OPINIÃO
26/10/2018 12:17 -03 | Atualizado 10/01/2019 18:17 -02

O retorno de Ciro Gomes e o prato que se come frio

Garfado pelo PT no início da campanha, pedetista viajou para a Europa quando Haddad mais precisou

Nacho Doce / Reuters
Ciro Gomes acena durante a campanha, em setembro; ele passou as últimas três semanas na Europa REUTERS/Nacho Doce

Vingança é um prato que se come frio. E Ciro Gomes desfrutou o seu vagarosamente nas últimas três semanas na Europa.

Garfado pelo ex-presidente Lula e o PT no início de agosto - quando eles garantiram que Ciro não conseguisse fechar uma aliança com o PSB, seguindo sozinho na disputa -, o terceiro colocado no primeiro turno partiu para Paris quando Fernando Haddad passou a precisar desesperadamente dele - e de seus 13,3 milhões de eleitores - ao seu lado.

Ciro volta de seu tour na noite desta sexta, a dois dias do segundo turno, deixando no ar a dúvida se ainda pode aparecer ao lado de Haddad para pedir votos para o PT até o domingo.

A proximidade da votação e a diferença que chegou a 18 pontos para o líder Bolsonaro levaram Haddad a pedir publicamente o apoio de Ciro em diversas aparições e entrevistas nos últimos cinco dias. Em entrevista ao Roda Viva, na segunda-feira, disse esperar que Ciro desse "um alô de onde estiver".

Nada que Ciro não tenha previsto ao perceber que, de fato, ficaria fora do segundo turno. E, apesar de o pedetista ter declarado "apoio crítico" a Haddad antes de embarcar, sua ausência nas últimas três semanas foi um castigo pela malcriação petista que pode ter custado a eleição para Ciro (para quem não se lembra, ele era o único que poderia bater Bolsonaro no segundo turno de acordo com as últimas pesquisas antes do primeiro turno).

Mesmo se Ciro subir no palanque por Haddad agora, o estrago já foi feito e o seu recado foi dado - de forma quase tão eloquente quanto o discurso do irmão

Seu retorno neste momento e o suspense sobre sua aparição até domingo são a cartada final. Cid Gomes disse, nesta quinta, que não sabia se o irmão atenderia aos apelos de Haddad e até que seus apoiadores preparavam uma recepção no aeroporto para lançá-lo à candidatura de 2022.

No entanto, mesmo se Ciro subir no palanque por Haddad agora, o estrago já foi feito e o seu recado foi dado - de forma quase tão eloquente quanto o discurso do irmão, que em comício do petista há dez dias disse ser "bem feito [para o PT] perder a eleição".

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