OPINIÃO
09/07/2014 16:20 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

Post a Stalingrado

Buda Mendes via Getty Images
BELO HORIZONTE, BRAZIL - JULY 08: Philipp Lahm (R) of Germany comforts Oscar of Brazil after the 2014 FIFA World Cup Brazil Semi Final match between Brazil and Germany at Estadio Mineirao on July 8, 2014 in Belo Horizonte, Brazil. (Photo by Buda Mendes/Getty Images)

"O mundo não acabou, pois que entre as ruínas

outros homens surgem, a face negra de pó e de pólvora,

e o hálito selvagem da liberdade

dilata os seus peitos, Stalingrado,

seus peitos que estalam e caem,

enquanto outros, vingadores, se elevam"

Carta a Stalingrado,

Carlos Drummond de Andrade.



Perdemos. Mas seria um grande erro achar que é o fim. Estivéssemos numa guerra, a vitória de um dos lados imprimiria ao outro uma nova e irrevogável realidade - a quem tivesse a sorte de sair com vida. Mas, felizmente, não é o caso. O esporte é justamente a superação da guerra e, nesse tipo de batalha lúdica, que a inteligência humana pode se gabar de ter inventado, o tempo não é linear, é cíclico. É assim com a Copa do Mundo.

Para nossa sorte, os campeonatos esportivos, ao contrário das guerras, têm uma duração pré-determinada e, ao fim de um, sempre se vislumbra a esperança do próximo. No caso das Copas, o intervalo de quatro anos ainda aumenta a possibilidade de que o vencedor da edição passada possa ser a vergonha do campeonato que vem. Foi assim com a toda poderosa Espanha, cuja derrota por goleada na estreia e a precoce eliminação nos rendeu boas piadas.

Portanto, amigos, não nos exponhamos tanto. Ninguém precisa, diante de uma derrota esportiva, mostrar como se comportaria numa guerra. Fosse uma guerra, o que dizer daqueles de vaiaram nosso pelotão quando se avizinhava uma derrota? Fosse uma guerra, o que dizer dos colaboracionistas de primeira hora, que rapidamente tomaram o lado do imperialismo europeu para louvar a superioridade germânica? Fosse uma guerra, o que dizer dos que, "com muito orgulho, com muito amor", estavam ansiosos por ser parte da vitória, mas, rapidamente, abandonaram o campo para não ser parte da derrota? Eles não precisavam se mostrar tanto, mas agora todos sabemos quem eles são.

De todo modo, insisto: não foi o fim. É parte da beleza do futebol: nunca é o fim. E a próxima disputa, em 2018, será para os lados da velha Stalingrado, terra em que outros alemães não puderam vencer. Stalingrado, quantas esperanças!

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