OPINIÃO
07/04/2016 10:32 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Como o Facebook pode estragar uma relação

Temos acesso a tanta informação sobre as outras pessoas de forma tão impessoal que tiramos conclusões precipitadas que nos podem fazer perder o interesse em alguém. As relações deveriam ser graduais e, com o Facebook, sabemos tudo a toda a hora.

Sylvain Sonnet via Getty Images
Young couple visiting Paris

Enquanto o Facebook pode ser maravilhoso para a nossa vida social, o mesmo não se aplica aos relacionamentos - desde a traição emocional e física, às perseguições online, às reconciliações com ex-namorados com quem, de outra forma, provavelmente não voltaríamos a falar e até ao próprio divórcio, a ciência tem agora a certeza que o Facebook cria em nós comportamentos susceptíveis de estragar as relações.

E sim, eu sei. Nenhum de nós tem a intenção de mexericar o perfil daquela pessoa nova que conhecemos, ou mesmo do nosso namorado ou namorada. Mas a verdade é que isso acontece. E acontece inconscientemente. O Facebook pode criar ansiedade relativamente às relações e tornar adultos normalmente sãos em adolescentes de 15 anos com uma propensão para serem detetives privados.

Toda a quantidade de informação que está disponível nas redes sociais deixa a nossa mente livre para tirar as conclusões que quisermos. Vemos tudo a acontecer à nossa frente. E se hoje aquele paquera comentou a foto de outra garota e, em nosso post, só "deu like", divagamos e criamos dúvidas que podem não significar nada.

No outro dia, uma amiga conheceu um homem numa festa. conversaram e passaram a noite juntos e, quando no dia seguinte, ela me contou da sua aventura, não foram precisos dois minutos para descobrirmos o seu Facebook, nem cinco minutos para ela perder o interesse: a sua personalidade virtual era, simplesmente, desinteressante- desde 2800 amigos às fotografias ao espelho sem camisa, a posar com os amigos em festas e, para piorar, selfies no carro... foi um "turn-off" virtual.

Se pensarmos na antiga regra de esperar três dias para ligar para alguém, com o Facebook podemos supor que esperamos algo como menos de três horas para dizer um "oi" no chat. Esta habilidade de estarmos constantemente conectados significa que estes começos frágeis das relações são acelerados e isso tem o seu lado mau: conhecemos a outra pessoa muito rápido. E, eventualmente, também decidimos que não gostamos dela muito rápido.

Temos acesso a tanta informação sobre as outras pessoas de forma tão impessoal que tiramos conclusões precipitadas que nos podem fazer perder o interesse em alguém. As relações deveriam ser graduais e, com o Facebook, sabemos tudo a toda a hora.

Na época pré-Facebook, a minha amiga iria esperar que o homem da noite anterior lhe telefonasse, iriam combinar um café, talvez um cinema, iriam conhecer-se melhor e, quando ela descobrisse as suas fotografias sem camisa ao espelho e as suas selfies patetas, a relação já estaria num nível em que a sua personalidade virtual não iria estragar a personalidade real.

Mas então o Facebook foi inventado e, com ele, os perfis destruidores de interesse, os chats a qualquer hora do dia, as selfies, as fotografias ao espelho, os milhares de amigos virtuais, os likes, os comentários e o fim de muitas relações.

LEIA MAIS:

- O que aprendi com relacionamentos que 'não deram certo'

- Os homens made-in-China

Também no HuffPost Brasil:

Galeria de Fotos 10 medos que matam os relacionamentos Veja Fotos