OPINIÃO
28/07/2014 10:51 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Anão diplomático não mata crianças

Em vez da defesa, optaram pelo ataque. Em vez do diálogo, optaram pela agressão. O resultado é que, com essa resposta, os atuais governantes de Israel acabaram mostrando mais de si do que de nós.

Khaled Hasan via Getty Images

É possível que o absurdo seja necessário? É possível que o abominável seja preciso? Poucas coisas respondem tão bem a essa questão quanto as Convenções de Genebra, conjunto de tratados que definem direitos e deveres em tempos de guerra.

Se esses documentos são um horrível atestado da nossa bestialidade, já que pressupõem a guerra como uma realidade iminente e inevitável, são também um lampejo da nossa compaixão, por tentarem limitar nosso nível de barbárie, determinando a que grau de desumanidade nos é permitido baixar - por mais paradoxal que isso seja.

Com base nessas convenções, o Itamaraty repudiou, em nota oficial recente, os "excessos" cometidos por Israel na Faixa de Gaza. O documento não pregava o fim do Estado de Israel ou a criação de um Estado Palestino, apenas denunciava que atacar indiscriminadamente alvos militares e civis é uma barbaridade além da "tolerável".

Insisto: não se trata da opinião da diplomacia brasileira e muito menos da opinião deste blogueiro. São os tratados de Genebra (cuja versão vigente foi estabelecida em 1949, após uma guerra que poderia ser lembrada com mais espírito humanitário pelas autoridades israelenses) que repudiam o ataque a alvos civis - e, é bom dizer, tais tratados não abrem exceções para os casos em que o agressor recomende ao civis que abandonem suas casas. Atacar civis é crime de guerra. Simples assim.

Em respeito a isso, este país chamado Brasil, representado legitimamente por meio de governantes eleitos, repudiou o desrespeito de Israel às leis de guerra. Repudiou o assassinato de crianças. Repudiou a barbaridade que consegue extrapolar nosso senso de barbárie. Como resposta, fomos ofendidos pelo atual governo de Israel, que, em vez de rebater as acusações, preferiu nos chamar de "anões diplomáticos".

Em vez da defesa, optaram pelo ataque. Em vez do diálogo, optaram pela agressão. O resultado é que, com essa resposta, os atuais governantes daquele país acabaram mostrando mais de si do que de nós, deixando explícito que uma nação que ataca deliberadamente vítimas indefesas está muito longe de se tornar sequer um anão da diplomacia. Ao contrário disso, vemos um Brasil, cada vez menos alinhando aos interesses estadunidenses, firmando posição clara e democrática no concerto das nações. Parece ser o melhor caminho.

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