OPINIÃO
11/07/2014 10:31 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Já ouviu falar em rede social para condomínio?

Depois de trabalhar um dia inteiro, ninguém em plena rotina gostaria de se reunir com outras pessoas, que provavelmente não são suas amigas, para discutir situações monótonas ou aparentemente distantes da resolução. "A faixada do prédio está descascando há meses", "a piscina está com vazamento", "pessoal, vamos reciclar o lixo".

Estou falando das reuniões de condomínio - esse adolescente mimado e desarticulado. Tem opiniões contraditórias, necessita constantemente de manutenção, vive recebendo avisos e advertências. É quase como o Cortiço de Aluízio de Azevedo, "um organismo vivo que cresce, se desenvolve, cria forças daninhas e acaba por determinar a personalidade de quem vive em seu interior".

Há uma dezena de motivos para achar essas assembleias desinteressantes e apenas um para ir à reunião: se não for, é pior. Que bom seria se existisse algo ou alguém que organizasse tudo o que acontece - ou não - dentro desses ecossistemas chamados prédios.

Agora, se administrar um já é difícil, imagina aqueles com cinco, oito, dez torres num mesmo complexo. Como fazem os administradores?

Foi então que me falaram sobre a existência de uma rede social para condomínios. Exatamente isso: uma espécie de Facebook privado e customizado, criado exclusivamente para o uso dos condôminos. Há tantas ferramentas que me perco. Mas, simplificando a história, é possível sistematizar e compartilhar de forma transparente todo tipo de informação envolvendo os moradores.

Você pode reservar o salão de festas e as quadras esportivas; registrar ocorrência contra um vizinho ou serviço do prédio (anonimamente, exceto para o síndico); anunciar e/ou negociar nos Classificados; combinar a carona solidária (a nova febre); conferir o balanço de gastos mensais; ler documentos oficiais; cadastrar seu carro (para o consentimento do porteiro) e seu pet (útil se ele se perder); votar nas enquetes promovidas pelo síndico; apontar itens no Achados e Perdidos; entre outras mil...

A curiosidade me levou a conversar com o pessoal da Condovox, a empresa pioneira em sites para condomínio. Criada em 2006, hoje administra virtualmente 110 complexos residenciais espalhados pelo Brasil, sendo metade na cidade de São Paulo, alcançando mais de 14 mil pessoas. Cerca de 70% dos condomínios são de alto padrão.

O que eles fazem é vender a licença do sistema que criaram, gerenciar a movimentação e medir o grau de satisfação dos clientes. "É uma ferramente que ajuda a aplicar as regras a todos e elimina a falha humana", explica Rafael Adami, engenheiro da computação que iniciou o projeto. "É o funcionário mais barato que o síndico pode contratar", diz. Tudo em tempo real, 24 horas disponível, atualizado diretamente nos e-mails pessoais (se assim o quiser), sem gastar papel.

Eles me explicaram como é que a coisa funciona. Primeiro: é um grupo fechado. Só tem direito ao acesso e às informações aqueles que possuem um login e senha. Grande parte dos dados fica restrita apenas ao gestor. Segundo: não é obrigado aderir, embora a tendência seja que a maioria das pessoas o faça, pelo simples fato de ser algo vantajoso. Terceiro: facilita, e muito, a vida do síndico. Lá, ele consegue fazer levantamento de ocorrências, receber sugestões, dar aviso direcionados a apartamentos ou torres específicos, além de ganhar tempo em questões administrativas. Quarto: adota medidas preventivas. Evita reuniões através de enquetes; avisa possível racionamento de luz ou água; previne seu porteiro da existência de uma lista de convidados para festas de aniversários; evita que esse mesmo porteiro barre algum condômino só porque este está de carro novo, etc. Quinto e o mais importante: pode evitar acidentes. Em caso de incêndio, dá para saber exatamente quais apartamentos necessitam de apoio de acessibilidade - pois já estarão registrados como tal e serão os primeiros socorridos. Assim, o pessoal da Brigada de Incêndio do prédio (grupo que recebeu o treinamento) e os bombeiros conseguem essa informação quase instantaneamente.

O sistema Condovox não é novo. Nem o único a oferecer esse serviço. Mas talvez seja o mais próximo de uma solução definitiva para os desencontros condominiais. Rafael Adami me garantiu que, nos oito anos trabalhando só com isso, já viu todos os tipos de problemas e soluções imagináveis - algo que muito contribuiu para a nova versão do site que eles vão lançar em breve. "É ainda mais completa e foi aprimorada levando em conta sugestões de usuários", diz Luciano Gisondi, co-fundador. A nova versão do sistema dá mais autonomia para que o gestor configure a rede da sua comunidade. Coisas que até então eram ajustadas na sede da Condovox, poderão ser resolvidas mais rapidamente. Além disso, os vários módulos, como Assembleias e Reservas, passam a ser integrados: as informações vão se interceptar. E a "timeline" será atualizada. Para achar a rede social para condomínios, como os próprios costumam dizer, basta dar um Google.

Privacidade e desapego virtual

Questionei a equipe sobre dois potenciais obstáculos: a privacidade dos usuários e a resistência das pessoas mais idosas ou avessas à tecnologia - é uma opção. Quanto à primeira dúvida, Rafael disse que tudo, ou quase tudo, pode ser customizado, assim como as configurações de privacidade do próprio Facebook ou do Gmail. Além disso, tem como não se identificar no perfil, nem adicionar foto, e ainda assim acompanhar as novidades.

Já a respeito do grupo de pessoas que, segundo o modelo sociológico chamado Curva de Adoção de Tecnologia, seriam denominadas "Later Majority" ou "Laggards", existe a possibilidade de eles concordarem em transferir o controle online a um usuário com permissão de gestão, como o síndico, que se encarregará de mantê-los informados. É tudo uma questão de comunicação.

"Nosso foco são os condomínios novos, que têm grande quantidade de apartamentos, sendo a maioria dos residentes jovens", explica Rafael. Nestes prédios, a aderência é de aproximadamente 95%. Eles têm a consciência que, dificilmente, um prédio pequeno ou antigo vai querer adotar uma ferramenta como essa. Mas é provável que desperte interesse na geração de jovens que já nascem "chipados". Cabe ao administrador incentivar a aderência e uso do site próprio.

Se usamos as redes sociais para fins úteis e - não-fins -, por que não utilizá-las para diminuir problemas no condomínio e com os vizinhos? Devo sugerir para meu síndico na próxima reunião.

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