OPINIÃO
21/02/2014 10:09 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

A Copa perdeu e os Black Blocs também

O brasileiro fica de mau humor quando o assunto é Copa do Mundo. Não só com a Copa, nem com o governo, mas com quem tenta se aproveitar dessa rejeição para fazer política.

A pesquisa do instituto MDA para a Confederação Nacional do Comércio investigou o ânimo dos brasileiros em relação à Copa do Mundo. E comprovou que eles estão de mau humor. Não só com a Copa, nem com o governo, mas com quem tenta se aproveitar dessa rejeição para fazer política. Os Black Blocs estão tão em baixa quanto a Fifa.

Na primeira pergunta, nada menos que 75,8% dos entrevistados disseram considerar que os investimentos feitos no país para realização da Copa foram desnecessários. Para 13,3%, eles foram adequados e ainda há 7,3% para quem o Brasil gastou pouca na infra-estrutura para receber o torneio.

Quando o assunto são os estádios, a condenação é ainda maior. Para 80,2% dos pesquisados, o dinheiro gasto com as arenas teria sido melhor investido em outras áreas mais importantes. Do outro lado, 17,6% acreditam que os novos estádios são positivos, pois vão ajudar a desenvolver o esporte no país.

O ceticismo é grande. Apenas 27,7% dos brasileiros ouvidos pela pesquisa acreditam que as obras de modalidade urbana ficarão prontas antes da Copa. Para 66,6%, elas vão ficar para depois dos jogos.

O resultado é um baixo nível de adesão à Copa. Se o Brasil se candidatasse hoje a sediar o evento, 50,7% dos pesquisados não apoiariam a pretensão. Outros 19,7% apoiariam parcialmente e só 26,1% se dizem totalmente fechados com o projeto.

Isso significa que veremos centenas de milhares de brasileiros nas ruas este ano protestando contra a Copa? Não é tão simples assim: para 85,4% dos pesquisados haverá manifestações públicas durante o torneio. Mas 82,9% diz que não pretende participar.

A pesquisa não pergunta o motivo dessa resistência em sair às ruas, mas é possível especular. A violência trazida pelos Black Blocs e pela polícia retirou das manifestações o caráter de festa popular que elas tiveram em junho. Os Black Blocs tiveram o papel que as torcidas organizadas costumam ter nos estádios. Se as organizadas afugentam os torcedores "normais", os manifestantes violentos afastaram a classe média das ruas. A tendência é que tenhamos manifestações, mas que elas sejam dirigidas e protagonizadas pelos militantes mais radicais, sem atrair multidões.

Em junho, outro instituto de pesquisa, o Datafolha fez uma pesquisa entre moradores da capital de São Paulo. Naquele momento, em que as manifestações viviam seu auge, o apoio aos protestos era de 89% dos paulistanos. Em setembro, era de 74% e em outubro havia caído para 66%. Já nessa época, a condenação aos Black Blocs era de 95%.

O ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, William Hague, esteve no Brasil esta semana e adicionou um componente a esta equação. Segundo a coluna de Ilimar Franco, no Globo, ele disse que os protestos também aconteceram na Inglaterra, às vésperas dos Jogos Olímpicos do ano passado. Mas, na hora em que os jogos começaram, foram substituídos por patriotismo e muita torcida. Claro que o ótimo desempenho dos atletas britânicos ajudou. Segundo esse raciocínio, uma parte muito importante do julgamento final da Copa de 2014 depende de Felipão e seus comandados. E, dentro de campo, há mais otimismo. Para 56,2% dos entrevistados pelo MDA, o Brasil leva a Taça. Os pessimistas ficaram em 34,6% e outros 9,2% preferiram não dar palpites.