir as transmissões em melhor qualidade era um sofrimento diário durante o Mundial, pois nem todo mundo no bairro ou dentro de casa tem o sinal HD. O ponto crítico foi na partida entre Brasil e Chile, na qual tive que utilizar o fone de ouvido com uma música extremamente alta para não saber o resultado das cobranças de pênalti do outro lado do muro.

Maior decepção: Espanha. Era a última campeã do mundo e atual bi-campeã europeia. Jogadores entrosados há anos e o reforço badalado de Diego Costa no ataque. Apontada por especialistas como forte candidata ao título, a Espanha naufragou logo na primeira fase após ser goleada na estreia pela Holanda por 5 a 1 e perder para o Chile por 2 a 0. Venceram a Austrália na última partida quando já não valia mais nada.

Escalação ideal: Goleiro: Neuer (ALE); Zagueiros: Hummels (ALE) e Ron Vlaar (HOL); Lateral Direito: Johnson (EUA); Lateral Esquerdo: Blind (HOL); Volante: Mascherano (ARG) e Luiz Gustavo (BRA); Meias: James Rodriguez (COL) e Kross (ALE); Atacantes: Robben (HOL) e Benzema (FRA)

Expectativas para a copa de 2018: A Rússia vai sediar uma copa totalmente diferente do Brasil tanto dentro como fora de campo. Acredito que muitas seleções viverão uma transição devido a elencos envelhecidos (caso de Espanha e Argentina). A Rússia já tem estádio pronto (Moscou), mas sofrerá com as grandes distâncias entre as sedes.

Seleção Brasileira: A derrota por 7 a 1 diante da Alemanha foi exagerada e não representa fielmente o estado do nosso futebol, mas foi a gota d'água pra quem acompanha e gosta desse esporte. Em 4 anos, estruturalmente e tecnicamente, pouca coisa pode ser alterada para garantir que voltemos a ser o "País do Futebol". Mas essa mudança pode começar com a valorização maior dos atletas de base, a renovação no comando da confederação e a contratação de um treinador de fora.

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Verena Foltran, jornalista, trabalhou na assessoria de imprensa de Portugal durante a Copa

Melhor partida: Brasil 1 x 7 Alemanha, não só pela sequência de gols surreais, mas principalmente pelo aprendizado e significado que a derrota trouxe para a seleção e para a população brasileira. Um choque de realidade extremamente (e infelizmente) necessário.

Melhor jogador: James Rodríguez. Se ninguém sentiu falta do Falcão García nessa Copa, ele é o culpado. Além das jogadas individuais absurdas, carregou o time e deu uma aula de criatividade, técnica e visão de jogo.

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AFP

Melhor gol: David Luiz na partida contra a Colômbia. Nunca vou conseguir esquecer a expressão dele.

Destaque pessoal: São milhares, então vou citar dois: conhecer os principais jogadores da seleção Portuguesa enquanto trabalhava como assessora deles e descobrir que o Pepe é quase uma moça de tão fofo. No mínimo, bizarro. E outro: a lua de Copacabana logo após a derrota da Argentina para a Alemanha. Minha viagem para o Rio já estava a mais maluca e engraçada possível, mas acredito que metade da praia parou para olhar a lua, no canto esquerdo, com um tamanho e uma cor que eu nunca tinha visto na minha vida. Uma das imagens mais bonitas que eu já vi (os argentinos indo embora chorando também ajudou a construir a magia do momento).

Maior decepção:O Brasil. Tem como algum brasileiro não encarar o Brasil como a maior decepção dessa Copa? Ir para o Rio na final e ver aquela cidade enfestada de argentinos e pensar que aquela festa era para ser nossa foi a situação mais decepcionante do mundo.

Escalação ideal: (4-2-3-1) Navas; Lahm, Vlaar, Hummels, Blind; Mascherano Schweinsteiger; Robben, Messi, James Rodriguez; Muller

Expectativas para a copa de 2018:Considerando que essa foi a Copa das Copas, acho bem difícil a próxima superar minhas expectativas. Se a Copa de 2018 for um terço do que foi essa, no sentido de partidas sensacionais e momentos inesquecíveis, já está ótimo.

