OPINIÃO
06/07/2014 11:02 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

Só nos resta chorar!

A nova ordem do dia é ser um homem sensível, que sabe verter uma lágrima - cênica ou não -, porque a lágrima é o sentimento materializado, líquido e certo. Não à toa, Cristiano Ronaldo, o ciborgue do futebol-finança, o narciso desalmado e apátrida, deve entrar para a história desta Copa como o mercenário incapaz de demonstrar um afeto, mínimo que seja, pelo seu país.

MARTIN BERNETTI via Getty Images
Brazil's defender David Luiz (R) cries as he hugs Brazil's goalkeeper Julio Cesar after they won their match against Chile in a penalty shoot out after extra-time in the Round of 16 football match at The Mineirao Stadium in Belo Horizonte during the 2014 FIFA World Cup on June 28, 2014. AFP PHOTO / MARTIN BERNETTI (Photo credit should read MARTIN BERNETTI/AFP/Getty Images)

Texto do amigo Vinícius Barreto, que faço questão de compartilhar:

Parece que a nova onda agora é chorar: chora-se porque se ganhou, chora-se porque se perdeu; e chora-se porque empatamos, afinal toda hora é hora de chorar (e todo empate é de chorar). Um amigo lembrou que em Copas anteriores não se chorava tanto. Riquelme, da Argentina, por exemplo: era o mais melancólico dos jogadores, pelo que me lembro. Nem na vitória abria um sorriso, porque toda vitória lhe era de Pirro. Sinto saudades de Riquelme e seu pessimismo existencial, sempre engolindo o choro.

Não nos enganemos: a Copa é um grande laboratório comportamental. Pela visibilidade que lhe é dada, define sutilmente tendências, que vão das chuteiras bicolores da Puma ao... novo homem que chora! A nova ordem do dia é ser um homem sensível, que sabe verter uma lágrima - cênica ou não -, porque a lágrima é o sentimento materializado, líquido e certo. Não à toa, Cristiano Ronaldo, o ciborgue do futebol-finança, o narciso desalmado e apátrida, deve entrar para a história desta Copa como o mercenário incapaz de demonstrar um afeto, mínimo que seja, pelo seu país (embora toda a beleza de CR7 esteja em tornar visível a lógica dos demais craques-ciborgues do futebol-finança... mas essa visibilidade não interessa; melhor apagá-la e ficarmos com a do novo homem... que chora).

As namoradas e esposas, daqui pra frente, começarão ao cobrar de seus homens: "Poxa, amor, você nunca chorou por mim!" E as serenatas à beira da janela serão substituídas pelo coro das carpideiras, contratadas a toque de caixa por namorados desesperados em demonstrar que são, afinal, sensíveis. São o novo homem!

Se eu fosse um intelectual francês com charme, eu diria que estamos vivendo uma passagem de um regime de masculinidade a outro: o do mundo de Marlboro ao mundo do choro.

Só nos resta chorar...

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