OPINIÃO
29/01/2014 10:40 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:51 -02

Uma esquina de São Paulo dá uma maravilhosa lição de vida

André M. Chang/Estadão Conteúdo

A esquina da Paulista com a Consolação, em São Paulo, entra para a história como um marco da resistência criativa de uma cidade - e serve como exemplo para qualquer cidade brasileira.

É ali que se operou uma guerra de comunicação, envolveu a elite intelectual e política da uma cidade, em meio a dezenas de milhares de anônimos, para salvar um cinema de rua.

Uma luta aparentemente inglória na era dos shoppings. Mas o cine Belas Artes, responsável pela introdução de tantos jovens na paixão do cinema, não virou só um cinema - mas um jeito de resistir a uma cidade selvagem e brutal.

Apesar de todas as impossibilidades - o cinema já fechado, a fachada toda pichada -, a mobilização animou o poder público e um patrocinador - a Caixa Econômica Federal já ganhou um mídia espontânea milionária.

O Belas Artes reabre neste semestre, com ingresso mais barato e trabalhadores pagando, nas segundas, meia-entrada, além de uma programação com filmes fora do circuito comercial, conforme anunciado ontem.

Nessa esquina, aprende-se mais do que salvar um cinema.

É a receita de como salvar uma cidade, metida num pessimismo crônico. Isso daria um belo filme.

Mas já serve como uma maravilhosa lição de vida.