Seleção Brasileira: Muita coisa. Tanta coisa que nem é humanamente possível mudar em quatro anos. O buraco é bem mais embaixo. Mudar o técnico, mudar o presidente da CBF e mudar os convocados só serve para mascarar algumas das coisas que precisam, e faz tempo, de conserto no futebol brasileiro: ao invés de insistir e apenas trocar técnicos, formar técnicos. No lugar de encarar a seleção brasileira como dependente de um craque, criar um sistema de jogo digno. Investir nas categorias de base. Tentar, ao máximo, acabar com a politicagem que envolve todo o futebol... Enfim, acredito que até 2018, dificilmente, alguma dessas coisas terão mudado.

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Vinícius Cunha, redator e colunista de Oi FM

Melhor partida: Quarta de final entre Holanda x Costa Rica. Quando zero a zero não indica um futebol modorrento tem muito a se ganhar. E quando Van Gaal resolve aparecer não tem pra ninguém.

Melhor jogador: Robben. Fôlego, habilidade, eficácia e, claro, gols em um mesmo jogador.

Melhor gol: Van Persie. Espanha x Holanda. O peixinho mitológico do craque holandês será lembrado como, não só, o Melhor desse Mundial, como um dos mais bonitos de toda história das Copas conjugando beleza e técnico. Digno de todas as animações que foram feitas pro épico gol!

Destaque pessoal: Acompanhar Brasil X Croácia com grupo de idosos. É incrível perceber como o futebol não tem limitações de idade, gênero e emociona até aqueles que sequer estão envolvidos frequentemente com o esporte. Definitivamente, ali nos vemos como nação.

Maior decepção:A síndrome de Dom Sebastião que Copa após Copa o Brasil cisma em incorporar. Salvadores não descem a campo pra garantir um campeonato sem treino, aplicação e comprometimento.

Escalação ideal: (4-2-3-1): Navas; Lahm, Vlaar, Hummels, Blind; Mascherano, Kroos; Robben, Neymar, Rodríguez: Müller

Expectativas para a copa de 2018:O prosseguimento do futebol ofensivo apresentado pelas seleções como um todo. Prova maior não há quando o goleador do Mundial é um jovem colombiano, em seleção que nunca havia passado das oitavas.

Seleção Brasileira: O problema não se resume apenas ao técnico. Está na defasagem em relação aos campeonatos europeus, saída precoce de jogadores, cartolagem e pouco ou nenhuma preocupação técnica na base (o exagero de volantes na Seleção está aí como prova). É urgente uma mudança na mentalidade de que na malandragem e improviso o hexa, hepta e assim por diante chegarão com o "jeitinho". A imprevisibilidade tem de ser aliada ao treino, tática, tal como a Alemanha faz em 15 anos e colhe os frutos hoje. Sem contar a revolução que deve ser feita na gerência.

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Lígia Ferreira, jornalista

Melhor partida: Alemanha x Argélia. O jogo da resistência. Os argelinos foram gigantes e mostraram uma resistência heroica diante da favorita Alemanha. Apesar de terem perdido a partida, eles saíram da copa como campeões. Quem assistiu ao jogo ficou com a impressão de que a Alemanha só ganhou por ter mais resistência. Os argelinos mostraram rápidos contra-ataques, tanto que as defesas, que nomearam Neuer como um líbero, foram marcantes. Os argelinos só foram eliminados na prorrogação. A Alemanha teve muito trabalho com eles, e, com certeza, no balanço do tetra, perderá tempo significativo tentando entender o porquê foi tão difícil vencer. Que jogo!

Melhor jogador: Robben. Faltam adjetivos para qualificá-lo. O motor da equipe, o coração da Laranja Mecânica. Dos sete jogos da Holanda, ele foi o personagem principal de quatro deles. Sem contar que, quando ele não finaliza, fornece e cria jogadas para a equipe. A categoria dele em um dos gols mais bonitos da Copa, no jogo contra a Espanha, é de se espantar. Com certeza Casillas e Sergio Ramos nunca vão se esquecer do pique e dos dribles do craque

Melhor gol: Gol de cabeça do Van Persie no jogo contra a Espanha. James Rodriguez também fez dois lindos e memoráveis gols, mas a plástica deste gol é fascinante. Van Persie recebeu um longo lançamento de Blind, deixou Sergio Ramos para trás na velocidade, mergulhou numa categoria invejável, cabeceou e encobriu o goleiro Casillas.

Destaque pessoal: Eu nunca assisti a tantos jogos de uma Copa do Mundo. Devo ter perdido dois, no máximo. E não só eu. Minhas amigas também. Apesar de não vivermos mais na mesma cidade e não estarmos juntas fisicamente para assistirmos aos jogos, a tecnologia nos proporcionou a proximidade. Criamos um grupo no Whatsapp e comentamos todos os jogos, sem exceção. Não deixávamos passar nenhum detalhe, desde um torcedor gato detectado na arquibancada a esquemas táticos que não estavam funcionando ou jogadores que deveriam ser substituídos. Apesar da distância geográfica, foi como se estivéssemos assistido todos os jogos juntas umas das outras.

