OPINIÃO
27/05/2014 11:12 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

Sobre mudança sistêmica e protagonismo cidadão

Quando entendermos esse poder e conseguirmos utilizar as nossas habilidades como agentes de transformação (changemakers), caminharemos em direção ao tão amplamente desejado desenvolvimento sustentável.

As demandas sociais têm aumentado progressivamente. Melhorias da qualidade de vida, maior cuidado com o meio ambiente, transparência política, acesso a saúde e educação são apenas algumas das necessidades percebidas nos mais distintos cantos do mundo. Aos poucos, membros da sociedade civil entenderam que podem adquirir um papel protagonista nas questões sociais, nas tomadas de decisão e na mudança de mentalidade de sua comunidade - o que, por extensão, é capaz de gerar transformações reais em âmbito sistêmico - seja regional, nacional ou mesmo globalmente.

No início dos anos 80, o norte-americano Bill Drayton utilizou pela primeira vez a expressão "empreendedores sociais" (social entrepreneurs, no original em inglês) para definir aqueles indivíduos pragmáticos e persistentes, que combinam a visão de longo prazo - típica do mercado - às preocupações com as demandas sociais. Pessoas que dedicam seus esforços a uma sociedade mais justa, e desenvolvem projetos inovadores com potencial para atingir os principais problemas enfrentados pela sociedade. Foi nessa mesma época que fundou a organização Ashoka, que se consolidou como a maior rede de empreendedores sociais do mundo, presentes em todos os continentes. Só no Brasil, a rede conta com cerca de 300 empreendedores sociais nas mais distintas áreas de atuação.

Os empreendedores sociais são verdadeiros catalisadores de mudanças sistêmicas. Basta dizer que 50% dos empreendedores sociais da rede da Ashoka conseguiram influenciar políticas públicas, e cerca de 70% geraram impacto nas empresas, através de ações de Responsabilidade Social Corporativa.

Mas, sim, ainda há muito a ser feito. Os sistemas econômicos e político que provocaram as desigualdades ainda estão presentes, potencializando as polarizações sociais. Claramente, os efeitos dessa polarização não atingem apenas alguns grupos sociais ou algumas comunidades em particular, o que nos leva a concluir que precisamos todos - como um sistema - entender nosso papel como agentes de transformação.

O empreendedorismo social vem demonstrando que investir em inovação, criatividade e redes colaborativas é um caminho eficaz na busca por um mundo mais justo e verdadeiramente democrático. Mas *todos* somos capaz de promover transformações sociais nos nossos meios. Quando entendermos esse poder e conseguirmos utilizar as nossas habilidades como agentes de transformação (changemakers), caminharemos em direção ao tão amplamente desejado desenvolvimento sustentável.

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