OPINIÃO
15/10/2014 18:36 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

O professor e a educação do século XXI

A chegada do livro digital e o uso crescente das tecnologias educacionais nas salas de aula têm despertado o sentimento de que a educação no Brasil está chegando ao século XXI. Com isso, recai sobre o professor a necessidade de dominar novas tecnologias.

KHALED DESOUKI via Getty Images
TO GO WITH AFP STORY LIFESTYLE-EDUCATION-EGYPTEgyptian students attend a secondary school class at the 'Futures Tech' private school in Cairo on October 23, 2013. Classes are overcrowded, curriculums out of date and facilities crumbling. In Egypt, frustrated parents have for decades relied on private tutors as overpopulation and government neglect have eviscerated public education. AFP PHOTO/KHALED DESOUKI (Photo credit should read KHALED DESOUKI/AFP/Getty Images)

A chegada do livro digital e o uso crescente das tecnologias educacionais nas salas de aula têm despertado o sentimento de que a educação no Brasil está chegando ao século XXI. Com isso, recai sobre o professor a necessidade de dominar novas tecnologias para não ser considerado responsável pelo atraso do sistema educacional. É claro que os professores - como qualquer outro profissional - precisam se inteirar das novidades em sua área, mas será justo, responsabilizá-los pela efetivação da "educação do século XXI"?

Hoje, pode parecer natural pensar que crianças e jovens vão à escola para estudar. Porém, essa ideia é recente em termos históricos. Foi após a Revolução Industrial e, principalmente, após a Revolução Francesa que a educação apareceu como uma necessidade universal, laica e de responsabilidade do Estado. Dentro daquele contexto de virada do século XVIII para o XIX surgiram os Sistemas Nacionais de Ensino que em boa medida funcionam no mundo ocidental até hoje e cuja base é voltada para a transmissão do conhecimento acumulado pela humanidade e sistematizado logicamente.

Dentro desse contexto, a escola nasce como um espaço fechado, onde os alunos devem permanecer sentados em fileiras, ouvindo e copiando as informações transmitidas pelo professor durante 50 minutos, considerado o tempo médio capaz de atrair a atenção de um estudante na época.

Mas hoje vivemos em um momento marcado por mudanças que se reconstroem a cada segundo: redes sociais, bombardeio de imagens por meio da televisão, internet, videogame, novos valores culturais, sociais e econômicos. Tanto a forma de adquirir conhecimento como o conhecimento em si estão inseridos em outra realidade, não mais estanque ou compartimentada. Para agravar a situação, pesquisas recentes com neurociências e psicologia, mostraram que o tempo de atenção de um aluno de hoje em uma aula é de seis minutos, quando muito, chega a vinte minutos.

O professor trabalha em um ambiente cuja estrutura se fundamenta no século XIX, mas lida com os jovens que vivem o século XXI. Em seu cotidiano, o professor pode lançar mão de ferramentas que permitam que suas aulas estejam mais ligadas à realidade do aluno, como um trabalho mais sistemático com imagens, jogos (eletrônicos ou não), construção de blogs, produção de filmes etc. São recursos que atraem os estudantes ansiosos por tarefas mais interativas e menos contemplativas.

Porém não adianta o professor ser do século XXI se a escola não o for. Torna-se urgente construir uma escola que tenha como base a sociedade deste século, onde os alunos sintam desejo de participar por verem suas realidades e sonhos inseridos no programa escolar; onde o espaço de aprendizagem não fique restrito à sala de aula; onde a arte e o esporte sejam verdadeiramente um recurso pedagógico; onde as diferenças sejam valorizadas e onde o erro seja apenas uma das etapas da aprendizagem.

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