OPINIÃO
23/09/2015 16:24 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Direito de escrever a própria história

Em muitos casos, o Estado já havia abortado essa mulher, o pai dessa criança já tinha abortado essa criança, e outros núcleos que a rodeiam seu círculo de convivência fizeram o mesmo.

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Dia 26 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção da Gravidez Não Desejada. Dia 28 deste mês é Dia Mundial de Ação para o Acesso ao Aborto Legal e Seguro.

Coincidência ou não os assuntos se ligam e precisam ser refletidos com o mesmo peso por todas as pessoas.

Mulheres em todas as partes do mundo enfrentam gestações para as quais elas não estão prontas. E os motivos são vários. Aproximadamente 40% das gestações que acontecem no mundo são indesejadas.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, dos 42 milhões de abortos que acontecem anualmente, 20 milhões são abortos clandestinos, realizados em condições pouco seguras, num ambiente social adverso, provocando aproximadamente 47 mil mortes por ano devido a infecções, hemorragias, danos uterinos e efeitos tóxicos dos métodos utilizados para induzir o aborto.

Muitos motivos levam as mulheres a interromper uma gravidez não planejada e/ou indesejada.

Em muitos casos, o Estado já havia abortado essa mulher, o pai dessa criança já tinha abortado essa criança e outros núcleos que a rodeiam seu círculo de convivência fizeram o mesmo.

As outras razões são:

  • Elas não se sentem prontas para ter um filho;
  • Elas precisam cuidar de seus filhos já nascidos;
  • Elas não podem ter outro filho;
  • Elas não foram capazes de obter contraceptivos;
  • Seus parceiros disseram "não" ao uso de um método contraceptivo;
  • O método contraceptivo falhou;
  • Elas não tinham informações corretas sobre como seu corpo funciona e quando podem engravidar;
  • Elas foram estupradas;
  • Elas têm um problema de saúde. A gravidez pode, em alguns casos, piorar ou ameaçar a saúde e a vida das mulheres.

Recentemente minha amiga abortou, uma conhecida abortou e conhecida do meu conhecido quer abortar. Os motivos são diferentes, porém, o método foi igual: inseguro.

Graças a essa forma, uma delas não pode mais ser mãe de maneira biológica.

O direito de ser protagonista da própria história não foi lhes dado. Pelo contrário, o silêncio, o medo e problemas de saúde foram a resposta de passar por um procedimento inseguro.

Não parece ser fácil a decisão de se fazer um aborto. Mas se a mulher tiver que fazer, ela vai fazer, e não importam as leis vigentes.

Se a mulher ainda for castigada por isso, a situação fica muito pior.

Existe uma pena moral que ela paga para a sociedade. A questão é se ela vai pagar fazendo um aborto seguro ou inseguro. Viva, morta ou debilitada. Você decide.

Instituições como safe2choose.org, recém lançada em mais de cem países, trazem à tona esse debate por ocasião das datas.

Com o intuito de auxiliar a mulher nesse momento do aborto, a empresa social apoia mulheres de todo o mundo com acesso conveniente e privado a informações e aconselhamento sobre como ter um aborto seguro com medicamentos até as dez semanas de gravidez.

Existem outras opções quando essa gravidez não é planejada como: levar a gravidez adiante e assumir o papel de mãe ou disponibilizar essa criança a adoção.

Porém, a decisão é da protagonista desta história. A nós, neste momento, cabe a reflexão de dar a oportunidade dessa mulher em ter um filho de maneira segura, doar um filho de maneira segura ou abortar de maneira segura.

Neste último caso, o Brasil ainda tem muito a avançar e refletir sobre o tema.

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