OPINIÃO
09/03/2015 16:03 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Contra a corrupção e a favor da hipocrisia

O jornal O Estado de S. Paulo, acompanhando a famigerada Operação Lava Jato, noticia que o Procurador Geral da República solicitou arquivamento de investigações envolvendo o nome de Aécio Neves. Segundo o jornal, o motivo foi "considerar insuficientes as informações fornecidas pelo doleiro Alberto Youssef".

O jornal O Estado de S. Paulo, acompanhando a famigerada Operação Lava Jato, noticia que o Procurador Geral da República solicitou arquivamento de investigações envolvendo o nome de Aécio Neves. Segundo o jornal, o motivo foi "considerar insuficientes as informações fornecidas pelo doleiro Alberto Youssef".

Estivéssemos de fato em uma cruzada contra a corrupção, não seria o caso de os "indignados" exigirem que o MPF fizesse de fato seu trabalho de investigação, em vez de se fiar apenas na "suficiência" das informações dadas pelo "delator premiado"?

Esse é só mais um episódio que mostra a dificuldade de se debater política no Brasil: o que revolta nossa inculta classe média não é a corrupção, mas sim a pequena redução da pobreza que tivemos. Parece que eles perceberam que pega mal reclamar da falta de diarista, da fila no freeshop ou do aeroporto que "virou rodoviária". Em vez disso, optaram por clamar "contra a corrupção".

Contra a corrupção sistêmica? Contra a doação de empresas privadas em campanhas políticas? Contra o aparelhamento do Estado como "regra do jogo"? Que nada! Isso não choca, isso não incomoda. De modo estratégico e cirúrgico, tomam o cuidado de se indignar apenas com a corrupção do PT.

Antes que as pessoas de pensamento binário me acusem de "governismo" ou "petismo", entendam: devemos SIM nos indignar com a corrupção! Devemos SIM questionar os mecanismos que levam a ela! Devemos SIM tratar o tema de modo republicano, não partidário! E é essa a minha chateação. Usar um suposto senso de honestidade para uma coisa tão pequena quanto o "fora PT", pelos motivos que estão por trás disso, mostra que não estamos ainda em condições de fazer um debate "direita vs. esquerda". O que fazemos, no máximo, é uma discussão de "barbárie vs. civilização". E o que me assusta é que a barbárie, que nos atinge a todos, parece estar vencendo.