Maior decepção: Eliminação do Brasil. A fatídica semi-final Alemanha 7 e Brasil 1. O único pentacampeão mundial sendo massacrado em seu próprio país. Não só os brasileiros se decepcionaram, como qualquer pessoa que ama o futebol. Li e assisti reportagens que mostraram jogadores e torcedores de todo o mundo perplexos e desacreditados diante do massacre. Entretanto, há de se lembrar também da Espanha, até então atual campeã mundial, eliminada na primeira fase.

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Getty Images

Escalação ideal: (4-3-3) Neuer; Hummels; Thiago Silva; Lahm; Blind; Schweinsteiger; Kroos; Mascherano; James Rodriguez; Robben; Neymar

Expectativas para a copa de 2018: Depois da "Copas da Copas" e do Brasil ter sido muito elogiado pela receptividade, a minha maior expectativa é saber como os russos receberão os turistas e as seleções. Quero poder comparar com o calor dos brasileiros. É claro que a cultura desses dois países é muito distinta, mas será que eles irão se esforçar para fazer com que os visitantes sintam-se tão bem quanto se sentiram no Brasil? Será que terão seleções que ficarão apaixonadas pela Rússia e farão demonstrações públicas de carinho? Quanto ao futebol, acredito que o cerco se fechará ainda mais e novas revelações nascerão. As partidas tendem a ficar cada vez mais disputadas. Não vai ser fácil pra ninguém. Mas perguntas que cercam minha cabeça são: será que terá tantas partidas memoráveis? Será que baterá o recorde de gols? Será que os craques estarão mais ou menos inspirados? Será que vai ser melhor do que a Copa das Copas?

Seleção Brasileira: Aceitação e renovação, para mim, são as palavras que resumem as ações que devem ser tomadas na seleção brasileira. Já passou da hora de aceitarmos que o nosso futebol está longe de ser o melhor do mundo e que os jogadores mais talentosos não nascem somente em solo brasileiro. O futebol é tão amado no Brasil quanto em outros países - por isso o avanço do esporte. A seleção alemã provou que não é preciso ter um ou dois craques excepcionais para ganhar uma Copa do Mundo. A equipe, entendendo a importância da função tática, é capaz de montar um time impecável.

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Rodrigo Denubila, relações públicas

Melhor partida: Bélgica 2 x 1 EUA. Quem não gosta de emoção em uma partida de futebol? E isso sobrou na partida entre Bélgica e Estados Unidos pelas oitavas de final. A Bélgica dominou o jogo inteiro bombardeando o gol dos americanos de todos as maneiras possíveis, mas o goleiro americano Tim Howard estava em uma tarde inspiradíssima e os americanos assustavam no contra ataque quando tinham a oportunidade. Na prorrogação, o jogo continuou igual, porém a Bélgica conseguiu marcar e, para muitos, até mesmo decidir o jogo ao abrir 2 x 0, mas, logo em seguida, os americanos diminuíram e começaram uma "blitz" na área belga até o último minuto da prorrogação atrás do gol de empate. Não tinha como desgrudar o olho da partida até o juiz apitar o fim do jogo.

Melhor jogador: Toni Kroos. Messi é genial, Robben fantástico, mas não consigo não eleger o jogador que faz o espetacular meio campo da campeã mundial funcionar como uma máquina. Não aparece muito para o público como os outros artilheiros, mas a importância e média de atuações em altíssimo padrão me fazem o colocar como o principal nome desta Copa.

Melhor gol: James Rodriguez (Colombia 2 x 0 Uruguai). Um gol que reúne habilidade, tempo de bola, categoria, plasticidade, força, visão de jogo, velocidade... Isso tudo sem muito espaço para pensar. Simplesmente sensacional.

Destaque pessoal: Presenciei a "invasão" dos argentinos em Copacabana no último final de semana, e, deixando de lado a rivalidade, a paixão dos hermanos pela seleção é algo invejável. Desde a minha chegada, no sábado de manhã, até o final do jogo, eles não pararam um minuto sequer de cantar e pular. Uma festa de se causar inveja.

