OPINIÃO
18/12/2015 12:07 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Sobre Star Wars 7: Parabéns e obrigado

Desde que a Disney comprou os direitos de Star Wars, lá em 2012, a expectativa sobre o reinício da saga só foi aumentando.

Atenção: este post tem alguns spoilers.

Desde que a Disney comprou os direitos de Star Wars, lá em 2012, a expectativa sobre o reinício da saga só foi aumentando. Um novo filme foi anunciado, com novos personagens, novas histórias e novo diretor. Foi um alívio saber que a franquia sairia das mãos de seu criador George Lucas, que havia nos apresentado a questionada (e questionável) trilogia mais recente, aquela com filmes produzidos quase agora mas com histórias que se passam antes da trilogia original, que foi feita antes mas que se passa depois... ENFIM, estou falando dos episódios I, II e III, filmes lançados entre 1999 e 2005.

Escolhido para dirigir os novos filmes, o diretor J.J. Abrams tinha uma missão difícil nas mãos: continuar a história de onde ela havia sido finalizada em 1983, permanecendo fiel para agradar os fãs antigos e sendo atraente à uma nova geração de espectadores, principal foco da Disney. Eles souberem esconder bem as surpresas do filme. Os trailers entregaram poucas sobre o enredo, e muitas dúvidas levantadas ali (Onde Está Luke?) foram exploradas n'O Despertar da Força. É como se o pacote completo, a "experiência" completa do filme comece também nos trailers. Isso é genial! Por ter conseguido atingir esses objetivos com méritos, todos os envolvidos merecem os parabéns.

BB-8 carrega traços dos melhores mascotes oitentistas: carisma, humor e importância

Parabéns pelo respeito ao original

Vários conceitos clássicos estão presentes. Isso acaba rolando também porque esse episódio é uma sequência direta de O Retorno de Jedi, então no lugar de uma república bem estruturada como nos episódios I, II e III vemos uma galáxia tentando se recuperar de uma guerra e anos de ditadura imperial. Por isso as coisas não são tão limpas como nesses filmes mais novos.

O visual é mais metálico e poluído. O capacete branquíssimo dos Stormtroopers fica todo sujo de poeira e sangue, por exemplo. Méritos ao diretor que optou por usar mais cenários reais do que digitais, tendo que construir bonecos em tamanho natural para representar alguns monstros alienígenas. Isso, além de aproximar à obra original, torna esses novos mundos muito mais críveis.

Uma coisa que vem incomodando parte do público é a repetição de trechos do roteiro de Uma Nova Esperança. Tanto no primeiro filme, lançado em 1977, quanto aqui, temos um robô carregando uma mensagem importante, um herói que não sabe sua origem perdido num planeta deserto, uma super arma gigantesca destruidora de mundos... Mas tudo isso é feito com cuidado e respeito muito grandes. Se trata de uma homenagem ao clássico, e não uma refilmagem daquela obra.

Parabéns pelos personagens

Cara, o novo trio apresentado formado pela Rey (Daisy Ridley), Finn (John Boyega) e Kylo Ren (Adam Driver) funcionou muito bem. Tanto entre si quanto contracenando com os figurões das antigas Harrisson Ford e Carrie Fisher. É uma pena que o novo vilão não tenha o carisma de Darth Vader, nem o visual impactante (leia-se: maneiro pra caralho!) de Darth Maul e sem a máscara cause uma irritação em parte do público à la Hayden Christensen (o Anakin Skywalker) fazia. Mesmo assim, ele está longe de ser um personagem ruim e talvez esses problemas sejam compensados por sua história, que tem uma carga dramática muito importante.

A dinâmica entre todos os personagens convence e empolga. E o tempo todo há um subtexto de "passar o bastão". É como se o J.J. estivesse falando: "ok, a gente ama o que foi feito, respeitamos isso. Mas agora é nossa vez" - e nisso a Rey pilota a Millennium Falcon. Aliás, não apenas pilota como conserta e domina a nave. Aliás, não só a nave como o filme!

Sério, que delícia ainda não saber nada sobre a origem dessa personagem e ficar agora teorizando em cima disso. A enxurrada de artigos que virá enaltecendo a importância dela será totalmente justificável. Pelo visto é ela quem guiará a saga e, nesse filme, protagoniza uma das cenas mais impactantes e bonitas. Acredito que quando a saga revelar o segredo sobre a Rey será o momento "Luke, eu sou seu pai" da nossa geração.

Parabéns por criar uma saga nova

Se um dos objetivos da Disney era agarrar um novo público, eles parecem ter conseguido. Mesmo que fossem histórias inéditas, a gente sabia que a trilogia de Lucas lançada nos anos 2000 culminaria na criação do vilão Darth Vader. Sabíamos o final, o interessante era descobrir como a história chegaria ali. Agora não. A gente não sabe para onde estamos indo com esses novos filmes do J.J., tudo é novo!

E obrigado por esse filme.

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS: