OPINIÃO
11/08/2014 11:46 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:46 -02

Quem são os empreendedores sociais de 2014?

A ideia do empreendedorismo social continua a crescer no imaginário popular, mas é vital torná-la muito mais conhecida. Passamos da ignorância sobre esse novo campo empresarial a um certo interesse educado, e para um desejo real de cooperação por parte dos líderes políticos e das grandes empresas.

Este ano, a Fundação Schwab para o Empreendedorismo Social reconheceu 37 indivíduos pelo seu excelente trabalho nesta área. São pessoas que decidiram seguir adiante sozinhas. Quando alguém cria uma empresa social, não tem uma equipe de gestão para oferecer ajuda ou estímulo. São indivíduos apaixonados e determinados a encontrar soluções para os problemas que vierem a encontrar.

Geralmente, o objetivo de uma empresa social é primeiro responder a um problema que aflige a sociedade e, em seguida, crescer e tornar-se uma organização viável. É difícil prever o que vai ter sucesso e o que vai fracassar. Nossa fundação avalia empresas sociais com base em três critérios principais: a inovação social, seu impacto direto e sua solidez financeira. Buscamos aquelas que tenham a capacidade de mudar o jogo na sua área, e de forma sustentável.

Desde a sua criação, a Fundação Schwab apoiou cerca de 300 dessas entidades. Oferecemos a elas o acesso a nossa rede; elas são convidados para a Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos, e para reuniões regionais do Fórum; participam de várias atividades do Fórum, grupos de trabalho e projetos de pesquisa, e muito mais.

O Reino Unido está na vanguarda do movimento de empreendedorismo social, enquanto Suíça, França e Alemanha ficaram para trás. Na Europa, a maioria de nós vive em estados de bem-estar social, e é só quando essa rede de segurança se enfraquece ou se rompe que o empreendedorismo social emerge como uma força. Como resultado, as organizações que honramos na Suíça ao longo dos últimos cinco anos se dedicam principalmente à criação de postos de trabalho, ajudando idosos, oferecendo apoio nos cuidados com as crianças e reintegrando adolescentes problemáticos à sociedade.

Nos países em desenvolvimento, as necessidades são muito mais agudas, por isso vemos muitos empreendedores sociais atacando problemas como o acesso à água potável, a educação de meninas e jovens mulheres, ou a entrega de remédios em áreas remotas.

Hoje, os empreendimentos sociais mais promissores tentam resolver problemas relacionados à demografia (envelhecimento da população, inclusão social e criação de empregos). Vemos também a inovação nas áreas de tecnologia da informação, educação e e-learning, bem como em tecnologias de comunicação móvel. Pescadores e agricultores agora têm acesso direto aos mercados graças a seus telefones celulares, enquanto a telemedicina traz a possibilidade de diagnósticos remotos.

Os governos podem tomar medidas para incentivar o empreendedorismo social. Eles não podem fazer de tudo, mas devem permitir que as pessoas mais empreendedoras sejam tão inovadoras quanto possível. Isso se faz por meio de legislação e benefícios fiscais, o que facilita a atuação dos empresários.

As instituições globais também devem fazer a sua parte. A Comissão Europeia elevou o perfil do empreendedorismo social com a adoção de uma diretiva nessa área, assim como o G8 e a OCDE. Em todas essas instituições, o "investimento de impacto" tornou-se uma ferramenta muito importante na esteira da crise financeira de 2008.

Um grande número de universidades de todo o mundo oferece estudos em empreendedorismo social, com a liderança de Harvard e Stanford, além do INSEAD e muitas outras universidades europeias. Cooperamos com diversas escolas de administração para que os nossos premiados possam frequentar suas aulas, com o objetivo de melhorar suas habilidades de gestão e seu know-how.

O mundo acordou para o fato de que precisamos de novas ideias pragmáticas se quisermos resolver os grandes problemas da nossa sociedade. A inclusão social vem se tornando uma grande preocupação em todo o mundo, e a contribuição dos empreendedores sociais terá um impacto cada vez mais fundamental.

Todos admiram os empreendedores do Vale do Silício, na Califórnia, que usaram suas inovações para gerar riquezas extraordinárias em curtos espaços de tempo. Espero que a nova geração também admire os empreendedores sociais e perceba que eles também são exemplos.

A seguir, vídeo em inglês com os selecionados, e mais abaixo apresentação com detalhes sonre cada um deles:

Este post é parte de uma série produzida pelo The Huffington Post e pela Fundação Schwab para o Empreendedorismo Social, em reconhecimento à Turma de 2014 de Empreendedores Sociais. Há mais de uma década, a Fundação Schwab para o Empreendedorismo Social vem selecionando os principais modelos de inovação social de todo o mundo. Siga a Fundação Schwab no Twitter (@schwabfound) ou indique um empreendedor social aqui. Para ver todos os posts da série, clique aqui.