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(AFP PHOTO/MAXI FAILLA)

Maior decepção: Seleção Brasileira. Não tem como não ser, como todo apaixonado por futebol. Sempre aguardamos quatro anos para ver nossa seleção na Copa e sempre queremos o título. Nem sempre ele vem, mas levar a goleada que levamos é algo que até agora não consigo explicar.

Escalação ideal: Neuer, Lahm, Thiago Silva, Hummels, Marcelo, Toni Kroos, Xabi Alonso, James Rodrigues, Neymar, Cristiano Ronaldo e Messi. Alguns não conseguiram manter o nível que apresentam em seus clubes nesta copa e outros ganharam vaga no meu time pelo que jogaram nesse último mês, mas pensando em jogador por jogador, esse é meu time ideal, jogando no 4-2-3-1.

Expectativas para a copa de 2018: É dificil falar agora, porque em quatro anos muda muita coisa, porém acredito que, fora a Holanda, que tem seus principais nomes com uma idade já avançada e muito provavelmente não jogarão mais na próxima copa, todas as outras seleções que se destacaram e chegaram em fases avançadas têm grandes possibilidades de manter a base por contar com muitos jogadores jovens e fazer mais uma grande campanha na próxima copa.

Seleção Brasileira: Planejamento. Uma equipe não é construída de um dia pro outro. Vejo que a seleção brasileira ainda se prende muito no poder individual de seus jogadores, que ainda existe, porém, no futebol atual, é muito difícil ganhar um campeonato sem uma equipe compacta tanto ofensiva quanto defensivamente. Hoje em dia não tem como ganhar uma Copa dependendo de um único jogador. É necessário realizar uma tática para fazê-lo jogar e saber se defender quando está sem a posse de bola. O nosso time atual mostrou que não sabe fazer nenhum dos dois.

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Marcos Araújo, jornalista, escreve no Prosa Esportiva e no Terceiro Tempo

Melhor partida: Alemanha 2 x 2 Gana. Asamoah marcara o quinto gol em Copa do Mundo e se igualara a Roge Millar como maior artilheiro africano em mundial. Como recorde inédito, é o único jogador do continente africano a balançar as redes em três Copas. Na mesma partida, Klose se igualara a Ronaldo como maior goleador em Copas do Mundo com 15 gols.

Melhor jogador: Thomas Müller. Tipo de jogador que gosto. Personalidade tempestiva, cabeça-quente, mas frio na frente do goleiro adversário. Logo ultrapassa Klose e se torna o grande artilheiro em Copas do Mundo. Tem futebol e tempo para isso.

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(Matthias Hangst/Getty Images)

Melhor gol: Segundo gol de Robben contra a Espanha na goleada da Holanda por 5 x 1, ainda na primeira rodada. O jogo era o reencontro dos últimos finalistas. Em 2010, a chance da Holanda quebrar o fantasma de vice estava nos pés de Robben, mas Casillas jogou o sonho para escanteio. O holandês na partida jogou com raiva, sede de vingança. Nem abriu o sorriso quando comemorou os seus dois gols.

Destaque pessoal: Consolei um argentino no final da partida no Maracanã. Não tem mais o que dizer. Festa completa.

Maior decepção: Bósnia. Não é uma ironia. Esperava mais da Seleção da região do Cáucaso. Assim como as seleções da Europa Oriental, ela tem a característica de equipe técnica. Dzeko passou despercebido. No Grupo F, apostava em Argentina e Bósnia.

Escalação ideal: Goleiro: Navas (Costa Rica); Laterais: Zabaleta (Argentina) e Boateng (Alemanha); Zagueiros: Yepes (Colômbia) e Hummels (Alemanha); Volantes: Mascherano (Argentina) e Bastian Schweinsteiger (Alemanha); Meias: Mertens (Bélgica) e James Rodríguez (Colômbia); Atacantes: Di Maria (Argentina) e Thomas Müller (Alemanha)

Expectativas para a copa de 2018: Que seja uma Copa tão equilibrada quanto esta. As chances existem porque a Bélgica estará mais madura e com o casco de uma geração já ter disputado um Mundial. A Alemanha terá uma base campeã sem grandes modificações e com Marco Reus, se a bruxa passar longe, em plenas condições físicas. A Colômbia terá James Rodríguez na idade matura para o futebol (27 anos). E também espero completar meu álbum antes de a Copa começar.

