Opinião

Napoleão escovava os dentes?

Quantas vezes ao dia você escova os dentes? Uma? Duas? Três? Mais do que isso você tem mania, obsessão, TOC, sei lá - e, desculpa, não é aqui que você vai resolver isso, é no divã. O que importa aqui é um pensamento que me ocorreu outro dia.

Quantas vezes ao dia você escova os dentes? Uma? Duas? Três? Mais do que isso você tem mania, obsessão, TOC, sei lá - e, desculpa, não é aqui que você vai resolver isso, é no divã. O que importa aqui é um pensamento que me ocorreu outro dia.

Você já parou pra pensar no ato, propriamente dito, de escovar os dentes? São cerdas que ficam raspando pra lá e pra cá em nossos dentes para mante-los limpos. É igualzinho àquelas vassouras de aço limpando chão de pedra, sabe? Só que a pasta de dente faz as vezes do sabão em pó. Pode reparar, até o barulho é igual.

Eu não sei quando foi que começamos a escovar os dentes. Quer dizer, será que Napoleão escovava ou os seus súditos eram obrigados a aguentar seu mau hálito? Pelo que a Wikipedia me revelou, a escova mais antiga da Europa data de trezentos anos, o que quer dizer que Napoleão escovava os dentes. Mas não quer dizer que seu bafo era dos melhores, já que as cerdas - hoje de nylon graças a Du Pont - eram feitas com pelo de porco ou cavalo.

O engraçado é que nem o nylon da Du Pont melhorou tanto assim a escovação. Eu, por exemplo, faço parte da primeira geração realmente preocupada com a limpeza e a estética dos dentes. Não conheço um pai ou avô que não tenha, pelo menos, os molares acinzentados. Banda, canal, prótese, coroa, amálgama. Está tudo lá nas bocas de nossos antecessores. Dá nojo só de pensar, mas pra quem não cresceu vendo Castelo Rá-Tim-Bum, é a coisa mais natural do mundo.

E pensar que até outro dia a gente estava criticando a Gillette por querer definir estética com homens de peitos depilados. Ué, mas e o sorriso Colgate? Quem foi que decidiu que menta é sinônimo de boca limpa? E olha que eu não sou de teorias da conspiração, nem nada, mas você só consegue pensar em uma palavra para definir aquela sensação que fica logo depois de escovar os dentes, de se livrar da placa bacteriana, de ficar com hálito gostoso, exalando menta. É uma sensação de...

Refrescância! A palavra que não existe. Ou melhor, não existia. Um neologismo criado há muito tempo para vender pasta de dente e que foi tão incorporado no cotidiano, mas tão incorporado que até os dicionários passaram a incluir a palavra. No Houaiss sua origem é do ano 2000 e ganhou o significado de "sensação de frescor". E eu aqui pensando mal da Gillette.

Mas com ou sem conspiração, o fato é que para alcançar a tal da refrescância, o processo é bastante longo. Eu escovo os dentes pelo menos três vezes ao dia, todas usando o fio dental antes e o Listerine depois - na verdade é Plax, mas fico com vergonha de falar. E ai de mim se esquecer do limpador de língua e buchecha. Hoje em dia até a limpeza da nossa boca é 360º, é holística.

E assim como toda teoria aplicada, escovar os dentes guarda suas peculiaridades. Tem o que gosta de fazer parado olhando para o espelho e o que prefere circular pela casa. Há os quietos e aqueles que tentam falar com a boca espumando. Os que seguram a escova como seguram um martelo e os que a utilizam de maneira mais sutil, como se segurassem um caneta. E claro, tem o indeciso, que cada dia faz de um jeito.

Então, seja você da escovação bolinha ou vassorinha, do Listerine ou do Plax, do holismo ou dos métodos unilaterais, esqueça as conspirações, agradeça a Du Pont e tome cuidado com a cárie.

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