OPINIÃO
24/06/2014 16:21 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

"Não querido, você pode mudar o mundo sim"

Sou a favor dos black blocs. E radicalmente contra quem destrói o sonho dos outros, como o pai do menino.

No momento em que escrevo estas linhas aqui no Brasil Post, todos já devem ter lido/visto sobre o jovem black block de São Paulo que foi repreendido pelo pai e levado embora de um protesto. Discussões políticas a parte, eu queria muito me ater ao que senti ao escutar as palavras que ouvi do pai e que me soaram extremamente duras:

"Você não vai mudar o mundo, meu filho"

Eu não sei vocês que me leem no meio dessa copa do mundo maluca que estamos vivendo, mas fiquei sim muito triste e chocado, pensando em quantos "você não vai mudar o mundo" várias crianças e jovens escutam todos os dias nesse país.

Já pensou se os pais do Leonardo da Vinci, Galileu Galilei, Isaac Newton, Tesla, Thomas Edison, Alexander Fleming, Marie Ceurie, Albert Einstein, Abraham Lincoln, Rosa Parks, Martin Luther King Jr, Mandela, Hitler, Tim Berners-Lee, Bill Gates ou Steve Jobs tivessem falado coisas como essa? E se falaram, já imaginou se eles levassem a sério tal frase?

Os exemplos acima mudaram o mundo para o bem e para o mal. Mudaram sozinhos, mas principalmente convencendo multidões sobre seus feitos, inventos e pensamentos. Como disse o "AJ" em seu texto, "dizer para o seu filho que ele não vai mudar o mundo é tirar de uma só vez todos seus sonhos".

"Você não vai mudar o mundo"... uma frase ou uma sentença de morte aos sonhos alheios?

Você, perpetuando o pensamento comum de que "infelizmente ele não vai mudar o mundo", só corrobora para que o Brasil seja um dos maiores polos exportadores de mentes criativas do mundo. Por exemplo, se você quiser seguir uma carreira científica por aqui, prepare-se para penar. Ou para a "burrocracia". Ou para o jogo de cena e corporativismo que em nada ajudam o desenvolvimento de alguma coisa, muito menos da ciência.

Para boa parte da nossa população o bom mesmo é ser mais um na multidão, ter a sua culpa cristã e seu conformismo (Deus quis assim...) e viver sua vidinha reclamando do trânsito, do imposto, dos políticos e de todo o resto. Pra que mudar? Pra que pensar ou sonhar e ir além? Falta uma coisa muito importante para o brasileiro da classe média (para a classe média num geral?): coragem!

Quantos amigos e amigas que saíram de sua zona de conforto e foram em busca de seus sonhos que vocês conhecem e são chamados pelos outros amigos de "os loucos", "os doidinhos", "os revolucionários"? Se você se enquadra nesse perfil sabe bem do que estou falando... Note, não é errado você querer ter estabilidade e viver a sua vida da melhor forma que acha - ou como diria Luan Santana: Eu, você, dois filhos e um cachorro -, mas é errado sim você querer impor seu estilo de vida e seu conformismo para mentes inquietas e que querem mais.

E esse "mais" pode se manifestar de várias formas e jeitos: talvez tentando o Itamaraty; querendo ser astronauta, viajando pelo exterior, participando de protestos de rua ou ações da sociedade civil organizada e ainda iniciando um novo projeto sem nenhum tipo de apoio. O cerne deste texto não é falar bem dos black blocks - grupo o qual, particularmente, eu apoio e sou a favor. O cerne deste texto é falar sobre a destruição de sonhos e o prevalecimento do status quo e do pensamento mediano. Sou radicalmente contra.

Por fim, queria dizer que entendo o pai do menino. Entendo também que em um "evento" como o que ele participava, talvez, eu fizesse o mesmo se fosse pai. Só não posso NUNCA e em momento algum dizer que concordo com as coisas que ele falou para o filho. Não matemos os sonhos alheios por que deixamos de sonhar.

PS: Tentar impor seu estilo de vida mais liberal e "xófem" também não é certo. Eu acho que falta humanidade, o sentimento claro de "respeito e amor ao próximo". Você precisa apenas respeitar o espaço e os direitos do próximo.

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