OPINIÃO
26/06/2015 15:12 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

Igualdade no casamento, o Partido Republicano e a luta para proteger a Constituição

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de que existe proteção constitucional para casamentos de pessoas do mesmo sexo é a culminação definitiva e maravilhosa de tantos esforços. Acima de tudo, é um testamento para a revolução do sair do armário. Centenas de milhares de pessoas LGBT nascidas em todo tipo de família sem dúvida foram o fator número um na mudança de atitude do país e da nossa corte.

Alex Wong via Getty Images
WASHINGTON, DC - JUNE 26: Same-sex marriage supporters rejoice after the U.S Supreme Court hands down a ruling regarding same-sex marriage June 26, 2015 outside the Supreme Court in Washington, DC. The high court ruled that same-sex couples have the right to marry in all 50 states. (Photo by Alex Wong/Getty Images)

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de que existe proteção constitucional para casamentos de pessoas do mesmo sexo é a culminação definitiva e maravilhosa de tantos esforços. Acima de tudo, é um testamento para a revolução sair do armário. Centenas de milhares de pessoas LGBT nascidas em todo tipo de família sem dúvida foram o fator número um na mudança de atitude do país e da nossa corte.

Muito já se escreveu, e muito ainda se escreverá, sobre a brilhante estratégia jurídica elaborada por Evan Wolfson e tão bem executada em casos históricos por Mary Buonato e Robbie Kaplan. O trabalho de tantos membros da comunidade foi ao mesmo tempo estratégico e inovador.

Muito também se dirá do trabalho político e cultural da Human Rights Campaign e de outros grupos, como a NGLTF (Força Tarefa Nacional de Gays e Lésbicas, na sigla em inglês). As vitórias políticas que também ajudaram a mudar a opinião pública são menos conhecidas. Elas são esquecidas por que foram poucas e ficaram isoladas, à sombra da enorme onda dos referendos estaduais sobre casamentos de pessoas do mesmo sexo. Mas houve grandes vitórias políticas nos Estados: em Nova York, em Washington, no Maine, em Minnesota, em Maryland e em alguns outros.

Mas houve uma vitória política - uma importantíssima jogada de defesa - que abriu o caminho para que a Suprema Corte chegasse a essa decisão histórica. E essa vitória também foi a primeira amostra significativa de que havia apoio dos republicanos para a nossa causa. Apoio que se mostrou crítico em todas as instâncias em que se discutiu a questão nos últimos anos.

É difícil imaginar que somente dez anos atrás o presidente dos Estados Unidos estava no Salão Leste da Casa Branca propondo uma legislação para na prática excluir as pessoas LGBT da Constituição. Mas foi isso o que fez o presidente George Bush em 24 de fevereiro de 2004. Repetindo: o ano era 2004, e uma maioria significativa do país ainda era contrária à igualdade no casamento, o que dava à emenda uma boa chance de aprovação no Congresso.

Lembro bem. Liderei a campanha, cuja sede era a Human Rights Campaign, uma ampla coalizão de ativistas LGBT. Toda a liderança estava à mesa: Lambda, NGLTF, Freedom to Marry, ACLU, NCTE e outros. Especialmente importante foi a parceria com Patrick Guerrero, da ala Log Cabin Republicans. Juntos, nos reunimos com os senadores republicanos John McCain e John Sununu, ambos dispostos a romper com o líder da maioria, Bill Frist. Também convencemos os líderes democratas Tom Daschle e Harry Reid de que conseguiríamos votos republicanos suficientes para garantir que os democratas permanecessem unidos. O argumento conservador era simples - proteger a Constituição. (Eles queriam deixar a questão para os Estados, o que estava OK conosco, pois sabíamos que nossa estratégia era lutar Estado por Estado). Agregamos vozes republicanas importantes fora do Congresso, como Rudy Giuliani e Arnold Schwazenegger (na época governador da Califórnia) e o ex-deputado Bob Barr.

No fim das contas, seis senadores republicanos votaram conosco contra a proposta do presidente Bush. O resultado foi 50 a 48. O presidente e seus aliados ficaram insatisfeitos com a derrota no Senado e pressionaram por uma votação na Câmara. Perdemos muitos deputados nessa votação, mas mantivemos a derrota abaixo dos dois terços necessários para uma emenda à Constituição.

A história contará com muitas versões sobre a virada de jogo na questão do casamento de pessoas do mesmo sexo. Todas elas serão em grande parte precisas. Como estudante da história política, considero chave o momento em que conseguimos que seis senadores republicanos (e 44 democratas) fizessem frente a seu presidente para proteger a Constituição e para dar à Suprema Corte a liberdade para decidir que a Carta também contempla nossos direitos. Até agora, nenhum dos pré-candidatos republicanos à Presidência aprendeu o valor de mostrar liderança e olhar para a frente nessa questão chave -- mas deveriam.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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