OPINIÃO
13/10/2014 15:37 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

Bactéria que devora suor melhora a aparência da pele

Reprodução

"Bactéria". A simples menção dessa palavra é suficiente para fazer com que muitos corram para se esfregar no antisséptico mais próximo. Mas não são todos os tipos desses microrganismos que fazem mal ao homem. Longe disso. Há muitas bactérias benéficas, inclusive dentro do próprio organismo humano. Estima-se que a quantidade de bactérias dentro do homem seja dez vezes maior do que o próprio número de células humanas.

A novidade que chega agora é o uso de bactérias para a pele. Não as bactérias da própria pele, que são muitas, mas uma outra, capaz de metabolizar a amônia, um dos principais componentes do suor. Ao devorar amônia, diversas melhorias podem ocorrer na pele humana, segundo um estudo apresentado no dia 29 de setembro na ASM Conference on Beneficial Microbes, em Washington, Estados Unidos.

Conduzido por cientistas da empresa AOBiome - uma start-up formada no MIT, o famoso Instituto de Tecnologia de Massachusetts -, o estudo aponta que bactérias que oxidam amônia podem não apenas melhorar a aparência e a saúde da pele mas também atuar no tratamento de ferimentos ou de problemas como a acne.

As bactérias usadas pelos pesquisadores em testes com voluntários são muito comuns no solo e na água. São componentes essenciais do ciclo do nitrogênio e de outros processos fundamentais para o meio ambiente.

Já a amônia tem papel importante em funções fisiológicas da pele, como inflamações, dilatação de vasos sanguíneos e no processo de cura de ferimentos. Ao devorar amônia, essas bactérias também reduzem o pH e ajudam a melhorar o microambiente da pele.

Os cientistas usaram uma linhagem da bactéria Nitrosomonas eutropha, que foi isolada de amostras do solo. Participaram do estudo 24 voluntários, divididos em dois grupos.

O primeiro, o grupo controle, recebeu placebo. No segundo, foi aplicado uma solução de bactérias (vivas, claro) no rosto dos participantes. Isso durante uma semana. Depois, os dois grupos foram acompanhados por mais duas semanas. Os voluntários não puderam usar xampu ou sabonete líquido no rosto durante o período, pois isso poderia atrapalhar o resultado da experiência ao lavar as bactérias.

Segundo os autores da pesquisa, aqueles que receberam a solução com bactéria apresentaram melhorias notáveis na condição da pele em relação ao outro grupo. Por meio de um exame, a presença dos microrganismos foi registrada em quase todos eles após a primeira semana e em 60% deles após duas semanas. As melhorias observadas puderam ser relacionadas com a quantidade de bactérias que permaneceram na pele.

Os cientistas afirmam que não foi verificado qualquer efeito adverso da aplicação da bactéria nos rostos dos voluntários. A próxima fase do estudo envolve o uso das bactérias devoradoras de amônia no tratamento da acne ou de úlceras por complicação do diabetes.

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