OPINIÃO
08/08/2015 08:10 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Com cenário de incertezas, manifestação do dia 16 será o fiel da balança

Montagem/Estadão Conteúdo

A primeira semana de retorno do recesso do Congresso já prometia vir acompanhada de derrotas para a presidente Dilma Rousseff, mas dois fatores colocaram ainda mais combustível na crise: a prisão do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu - "herói guerreiro do povo brasileiro" - e a pesquisa de opinião que conferiu a ela o título de presidente mais impopular desde 1990.

Dilma conseguiu arrancar risos da oposição e dos mais oposicionistas dos peemedebistas com a piada de que a popularidade dela está mais baixa que a inflação.

O "feito" da madatária foi um dos poucos com sucesso nos últimos dias. Isso porque nem mesmo a oposição está rindo. Embora a petista esteja sangrando, como alguns tucanos queriam, não se tem certeza sobre os próximos passos do futuro da República.

O que todos sabem, porém, é que é preciso de apoio popular, tanto para que o governo se sustente quanto para ele sofra o processo de impeachment. Sem ter o pulso do desejo das ruas, todo ato é tímido.

O próprio PSDB está dividido. Com medo de ficarem com a pecha de golpistas, membros do partido chamaram as pessoas para as ruas e pediram novas eleições.

No mesmo dia que o partido fez o anúncio, o vice-presidente do PSDB e ex-governador de São Paulo Alberto Goldman disse que a decisão não era unânime e que as posições expressadas no Congresso eram "especulações pessoais".

O PMDB, do vice-presidente, Michel Temer, também não sabe ao certo o que fazer. Os mais oposicionistas dizem que o reinado de Dilma não dura até o fim do mês, já outros apontam para um cenário de piora no isolamento da petista, com a condução da políticas nas mãos de Temer.

Há ainda os peemedebistas que têm medo de um repeteco do impeachment de Collor, quando eles acabaram isolados. Não se pode também esquecer que o partido é parte da chapa de Dilma e no cenário mais delicado, o vice também perderia o mandato.

Entre os petistas, o clima é ainda mais nebuloso. Ninguém arrisca apontar um futuro positivo, e alguns lembram que a presidente tem enfatizado que renúncia não está em pauta.

Nesse cenário, quem vai ajudar os políticos a se posicionar é a "voz do povo". Um dúvida, porém, paira sobre a cabeça dos brasileiros. Afinal, o governo ficaria nas mãos de quem?

Há duas possibilidades para sustentar o pedido de impedimento:

1. O Tribunal de Contas da União rejeita as contas de Dilma, e o Congresso também. Ao abrir a brecha para a presidente ser enquadrada no crime de responsabilidade, há base jurídica para abertura de um processo de impeachment. Nesse quadro, o vice-presidente Michel Temer assume o comando do País.

2. O Tribunal Superior Eleitoral julga em setembro as contas da presidente. Se comprovada irregularidade, como o financiamento da campanha derivado de dinheiro desviado da Petrobras - investigado na Operação Lava Jato, a chapa de Dilma e Temer pode ser cassada.

Este último é o cenário preferido dos integrantes do PSDB que pedem novas eleições.

Acuada, a presidente tem tentado mostrar força e enfatizado que é capaz de tirar o País da crise. O problema é que nem os mais próximos acreditam.

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Frases INEXPLICÁVEIS de Dilma Rousseff