Seleção Brasileira: O Brasil precisa reciclar seu futebol e o trabalho começa limpando a própria cozinha. Fortalecer o Campeonato Brasileiro, tratar o torcedor com respeito oferecendo um espetáculo de qualidade e condições adequadas nos estádios, fazer com que os clubes pensem futebol com seriedade. O primeiro passo é ter pessoas comprometidas com isso nas federações estaduais e na CBF. Tarefa árdua - e a teoria de um futebol melhor não cabe neste espaço. São anos de discussão e execução das ideias.

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Ana Clara Matta, editora do Ovo de Fantasma

Melhor partida: Holanda e Costa Rica, pelo valor simbólico daquele Davi e Golias, a garra da Costa Rica se defendendo da máquina Holandesa da melhor maneira possível e a derrota final, com o goleiro-vilão Krul entrando e mostrando que a vida não é romântica como queríamos. De partir o coração.

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(Ivan Pacheco/VEJA.com)

Melhor jogador: Toni Kroos. O esquema do Joachim Loew é averso a destaques individuais, mas nem todo pragmatismo do mundo consegue tornar invisível um jogador da classe do Kroos. Precisão incrível nas assistências, ausência quase absoluta de erros e uma partida inesquecível contra o Brasil.

Melhor gol: Robin Van Persie, gol de "golfinho" contra a Espanha. Uma daquelas imagens que nunca sairão dos vídeos de melhores momentos da copa.

Destaque pessoal: No Mineirão, vendo Argentina e Irã (e vestindo uma camisa da Argentina) ser confundida com uma hermana autêntica por um senhor que quis que eu tirasse, com ele e sua bandeira do Cruzeiro, uma foto. Recusei em espanhol, até o momento em que ele me perguntou: "Cruzeiro?", respondi "No". "Atletico?" respondi "Sí". "Argentina?" respondi "No". E rimos.

Maior decepção: A derrota da seleção brasileira e tudo o que se seguiu: os argumentos que misturam política e futebol, a entrevista coletiva patética e o público cego em relação aos reais problemas do futebol brasileiro. O pior não é perder - é perder em vão.

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Getty Images

Escalação ideal: Navas, Lahm, Vlaar, Hummels, Blind, Schweinsteiger, Kroos, Mascherano, Messi, Robben e Rodriguez. Técnico, Louis Van Gaal. Social media, Poldi.

Expectativas para a copa de 2018: Que a Rússia seja uma boa anfitriã, apesar dos seus sérios problemas diplomáticos. Bem, eu imagino um amadurecimento de seleções jovens e de enorme qualidade da copa de 2014, emergindo possivelmente como forças. Destacaria a Colômbia e a França. Pro Brasil, só vejo bons prognósticos em 2022.

Seleção Brasileira: Entender que a história não é suficiente para garantirmos que o Brasil tenha o melhor futebol do mundo. Criar um esquema bom de garimpo de novos talentos, seja nos moldes dos drafts americanos, seja no molde das escolas germânicas. Criar técnicos que entendam a importância do estudo no futebol (ou importar os que já existem fora do Brasil). Entender que a formação de um time não é apenas a convocação dos melhores, mas um equilíbrio de forças entre frieza e emoção, força e habilidade, experiência e garra de iniciante.

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Soraia Alves, jornalista na editora Alto Astral e colaboradora do Rock 'n' Beats

Melhor partida: Costa Rica x Holanda. Ninguém imaginava que a Costa Rica chegaria tão longe. Ninguém imaginava que a Costa Rica encararia a experiente e temida Holanda de igual para igual. Muita gente torceu pra Costa Rica como para o seu time do coração nesse jogo. E todo mundo ficou com pena de vê-los sendo eliminados nos pênaltis. Jogo inesquecível.

Melhor jogador: Robben. Além de ser o motor da Holanda, Robben, com seus 30 anos, deixou muito jogador de vinte e poucos anos no chinelo. O físico e disposição do jogador são invejáveis. Mas ele não é só um jogador veloz e resistente, é também habilidoso e bem esperto para saber usar a seu favor situações com faltas e pênaltis.

Melhor gol: James Rodriguez no jogo Colômbia x Uruguai. O gol de Götze, que deu o título para a Alemanha, não foi só decisivo, foi também muito bonito. A falta cobrada por David Luiz contra a Colômbia, o peixinho de Van Persie... Todos gols incríveis e dignos de admiração. Mas a imagem, em todos os ângulos, de James Rodriguez matando a bola no peito e chutando de primeira, girando o corpo, de bem longe do gol, no jogo de sua seleção contra o Uruguai é uma das imagens mais lindas do futebol nos últimos tempos.

