OPINIÃO
14/02/2014 10:30 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:51 -02

Obrigado São Paulo por mostrar ao Brasil que devemos proibir todos os testes para cosméticos

Foi uma excelente notícia quando o governador Geraldo Alckmin assinou recentemente o projeto de lei proibindo testes em animais para cosméticos no Estado de São Paulo. Esse projeto de lei foi de autoria do deputado Feliciano Filho, membro da Assembléia Legislativa de São Paulo, e que vem dedicando sua área de atuação à defesa animal.

São Paulo é o centro brasileiro dos cosméticos, abrigando mais de 700 das 2.300 empresas de cosméticos do país -- mais do que qualquer outro estado brasileiro. O estado detém um terço do produto interno bruto do Brasil, e é também o maior mercado consumidor do país. O próprio Brasil tem o terceiro maior mercado nacional de cosméticos do mundo e o maior da América Latina, com uma quota de 58%.

Quando o governador assinou a lei, introduzindo uma multa de R$ 50.000 reais para qualquer companhia que continuar a submeter animais a dor e sofrimento para a indústria da beleza, isto sinalizou um forte sinal para o nosso governo federal: acabar com testes cruéis para cosméticos é o caminho a ser seguido em todo o Brasil. Esta é a mensagem que a campanha Liberte-se da Crueldade que a Humane Society International está liderando. Este é o momento ideal para o nosso governo levar isso em consideração e cumprir suas obrigações contempladas no artigo 225 da Constituição Federal Brasileira, que lhe confere a proteção dos animais contra a crueldade.

Lugares como a União Europeia, Israel e Índia já baniram testes de cosméticos, como batons e xampus, em animais. Quando essas proibições foram introduzidas, tomadores de decisões reconheciam que já era tempo de parar com testes cruéis para cosméticos, porque isso era a coisa certa a se fazer. Forçar animais a suportar químicos pingados em seus olhos ou ingeridos, para que uma empresa de cosméticos possa lucrar por meio do lançamento de um novo xampu ou uma nova sombra para os olhos, no já saturado mercado de produtos de beleza, é simplesmente inaceitável. Entretanto, a crueldade continua no Brasil.

No dia 10 de março, é celebrada a semana da campanha global da HSI Liberte-se da Crueldade -- e também o aniversário de um ano da proibição histórica, na Europa, de vendas de produtos cosméticos testados em animais. Em breve, o Conselho Nacional de Experimentação Animal decidirá se irá acatar a proposta da HSI para uma proibição em todo o território nacional.

Ciência e ética já deram um passo à frente, e o Brasil também deve fazer o mesmo. Empresas livres de crueldade em todo o mundo combinam o uso de milhares de ingredientes disponíveis para cosméticos, com um histórico de segurança já aprovados, com métodos alternativos para evitar testes em animais. É um projeto livre de crueldade que faz com que o fim de testes cruéis em animais para cosméticos em todo o mundo seja não apenas possível, mas preferível para os consumidores.

A Liberte-se da Crueldade do Brasil atraiu um apoio sem precedentes dos partidos políticos, com mais de 150 deputados federais e senadores assinando a declaração Liberte-se da Crueldade. Celebridades brasileiras como a supermodelo Fernanda Tavares também adicionaram seu brilho ao nosso chamado para cosméticos com ética e compaixão.

Em São Paulo, o crédito vai para o povo brasileiro, para os grupos locais de proteção animal que nós apoiamos e para cidadãos comuns. Eles vêm testemunhando a proibição de testes em animais para cosméticos em outros lugares ao redor do mundo e querem trazer este feito para sua casa também. Enquanto reguladores brasileiros analisam a proposta detalhada da HSI para uma reforma na legislação nacional, São Paulo decidiu não esperar mais. Agora, o resto do Brasil espera por uma mudança.

Enviamos um pleito para o Governo Federal para não mais desperdiçar tempo. As dezenas de milhares de coelhos e outros animais que suportam um sofrimento incalculável para a indústria de beleza do Brasil, já esperaram demais.

É hora do Brasil se juntar ao crescente número de países que estão dando as costas para a beleza baseada na crueldade, e avançar em aprimoramento de tecnologias para garantir a segurança do consumidor e o bem estar animal. À medida que a notícia sobre a proibição em São Paulo se espalha, o mundo volta seus olhares para o Brasil para saber quais serão os próximos passos.