OPINIÃO
26/01/2015 11:51 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Não sou conduzido, conduzo

Ontem foi um dia especial. Quando acordei, antes de tomar meu iogurte com granola, fui até o Google achar uma foto bem bonita da Ponte Estaiada pra postar. Achei: 'Parabéns, São Paulo! #LocomotivaDoBrasil #NonDucorDuco #461anos.'

Ontem foi um dia especial. Quando acordei, antes de tomar meu iogurte com granola, fui até o Google achar uma foto bem bonita da Ponte Estaiada pra postar. Achei: Parabéns, São Paulo! #LocomotivaDoBrasil #NonDucorDuco #461anos.

Depois do Instagram e da granola, enquanto as curtidas aumentavam, deixei minha Pajero na garagem e fui passear pelas ruas da paulicéia usando a ciclo-faixa, porque domingo é dia de andar de bicicleta. Bicicleta é lazer, viu, prefeito? Pedalo pela Paulista, desço a Cardeal e vou até Pinheiros, almoçar.

E Pinheiros é uma delícia. Um restaurante na Mateus Grou, desses tipo bistrôzinho carioca com cerveja em copo americano e que deixa entrar de chinelo. Cobra sessenta reais no picadinho, mas e daí? Comida boa, ambiente bacana, atendimento rápido, cerveja e amigos no aniversário da cidade. Vale. Quem disse que está aflitivo viver por aqui?

Na terceira cerveja, enquanto faço carinho no Ernesto, o Golden da Pati, uma viatura da PM passa pela rua, verificando, vigiando o nosso patrimônio. "Se a nossa polícia mata mais que a dos EUA inteira é porque temos mais mais bandidos na rua, que precisam sentir medo.", comenta um amigo. Concordo, mas penso: será que eles tem sentido o mesmo medo que eu? Deixa pra lá. Hoje é dia de comemoração.

Eu tenho um apartamento com varanda gourmet e três vagas na garagem. Uma raridade nesses tempos de "humanização" de São Paulo. É a nova moda urbanística: a cidade tem que ser feita para as pessoas, não para os carros. E quem dirige os carros são o que? Eu até entendo que tem muita gente que precisa andar a pé pelas calçadas e, realmente, elas não estão muito boas, mas eu, eu vou da garagem pro estacionamento do estacionamento pra garagem. E vamos combinar que com 40 graus lá fora nem em uma calçada de mármore deixaria a situação melhor.

No fim do almoço, a Pati conta que começou sua pós na USP e a universidade está ótima. "Não tem greve, nem prédio abandonado, como falam por aí", disse ela antes de revelar o curso na FEA: Gestão de Risco do Mercado. "Isso é coisa de quem acha que tem que ter tudo de graça. Eu pago e não vi nada de errado", finalizou com um gole no seu Nespresso Descafeinado da Sumatra.

Depois do café e das despedidas, pego minha bike e volto pedalando enquanto aproveito um pouco mais as ruas dos bairro. No caminho, troco o fone de ouvido por alguns pensamentos: o que tem de ruim aqui é o PT fazendo o que sempre criticou.

Logo ele, tão crítico ao imperialismo norte-americano e aos estrangeirismos, está tentando importar tudo de fora: praças no lugar de vagas na rua, fios aterrados, eventos gratuitos, ônibus com ar-condicionado, desativação do Minhocão, Plano Diretor novo. Aqui não é Nova York, não. Não adianta tentar imitar até porque quem nasceu pra ser Ibiraquera jamais será Central Park, meu filho.

Chego em casa feliz e aproveito para postar mais uma foto, ainda na bike: Domingo na cidade que amo! #SãoPaulo461 #ParabensSãoPaulo. Cansado, preciso de um copo d'água, mas quando abro o filtro não sai nada. Nem no aniversário? Dá um tempo, São Pedro!

Siga a gente no Twitter

Acompanhe mais artigos do Brasil Post na nossa página no Facebook.

Para saber mais rápido ainda, clique aqui.

VEJA TAMBÉM:

Galeria de Fotos Desafios do governo de São Paulo Veja Fotos