OPINIÃO
09/12/2014 13:16 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

(Alguns) Erros e acertos da Comic Con Experience

Pela repercussão e comentários na internet, CCXP foi bem recebida e superou expectativas. Resta que as empresas participantes entendam melhor a proposta do evento

PAULO GUERETA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Acabou neste domingo, 7, a primeira edição da Comic Con Experience. O evento organizado pela turma do Omelete se inspirou nas grandes convenções americanas de cultura pop para dar aos fãs de cinema, quadrinhos, games e literatura a chance de se inteirar das novidades, conhecer artistas do ramo e, principalmente, se divertir.

Se por um lado os cosplayers garantiram a curiosidade de todo mundo, alguns estandes de canais de TV puderam desanimar quem foi ao evento em busca novidades. Em todo caso, por ser um evento de grande porte em sua primeira edição, a organização caprichou no tamanho de tudo. Do local escolhido para a convenção às atrações apresentadas, passando pelas réplicas de personagens famosos em tamanho real e até mesmo pelo preço do evento, tudo era grandioso e saltava aos olhos. Afinal, "a Experiência no nome é uma experiência de encantamento", como teria dito um dos organizadores da Comic ConExperience segundo o blog Melhores do Mundo.

Réplicas em tamanho real de personagens famosos. Foto: reprodução/Omelete.

Tentei enumerar aqui alguns pontos importantes da CCXP, que de um modo geral se mostrou uma experiência bem legal.

Logística

Para chegar até o São Paulo Expo, local onde aconteceu a convenção localizado há quase um quilômetro da Estação Jabaquara do Metrô, a organização disponibilizou serviço de transporte gratuito que foi bem eficiente, pelo menos nos momentos utilizados por mim. Além disso, o lugar se mostrou um bom local para eventos desse porte.

Preços altos, estandes pequenos

Quem foi na feira também em busca de descontos em produtos pôde se frustar. O estande da loja Comix estampou preços absurdos nas capas dos quadrinhos e objetos a venda, muito diferente do que costumam fazer nas edições da Fest Comix (grande feira organizada pela loja na qual o foco é a venda de revistas). Já a Panini, que no Brasil é responsável pela edição de quadrinhos da Marvel e DC, até oferecia preços mais em conta, mas estava num lugar pequeno que comportou mal os consumidores. A iniciativa de vender quadrinhos com a capa em branco para que fossem desenhadas pelos artistas presentes no evento se mostrou uma boa sacada.

Proximidade com artistas

O Artist's Alley deixou mais de 200 roteiristas e desenhistas bem perto do público. Certamente era um dos melhores espaços do evento e colocou lado a lado quadrinistas independentes e artistas mais famosos, dando chance pro público conhecer novos trabalhos e ter seu quadrinho autografado.

Muita publicidade para pouca novidades

Se lá fora, nas duas maiores convenções desse ramo (San Diego Comic Con e a New York Comic Con), os estúdios de cinema aproveitam para lançar trailers de seus lançamentos ou divulgar novidades das próximas produções, aqui no Brasil algumas empresas perderam a oportunidade de fazer o mesmo. A Fox, por exemplo, estava com um estande bem divertido de Os Simpsons, no qual as pessoas podiam entrar numa réplica da sala da família e tirar foto sentado no sofá do Homer. Merchandising bem legal, mas o que o canal está preparando para 2015 no Brasil? Quais os lançamentos previstos? Quando vão estrear novas séries?... Houve uma preocupação em aproximar o público da marca, mas o espectador saiu sem grandes novidades sobre o canal. Esse caso não foi exclusivo da Fox, e não chega a ser um ponto negativo. Mas demonstra que algumas empresas de comunicação ainda não enxergaram as oportunidades de um evento como esse.

Sofá do Homer Simpson no estande da Fox. Foto: Omelete

Painéis bacanas

Disney Pixar e Netflix souberam aproveitar os espaços que tiveram na feira. O serviço online de streaming divulgou a nova série original, Marco Polo, com direito a presença do elenco principal. Já a casa do Woody e do Buzz fez exibição de material inédito da próxima animação, Divertida Mente.

Pelo público, talvez o Brasil comporte mais de um evento de cultura pop desse nível, no que o site Judão chamou, há alguns meses, de Batalha das Comic Con. Pela repercussão e comentários na internet, CCXP foi bem recebida e superou expectativas. Resta que as empresas participantes entendam melhor a proposta do evento e como podem usá-lo tanto para promover novos produtos como para contribuir com a experiência, mas acredito que isso venha com o tempo.

E que venha a segunda edição em 2015.

Acompanhe mais artigos do Brasil Post na nossa página no Facebook.

Para saber mais rápido ainda, clique aqui.