OPINIÃO
24/03/2016 18:29 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Para quem esperava pouco, 'Batman vs Superman' é um filme surpreendente

Superman ainda não é um personagem muito estabelecido e unânime entre os fãs que não leem muito os quadrinhos, como acontece com Batman, Homem Aranha e Homem de Ferro, por exemplo. Talvez algumas opções do filme não ajudem para que isso mude, o que é uma pena, tornando a obra muito mais uma origem do Morcego (mais uma?!) e uma bela apresentação da Mulher Maravilha. Vale como divertimento e introdução a coisas maiores que virão por aí - muitas sementes foram plantadas sobre o futuro dos filmes da DC no cinema.

Reprodução/IMDB.com

ATENÇÃO: Este texto não contém spoilers

Zack Snyder é um diretor que nunca me passou muita confiança. Seus grandes méritos e competências no campo visual dos filmes sempre ficaram abaixo de sua compreensão da história e personagens quando ele se envolveu na direção de grandes adaptações de quadrinhos como Watchmen e Man of Steel.

Dessa forma, a expectativa de que Batman VS Superman fosse ruim só estava menor que meu receio em relação ao filme. A escolha dos atores não ajudou em nada, sobretudo com Jesse Eisenberg sendo escolhido como Lex Luthor num momento em que Bryan Cranston estava sendo merecidamente premiado por sua careca na série Breaking Bad. Tudo isso foi superado pelo filme, que é sequência de Man of Steel (2013) e coloca Batman, Superman e Mulher Maravilha juntos pela primeira vez no cinema.

A história é surpreendentemente convincente. Luthor está numa empreitada de desmoralizar Superman, colocando a opinião pública contra o herói e manipulando boa parte dos personagens.

A motivação de Batman para lutar contra o alienígena também convence, e a presença da Mulher Maravilha é um dos pontos altos do filme. Embora beba muito da fonte de Cavaleiro das Trevas - história escrita por Frank Miller e considerada um marco nos quadrinhos -, o filme também pega elementos da saga A Morte do Superman e tem cenas que lembram muito alguns quadros de Reino do Amanhã. Dizer mais seria spoiler e estragaria boa parte da trama.

Isso não significa que o filme não tenha problemas. Um longo tempo da obra é usada para criar um clima que promete muita coisa, e até chega a cumprir, mas depois de muita promessa. A primeira hora é cheia dos maneirismos de Snyder, com câmeras lentas excessivas em momentos com os personagens caminhando (eles caminham em câmera lenta, meu deus!).

Tudo para que se construísse a áurea grandiosa, épica, que queriam colocar no filme. Tudo bem, o peso dos personagens envolvidos até merecia essa megalomania, mas o tom é soturno demais, muito denso. Chega a ser prepotente, porque passa um tom de camadas no enredo que na realidade não existem. Daria para ser sério e mais divertido também.

Atores convencem nos personagens

Interpretado por Bem Affleck, muito questionado por parte dos fãs (inclusive por este que vos fala, com o perdão do clichê), Bruce Wayne/Batman é muito mais psicótico e violento que as outras interpretações do personagem no cinema. Um dos envolvidos na produção já havia adiantado isso durante a CCXP do ano passado, dizendo que é um Batman diferente de todos os outros dos últimos anos. Temos aqui um Cavaleiro das Trevas que não superou a morte dos pais, vingativo e com tons de psicopata que respeita muitos cânones do herói nos quadrinhos (não vestir a roupa de dia é um deles, por exemplo). E bem interpretado por Affleck (quem diria!).

A atriz Gal Gadot também convence no papel de Mulher Maravilha. A personagem, aliás, foi bem inserida na trama e destoa dos outros coprotagonistas. Numa das cenas de luta, por exemplo, enquanto Superman e Batman se mostram assustados com o vilão, ela parte para cima da luta sorrindo. Se trata de uma grande ameaça que ela enfrenta SORRINDO, como quem está mais interessada pelo desafio à altura de sua capacidade do que preocupada com a ameaça em si - não que ela não esteja, claro. Talvez o posicionamento da Maravilha, que está em pé de igualdade com os outros dois heróis (se não estiver mais poderosa até), chegue a se desculpar pelos outros momentos em que o filme coloca as personagens femininas em perigo para que sejam salvas.

Mas pouco se fala de sua origem, por isso muito dela foi "poupado", economizado, no filme. Esse é um dos ganchos de curiosidade para o universo que nasce a partir de "BvS". DC/Warner optaram por usar personagens que, dentro da história, já estão estabelecidos, para depois contar origens separadas de cada um. Há menções a outros e a quantidade de heróis apresentados chega a ser assustadora (são seis no total), mas conseguiram fazer isso de uma maneira boa. É um caminho diferente da concorrente Marvel/Disney, mas ainda não dá para avaliar se é melhor ou pior.

Superman ainda não é um personagem muito estabelecido e unânime entre os fãs que não leem muito os quadrinhos, como acontece com Batman, Homem Aranha e Homem de Ferro, por exemplo. Talvez algumas opções do filme não ajudem para que isso mude, o que é uma pena, tornando a obra muito mais uma origem do Morcego (mais uma?!) e uma bela apresentação da Mulher Maravilha. Vale como divertimento e introdução a coisas maiores que virão por aí - muitas sementes foram plantadas sobre o futuro dos filmes da DC no cinema.

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