OPINIÃO
21/01/2015 18:04 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Os Estados Unidos estão de volta, diz Obama. Mas ainda com cautela em relação ao mundo

O discurso, afinal de contas, é chamado "O Estado da União" - não "O Estado do Mundo". Então talvez Barack Obama possa ser desculpado por dar ênfase à economia americana, nesta terça-feira à noite, e por praticamente ignorar as crises políticas e econômicas do planeta.

Washington - O discurso, afinal de contas, é chamado "O Estado da União" - não "O Estado do Mundo". Então talvez Barack Obama possa ser desculpado por dar ênfase à economia americana, ontem à noite, e por praticamente ignorar as crises políticas e econômicas do planeta.

Houve muita conversa sobre a recuperação dos Estados Unidos da Grande Recessão e sobre o plano do presidente de usar novos programas e cortes de impostos para compensar a estagnação dos salários da classe média (plano que deve ser rejeitado pelo Congresso, dominado pelos republicanos).

Mas, por mais assertivo que tenha sido Obama sobre a solidez e a criatividade da economia americana, o oposto foi verdade no que diz respeito aos assuntos globais - da economia ao terrorismo e ao meio ambiente.

E, se os Estados Unidos estão de volta - a "nação indispensável", como dizem seus líderes -, Obama tem de ser mais franco, ativo e visionário em relação ao mundo.

Para começar, mal houve menção a Paris. O presidente repetiu a mesma ladainha de sempre sobre tolerância e a natureza essencialmente pacífica das religiões, mas não soou nenhum novo alarme e não propôs novas ideias para lidar com uma justificada obsessão planetária com o terrorismo.

Isso tem consequências em todo o mundo, inclusive nos Estados Unidos, onde as pesquisas mais recentes mostram que (agora que a economia está aquecendo) o terrorismo/segurança nacional está no topo das preocupações dos eleitores.

O presidente evitou muitos dos tópicos do mundo em guerra como o conhecemos hoje.

Ataques de drones não são política externa. Ninguém acredita que os Estados Unidos tenham realmente encerrado seu envolvimento militar no Afeganistão e no Iraque. E que evidências existem, de verdade, de que o Irã esteja barganhando de boa fé para abrir mão justamente daquilo que seus líderes claramente cobiçam: o status de potência nuclear?

As propostas do presidente de uma "economia da classe média" são remendos desenhados para aliviar os golpes da face amarga do capital globalizado: uma pressão implacável sobre os salários.

Mas o homem que salvou e protegeu Wall Street e os bancos americanos junto com George W. Bush não vai sugerir reformas globais sistêmicas. E ele não o fez ontem à noite.

Em vez disso, ele defendeu novos e abrangentes tratados comerciais com países asiáticos além da China. Ele certamente tem razões geopolíticas para fazê-lo (os Estados Unidos não querem hegemonia chinesa na região). Mas Obama não mencionou o que os sindicatos americanos sabem: que tais tratados seriam na melhor das hipóteses um arremedo para a classe média que ele quer proteger.

Finalmente, é claro, falou-se de aquecimento global. Neste departamento, o presidente ofereceu como evidência de progresso seu acordo com os chineses para limitar as emissões de carbono - um progresso, sem dúvida.

Mas, se os cientistas estão corretos de que se acelera a chance de catástrofe, o presidente tinha o dever de propor um plano abrangente e urgente - e oferecer sua confiança renovada para liderá-lo.

Obama exibiu um claro ar de superioridade ontem à noite. Mas era para consumo americano - não global.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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