OPINIÃO
26/09/2015 09:09 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Afinal, o que o PMDB quer?

Ao mesmo tempo em que o PMDB nega troca de cargos por apoio político e o vice-presidente Michel Temer diz que as chances de impeachment são mínimas, o partido trabalha para descolar sua imagem do governo.

ANDRÉ DUSEK/Estadão Conteúdo

Ao mesmo tempo em que o PMDB nega troca de cargos por apoio político e o vice-presidente Michel Temer diz que as chances de impeachmentsão mínimas, o partido trabalha para descolar sua imagem do governo e pressiona a presidente por mais cargos na Esplanada. As ações parecem contraditórias, mas demonstram um jogo duplo da sigla.

Ministérios

No dia em que entregou a lista dos indicados aos ministérios pela bancada do PMDB na Câmara dos Deputados, o líder do partido na Casa, Leonardo Picciani (RJ), negou veementemente o "toma lá dá cá" por espaço nos ministérios e afirmou que a maioria do partido é contrária ao impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Ciente de que só há cinco vagas para o partido no novo desenho da Esplanada, Picciani, porém, ressaltou que espera que a presidente mantenha o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves (PMDB), no cargo. Há ainda Edinho Araújo, dos Portos, e Eliseu Padilha, da Aviação Civil, que desejam permanecer no Executivo.

No Senado, o discurso é o mesmo, peemedebistas alegam que os três ministros da Casa representam o partido. Kátia Abreu, da Agricultura, Helder Barbalho, da Pesca - que será extinta, e Eduardo Braga, de Minas e Energia. Só nessa conta são oito ministros para cinco pastas.

Ao saber que alguma oferta poderia ser refeita, Picciani ameaçou retirar as ofertas do PMDB.

Impeachment

Em meio a essa negociação por mais espaço no governo, o partido adotou um discurso completamente descolado do Planalto.

Apesar da voz mais clara ser a do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), que diz que o partido deve deixar a base e não indicar nenhum nome, o programa eleitoral do partido cobrou mudanças e colocou a legenda como uma alternativa.

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Posted by PMDB Nacional on Quinta, 24 de setembro de 2015

Nas imagens, a legenda se diz capaz de "recolocar o País no rumo do crescimento". Peemedebistas de todo canto do Brasil, escalados para a propaganda, reforçaram que o "Brasil sempre vai ser maior que qualquer governo". E o vice-presidente arremata com uma cutucada no governo: "assumindo erros, mostraremos que somos um País confiável".

Enquanto se mostra como segunda via, o partido deixa ecoar o posicionamento de Cunha contra o governo e é cortejado pelo PSDB para tomar as rédeas do impeachment.

Sem a possibilidade imediata real de impeachment, o vice-presidente, que já deixou escapar que a presidente não sobrevive a índices tão baixos de popularidade, rechaça o impedimento.

Nesta sexta-feira (25), em encontro com empresários em São Paulo, ele afirmou que "o País não vive uma crise institucional, que daria fôlego a uma iniciativa deste tipo".

Esforço redobrado

Neste cenário, a presidente define na próxima semana o redesenho da Esplanada, que pode afagar a relação dela com o partido e abafar, pelo menos momentaneamente, o apoio do partido ao impeachment. A decisão da presidente, por outro lado, pode expor ainda mais divergências com a legenda.

Enquanto o aceno não vem, o PMDB segue no jogo duplo por considerar os dois cenários. Tanto não descartam a possibilidade de um possível impeachment, no qual venham a assumir o poder, quanto apostam na continuidade de um governo frágil. Com o governo instável, o partido usa o impedimento e a difícil tramitação do pacote fiscal para pressionar a presidente por mais espaço, mais cargos.

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