OPINIÃO
05/02/2015 17:38 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Marcha de Luther King pela igualdade racial é tema de filme

Indicado ao Oscar de melhor filme e melhor canção, o longa conta a história das marchas que partiram da cidade de Selma, no interior do Alabama, até Montgomery, capital do estado. Os atos pacifistas mobilizaram os EUA e foram liderados por Luther King, que no filme é vivido por David Oyelowo. Filme estreia nesta quinta-feira, 5.

Em 1965 os Estados Unidos estavam em plena guerra contra o Vietnã do norte. Tropas do exército foram enviadas para a parte sulista capitalista do país asiático a fim de auxiliar na luta. Tudo em nome da liberdade. Era estranho que um país deslocasse tanto de sua estrutura bélica e econômica para libertar vietcongues das garras comunistas ao mesmo tempo em que privava seus cidadãos do direito básico do voto. Até 1965, negros ainda enfrentavam grandes restrições para obter o título de eleitor nos Estados Unidos e somente após a luta pacifista de Martin Luther King Jr. que a história se reverteu. Selma - Uma Luta Pela Igualdade estreia nessa quinta-feira, dia 5, e conta a história dessa luta. Ou melhor, dessa passeata.

Indicado ao Oscar de melhor filme e melhor canção (que você pode ouvir aqui), o longa conta a história das marchas que partiram da cidade de Selma, no interior do Alabama, até Montgomery, capital do estado. Os atos pacifistas mobilizaram os EUA e foram liderados por Luther King, que no filme é vivido por David Oyelowo. Na tela, o ator consegue atingir o tom enfático dos discursos do ativista numa atuação que ao mesmo tempo engrandece o mito Luther King e humaniza a pessoa por trás disso. "Tendemos a pensar em King como uma estátua, um discurso ou um feriado [nos EUA o Dia de Martin Luther King é comemorado toda terceira segunda-feira de Janeiro], mas ele era uma pessoa, uma pessoa que teve relacionamentos complicados, uma pessoa que era muito humana e que morreu aos 39 anos lutando por liberdades que todos nós apoiamos", disse a diretora do filme Ava DuVernay, em entrevista sobre a produção.

Selma é um filme feito de diálogos empolgantes por conta de belas atuações. Destaque para as conversas entre o ativista negro e o presidente Lyndon Johnson (Tom Wilkinson), nas quais o argumento do Vietnã é apresentado por King, além de alguns ultimatos mútuos para fim da luta pelos votos. O ator Tim Roth faz brilhantemente um pavoroso governador George Wallace, político que usou toda a força militar possível para tentar conter as manifestações pacifistas dos negros no Alabama.

Com tantas atuações inspiradas, é difícil imaginar o motivo do longa ter sido indicado a somente duas categorias no Oscar. A academia de cinema não costuma repetir em dois anos seguidos os temas das produções vencedoras de Melhor Filme. E como em 2014 o filme 12 Anos de Escravidão, que também trata da temática negra, já levou o principal prêmio, é possível que Selma saia sem nada da cerimônia do dia 22 de fevereiro. Aliás, tanto um filme quanto o outro são importantíssimo para ilustrar diferentes épocas da questão negra nos EUA - mas vendo apenas como peça cinematográfica, Selma é um filme mais legal.

Outro ponto que chama atenção na produção é o som da violência. DuVernay não tentou suavizar a covardia policial que os ativistas sofreram e faz o espectador sentir cada pancada apresentada na tela. Mais forte que o cassetete policial é o discurso de Luther King, que ainda se mostra atual ao propor que todos os excluídos da sociedade busquem vias de lutar por seus direitos. Esses discursos inspiraram as pessoas a lutarem pela liberdade, não aquela imposta pelos Estados Unidos no Vietnã, mas a liberdade de igualdade.

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