Destaque pessoal: As rodas e grupos femininos comentando futebol. De grupos formados no Whatsapp a mesas de bar. As mulheres se juntaram não só para falar dos jogadores mais gatos dessa Copa, mas para comentar as partidas, muitas vezes simultaneamente ao jogos. E, contrariando totalmente às declarações da atriz e apresentadora Maitê Proença, as mulheres não só sabem torcer, mas também entendem de futebol. Afinal, essa foi a Copa de 2014, o mundo evoluiu um pouquinho já, não é?!

Maior decepção: Sem dúvida, a maior decepção da Copa é a seleção brasileira. E não só para nós brasileiros. O desempenho da seleção deixou perplexos todos que acompanham futebol. É, realmente, inexplicável e inacreditável a visível apatia de um time recheado de jogadores-estrelas, como nos últimos dois jogos da seleção. Inexplicável.

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(Reprodução/TV Globo)

Escalação ideal: Neuer; Lahm; Hummels; Vlaar; Blind; Mascherano; Schweinsteiger; Robben; Messi; James Rodriguez; Neymar; Técnico: Louis Van Gaal

Expectativas para a copa de 2018: Acho que depois da sensação de "Copa da Copas" aqui no Brasil, qualquer país-sede vai querer mostrar que também sabe fazer uma boa festa e que seu povo também é super receptivo com o público. Então, não espero menos do que uma outra grande Copa, um público ainda mais apaixonado e a fim de acompanhar cada jogo, seleções e jogadores ainda mais nivelados, sem favoritismos de "potência do futebol". E, claro, uma gigante presença das redes sociais ao longo do evento todo. E, se vale uma aposta, acho que a seleção dos Estados Unidos vai ainda mais longe do que em 2014.

Seleção Brasileira: A primeira coisa é reconhecer que o tempo passou e o futebol globalizou. Os outros países também amam o esporte, investem nisso e criam seus craques. Essa "síndrome de Pelé" - temos o melhor jogador do mundo de todos os tempos - tem que acabar. Hoje o melhor do mundo pode ser português, alemão, argentino e se a gente continuar achando que só a cor da camisa vai impor respeito ao adversário, vai levar muitas outras goleadas. Afinal, esses jogadores se conhecem e se enfrentam o ano todo. Administrativamente, seria melhor zerar a CBF e começar de novo. Mas vamos falar de coisas um pouco mais plausíveis, como um pouco menos de estrelismo por parte dos jogadores e até mesmo uma nova abordagem feita pela imprensa. Menos namoradas de jogadores, mais futebol.

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Karina Pilotto, repórter de cultura do jornal O Liberal

Melhor partida: Alemanha x Portugal. Gostei de ver a garra da Alemanha logo em sua primeira atuação e fiquei surpreendida com a qualidade técnica. Não erravam um passe! E tiraram o salto do Cristiano Ronaldo (tudo bem que depois fizeram o mesmo com o nosso time inteiro).

Melhor jogador: Robben. Ele demonstrava muita garra e força de vontade, não desanimava nem nas prorrogações, e estava mais em forma do que muito jogador "novinho".

Melhor gol: O gol contra do Marcelo! Quem poderia prever que o primeiro gol da Copa no Brasil seria de um brasileiro, mas contra?

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Destaque pessoal: David Luiz ganhou destaque por toda sua simpatia em campo, e também pela vontade de querer salvar a tudo e todos, inclusive os que não eram do time dele, como no caso do James Rodriguez.

Maior decepção: Eu já tinha muita certeza que o Brasil perderia da Alemanha, mas no fundinho ainda tinha uma esperança de perder por 1x0. Perder faz parte, mas 7?

Escalação ideal: Eu não mexeria no time da Alemanha, afinal, time que está vencendo, a gente não mexe. Achei muito inteligente essa história de começar a treinar anos antes do mundial, logo se vê que o resultado é muito mais eficaz do que meses de treino (alô CBF).

Expectativas para a copa de 2018: Não aposto no Brasil como campeão, mas acho que a Holanda poderia levar. Eles realmente mereciam. Acho também que será um momento político importante, uma possível aproximação da Rússia com outros países.

Seleção Brasileira: Falta técnica, disciplina, e, principalmente, humildade. Os jogadores se preocupam muito mais com marketing do que em fazer gol. Parecem estrelas do rock disputando por flashes. Saudades do tempo em que os jogadores quase pagavam para jogar, não se importavam em ganhar salários como os dos "mortais" e faziam tudo com muito amor. Tempos em que eu nem era nascida, claro.

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